1 ano e 4 meses sem tinta, metade do cabelo está virgem (grisalho), metade ainda com tinta. Faz parte da transição.
Arrependimento: Sim! De ter pintado um dia. rsrs
Não deixo de pegar sol.
Porém, uso sempre um chapéu para proteger meus cabelos e rosto, além de usar um produto finalizador para cabelos com filtro solar (o que uso é o da BioExtratus, indicado para quem usa a técnica No Poo).
Nesse mais de 1 ano de transição para os grisalhos e mais de seis meses fazendo a técnica No Poo (sem shampoo) não senti meu cabelo amarelado.
Há um ano Karla Giaretta exibe os cabelos brancos: em caráter definitivo
Foto: Vitor Jubini
A mudança radical veio assim que Karla Giaretta voltou da lua de mel.
Ela tinha 21 anos e queria fazer um corte no cabelo. Já no salão, o
cabeleireiro fez um rabo de cavalo e passou a tesoura num comprimento
enorme dos fios. Desde então ela aderiu ao cabelo curto. Mas a surpresa
mesmo veio após dois anos: os fios começaram a nascer brancos. O que no
momento foi um desespero, tempos depois se tornou uma libertação para
Karla. Há um ano ela assumiu definitivamente os cabelos brancos. “Ele me
deixou com uma aparência mais leve. Como tenho um rosto pequeno,
combinou. Sempre fui na contra-mão da maioria das mulheres. Quando quase
todo mundo usava cabelo loiro e longo, o meu era curto e preto. Assumi
um grito de liberdade e deixei ao natural”, conta a designer de
interiores.
Aos 47 anos ela carrega um cabelo curto num corte supermoderno. Mas
para assumi-lo ela precisou se sentir segura. “Na primeira vez, quando
cheguei em casa com o cabelo raspado, a minha filha falou: ‘O que você
fez, mãe?’”, lembra. A aparência, no início, assustou muita gente. “A
princípio as pessoas achavam que eu estava doente e tinham um olhar
piedoso. Algumas pessoas, que sabiam que eu não estava doente, achavam
que eu tinha estilo para carregar o cabelo. É algo que você tem que
saber carregar”, diz.
A resistência ainda é grande. Mas, atualmente, o cabelo branco não é
uma licença poética restrita às avós: cultivar tons prateados virou
opção de muitas mulheres do Estado. No caminho oposto de quem insiste em
afirmar que mechas grisalhas envelhecem, uma turma descolada (e
desencanada) assume os fios brancos cada vez mais cedo. Com um detalhe:
cheias de estilo.
A onda prateada é protagonizada por mulheres de personalidade forte,
bem-humoradas e que têm um discurso pautado pela pacífica aceitação da
passagem do tempo. Envelhecer como manda a mãe natureza virou um
libertação.
Foi exatamente essa a sensação de Karla Giaretta. “Queria mesmo era
me livrar da tinta. Sou uma pessoa hiperativa e ficar duas horas no
salão para pintar o cabelo sempre foi inquietante. Ao me assumir fiquei
mais livre. Mas é preciso ficar claro que, na essência da coisa, quero
dizer que me importo muito mais com o que as pessoas têm por dentro”,
conta ela, que atualmente só lava e corta os cabelos.
Mas essa decisão nem sempre é fácil, mesmo para as descoladas. “Os
homens dizem que eu tenho que pintar. Mas boa parte das mulheres fala
que queriam ter a minha coragem. Hoje não sei porque pintei o meu cabelo
de escuro durante tantos anos. Estou adorando viver esse momento”.
Elegância
Os fios de Solange Resende começaram a mudar de cor em 2008, quando ela perdeu o irmão
Foto: Carlos Alberto Silva
Na Inglaterra, onde tintura não faz a cabeça das mulheres da família
real, uma pesquisa apontou que 32% das britânicas apresentam mechas
brancas antes de chegar aos 30. No Brasil, não há estudo recente sobre o
tema, mas a moda das ruas acompanha a tendência internacional. A
despigmentação capilar (que acontece devido à falta de formação de
melanina) é associada àhereditariedade e a fatores como alimentação, problemas hormonais,
hábitos como fumar e ingestão de bebida alcóolica em excesso, poluição e
falta de hidratação capilar, explica o dermatologista Karina Mazzini.
“Outro ponto é a exposição contínua à radiação solar, que ajuda no
surgimento de radicais livres que comprometem a síntese de melanina”,
diz.
A médica explica ainda que cada pessoa tem um ritmo e capacidade
próprios de produzir a melanina. Por isso, o aparecimento do cabelo
branco é mais influenciado pela genética do que pela cor da pele.
“Podemos ver jovens que apresentam cabelos brancos enquanto outras
pessoas com mais de 50 anos mantêm sua cor natural. Apesar de a cor da
pele não ser um fator determinante, temos uma diferenciação na idade em
que eles aparecem. Normalmente, as pessoas brancas começam a ter fios
brancos depois dos 30 anos e negros a partir dos 40. Em geral, as
pessoas passam a ter uma quantidade significativa de cabelos grisalhos
após os 50 anos”.
Aos 63 anos, a advogada Solange Resende carrega uma linda cabeleira
grisalha. Foi após ficar abalada com a morte repentina de um irmão, em
2008, que seus fios começaram a mudar de cor. “O ocorrido me abalou e
meu cabelo caiu muito. Após me consultar com um dermatologista passei a
tomar vitamina e os fios começaram a nascer brancos”.
Logo depois ela foi no salão que frequenta há 39 anos e o
cabeleireiro deu o veredito que era preciso pintar. “Você é uma
executiva”, argumentou. Ela rebateu: “Como não posso prosseguir assim?
Não mexi e fui me acostumando. Nunca pintei para corrigir o branco”,
conta.
A advogada conta que não se surpreendeu ao se ver pela primeira vez
no espelho. “Minha reação foi tranquila”. Já a das amigas foi bem
diferente. “Algumas falaram que, com esse cabelo, eu estava
envelhecendo. Eu não concordo, olho o lado construtivo de que sempre
estou tendo mais um dia de vida”, diz.
Solange é uma mulher elegante que gosta de conforto. Com tantas
cobranças, ela diz: “Enjoei da escravidão da tintura. Ao longo do tempo
fui vendo que meu cabelo é uma forma de afirmação é ratificação de quem
eu sou. Mas é muita pressão, se não tiver firmeza a gente cede”.
Beleza aos 60
A empresária Marcia Bumachar decidiu assumir os fios esbranquiçados há apenas seis meses
Foto: Marcelo Prest
Ceder é tudo que elas não querem, pois se sentem muito bem do jeito
que estão. Se na Europa é comum ver mulheres de cabeça branca, por aqui
ainda não é comum. A psicóloga e especialista em felicidade Angelita
Scardua explica que na cultura latina o atributo da mulher sempre foi a
beleza. “É uma mentalidade machista, onde o que importa é ser bonita,
ajeitada e ser jovem. Por isso, o cabelo branco está associado a
envelhecimento, falta de vaidade e de atividade social. Ter cabelo
branco afasta essa mulher do ideal de juventude. E isso pesa muito”.
A empresária Marcia Bumachar, 60 anos, decidiu assumir os cabelos
brancos há apenas seis meses. “Assumir os cabelos brancos é sair da
escravidão, é ter a liberdade de se mostrar como é, mostrar como o tempo
a transformou, é aceitar os ciclos da vida e ganhar tempo e
praticidade. Enfim, é a libertação dos padrões impostos”, conta.
Ela, que sempre teve cabelos escuros, passou por um processo de
transformação. “Quando meus brancos começaram a aparecer, fazia
intervenções com uma tintura da mesma tonalidade dos fios naturais. Mas
sempre questionava: por que homens de cabelos brancos ou grisalhos são
considerados charmosos e elegantes e nós para, mulheres, assumir a
passagem do tempo é um atestado cruel da idade e sinal de desleixo!?”,
lembra Márcia.
Ela não se descuida, tanto que continua indo ao cabeleireiro e
redobrou os cuidados pessoais. “Cabelos brancos exigem um visual bem
tratado para a mulher não ficar com a aparência desleixada. Depois que
adotei meus fios brancos, naturalmente construí um exercício diário de
carinho comigo mesma. Foi ótimo para minha autoestima”.
Fios brancos desde os 18 anos
Há quatro anos Karla Barros parou com a tintura e adotou as madeixas brancas
Foto: Fernando Madeira
Para Angelita Scardua, num mundo onde é valorizado a juventude e a
beleza, a atitude de se aceitar é muito bacana. “O importante é a gente
poder ser o que quiser, sem ter que disfarçar. Não existe um só caminho
possível. O importante é não vivermos um policiamento estético. O
importante é a pluralidade e diversidade”, ressalta.
Dona de alguns fios brancos desde os 18 anos de idade, a empresária
Karla Barros já teve diversos tipos de cabelos. “Ele já esteve dourado,
com mechas mais escuras, platinado e descolorido. E como os fios brancos
começaram a aparecer cedo, comecei a pintar”, lembra.
Há quatro anos ela parou com a tintura e assumiu os fios brancos. “Me
senti satisfeita, agi com naturalidade. Sou adepta de uma vida natural.
Não uso pílula, fiz parto normal e acho que o cabelo tinha que seguir o
mesmo estilo de vida”, explica.
Ela, que ficava nove horas no salão de beleza para descolorir os
fios, aposentou as tinturas de vez. “Culturalmente o cabelo branco não é
bem-visto. Mas gosto da imagem, é um estilo diferente. Vejo meu cabelo
como estiloso. Mas todo mundo acha que faço luzes com mecha, que não é
natural.”
Aos 38 anos, ela conta que ainda hoje tem pessoas que se espantam e
dizem que ela tem que pintar. Mas nem liga. Para os cuidados, Karla usa
xampu neutro e de cor branca. “O cabelo branco tende a ficar amarelado. O
tratamento é parecido com o do loiro”, diz a mais nova das entrevistas.
Mesmo sendo tão nova, colorir os fios está fora de cogitação. “Todas as
vezes que pensei em pintar o meu marido pediu para continuar com cabelo
branco. Ele me acha sexy assim, diz que demonstra que sou uma mulher
corajosa e atraente”.
Ao assumir os fios sem coloração, algumas mulheres vêm
protagonizando quase que uma “campanha” espontânea para que outras
reavaliem seu olhar sobre essa opção. Conheça, aqui, histórias de quem
ostenta esse visual com (muito) orgulho
PUBLICADO EM 22/10/17 - 03h00
Lorena K. Martins
Kátia Oliveira - 62 anos
Foi há pouco mais de dois anos que a funcionária pública aposentada
Kátia Oliveira, 62, resolveu assumir de vez as madeixas brancas. Assim,
ela aumenta a lista de mulheres que colocam essa opção sob um prisma
positivo, desconstruindo a imagem de desleixo a que eram relacionadas no
passado.
Avessas à prática de tentar disfarçar os primeiros
fios brancos, mulheres de várias idades e perfis têm feito essa nesta
opção. Algumas delas inserem-se no patamar das celebridades – como Isis
Apfel, Vera Holtz, Rita Lee, Maria Bethânia e Meryl Streep, para citar
alguns exemplos. Bem-resolvidas, ostentam madeixas inspiradoras. No
caso, Kátia ainda está no processo de transição, que, vale dizer, pode
ser demorado. E exigir paciência. “Na verdade, sinto que não fui eu, e
sim o meu cabelo que pediu para ficar natural. Na hora em que percebi a
proximidade dessa mudança, resolvi encarar todas as etapas do processo”,
explica ela, que adotou um método. “Fui cortando aos poucos para que os
fios brancos reinassem mais do que a antiga tintura e fiz cortes também
mais ousados. Essa decisão me deixou mais confiante e segura”, garante.
Assim como Kátia, outras mulheres refutam veementemente a associação
dos cabelos grisalhos a sinais de desleixo ou a um envelhecimento
acelerado. Caso também da jornalista Caroline de Paula, 32, que começou a
apresentar os primeiros fios brancos bem jovem, aos 18 anos. Há três
anos, ela decidiu desencanar com a tintura, motivada principalmente pelo
cansaço de voltar ao salão todo mês para o retoque da raiz. “Quando
decidi parar de pintar, foi também para me livrar dessa prisão estética,
principalmente a de ter que pintar o cabelo ‘obrigatoriamente’. Sempre
curti muito o cabelo branco. Na minha opinião, não significa que estou
velha, mas sim que ele é de outra cor. O platinado também não está na
moda?”, brinca. Caroline conta que foi um cliente que viu o cabelo
branco aparecer na raiz e sugeriu que ela assumisse os fios, opção
também apoiada por seu namorado. No Instagram, a moça expõe suas
impressões e incentiva quem planeja fazer o mesmo.
Caroline de Paula - 34 anos
Aceitação.
Mas, sim, a opinião alheia ainda é um dos maiores incômodos na vida de
quem quer assumir os cabelos brancos. Mesmo com o incentivo de amigos,
Caroline lembra que, no início do processo, não foram poucos os que
chegaram a constrangê-la, associando a ausência de cor ao descuido ou ao
envelhecimento precoce – por conta de sua pouca idade. “Levo tudo numa
boa. Não me enxergo velha e sempre falo que a velhice está na cabeça das
pessoas; vem de dentro”, rebate.
Em paz com a escolha, ela
também enxerga o novo visual como um processo de aceitação interior e
uma grande prática de desapego aos padrões de beleza impostos pela
sociedade. “Por que esconder algo que é da minha natureza? Tenho que ser
feliz com a minha essência. O cabelo me empoderou! Hoje, uso o que
quero e de fato sou mais ousada. Até uso mais maquiagem e tenho mais
liberdade no vestir”, frisa ela, que, além dessa dose extra de
auto-confiança, já inspirou outras mulheres a assumir os fios brancos –
caso, por exemplo, de sua irmã.
Transformação.
O embranquecimento dos cabelos é, de fato, um processo natural do
organismo. O dermatologista Alberto Cordeiro, especialista em cosmiatria
da Horaios Estética, de São Paulo, diz que a idade em que surgem os
primeiros fios brancos é bem variável. “Resultam do próprio
envelhecimento do couro cabeludo. Com o passar dos anos, o estresse
oxidativo vai aumentando a formação de radicais livres, fazendo com que o
fio também envelheça, formando a canice, que é o termo técnico para
cabelo branco”, explica.
A quantidade está relacionada também
ao estilo de vida, o que justifica o fato de algumas mulheres possuírem
mais cabelos brancos do que outras. “Toda a parte de qualidade de vida,
como os cuidados diários, influenciam para o aumento dos fios brancos –
caso de sono, alimentação, atividade física e estresse”, enumera. Uma
curiosidade: os primeiros fios brancos costumam chamar a atenção também
pela qualidade diante dos demais: “Eles tendem a ser mais grossos, menos
flexíveis e mais ressecados que o fio normal. A estrutura física em si
não se modifica, só há uma perda de pigmento”, salienta o
dermatologista.
Por causa desse ressecamento natural, causado
principalmente pela falta de melanina, a hidratação precisa ser
reforçada. “Quem deseja deixar os fios grisalhos é aconselhado, desde o
início da transição, a investir em cuidados como a hidratação e a
nutrição dos fios, mas aconselhamos sempre a procurar a orientação de um
profissional, para um tratamento mais personalizado”, explica Renata
Souza, especialista em tratamentos capilares naturais do SpaDios.
Moda e beleza inspiram transição capilar
Mulheres maduras que deixaram as madeixas naturais têm figurado cada
vez mais em publicações e desfiles de moda, incentivando para que outras
a encarar essa etapa da vida com mais naturalidade. Recentemente, o
modelo grisalho Jorge Gelati,52, fez bonito na passarela da Ellus,
enquanto Vera Valdez, 81, queridinha de Coco Chanel e primeira modelo
brasileira a fazer sucesso no exterior, desfilou na apresentação da
última coleção da Renner. A tentativa está em sintonia com marcas e
empresas, como a própria Renner, que abraçam a tendência de inserir
pessoas reais em suas campanhas.
Para libertar-se das tinturas,
Renata Souza, especialista em tratamentos capilares naturais do
SpaDios, explica que é quase inevitável o contraste de cores no início
do procedimento. “O início do processo de transição é, sim, difícil –
porém é preciso enfrentá-lo, se o desejo for mesmo se libertar de vez
das tinturas. O mais aconselhável é que cada um cuide dos fios desde o
início e, para escapar de um possível desconforto na raiz, que adote o
uso lenços e penteados que cubram esse início de crescimento”,
aconselha.
Assumir
os fios brancos, além de dedicação, exige um bom relacionamento consigo
mesmo e coragem para a aceitação. Cada dia, a moda dos grisalhos ganha
mais adeptos — muitas vezes, um desafio para as mulheres, que, aos
poucos, se livram das tintas e do culto à eterna juventude. A tarefa não
é fácil, mas dar esse passo pode mudar não só uma imagem vista no
espelho, mas, sobretudo, a forma como a vida é vivida, com mais leveza.
Levantamento
da FSBPesquisa, encomendado pela Avon, constatou que 14,4% das mulheres
acima dos 45 anos já adotam o estilo platinado nos cabelos. E mais:
61,1% gostam da ideia de assumir os brancos. Para essa parcela de
entrevistadas, mais que uma simples rebeldia aos padrões de beleza, esse
é um sinal de atitude.
Por
todos os lugares, é possível observar que o estilo é bem-vindo. Na
internet, blogueiras americanas se reuniram para ajudar mulheres que,
assim como elas, desejam passar pela revolução grisalha — nome dado ao
site em inglês, Revolution Gray. Lá, é possível encontrar imagens e a
história de transição de cada uma das quatro participantes que adotaram
os fios brancos antes dos 50. A página traz ainda dicas, compartilha
experiências tocantes e dá informações para pessoas que estão passando
pelo mesmo processo.
Nas
telas, várias atrizes destacam a beleza do cabelo grisalho.
Recentemente, Sophie Fontanel, escritora e jornalista francesa
especializada em moda, usou o tema como inspiração para lançar sua mais
recente obra. No livro Une apparition, sem tradução para o português,
relata a experiência de dar adeus às tinturas e os aceitar os fios
naturalmente brancos — processo também compartilhado, em todas as
etapas, com os mais de 100 mil seguidores nas redes sociais.
A
tendência de assumir os fios brancos chegou à Europa, originária dos
Estados Unidos, e se popularizou há alguns anos. Mulheres de 30, 40, 50
anos ou mais idade passaram a expressar, por meio dos cabelos, que
estavam fartas de se submeter a pinturas regulares e a sofrer com os
produtos químicos. Cabeleireiros e profissionais da área aproveitam a
fase para propor soluções inovadoras durante o período de transição e
para atenuar o efeito bicolor. Enquanto isso, aumenta a procura por
produtos que evitam o tom amarelado nos fios grisalhos.
Por
aqui, as brasileiras também lutam pela aceitação e pelo empoderamento
dessa revolução. “Assumir essas mudanças significa aumentar a
autoestima. As mulheres começam a entender que é possível viver com os
cabelos brancos e, mesmo assim, continuarem jovens, saudáveis,
interessantes e, acima de tudo, belas”, ressalta Amsha Carvalho,
psicóloga parceira do Hospital Anchieta.
Quem
ouve um pouco da história da funcionária pública Cristina Oliveira, 53
anos, entende que, para ela, a transição do cabelo castanho-escuro para o
grisalho veio de forma bastante natural. Ela conta que um dia, quando
passava a escova nas madeixas, notou alguns fios brancos. “Descobri que
já tinha uma mecha bem grisalha. E achei o máximo! A partir daí, só
arrumava o cabelo de uma forma que ela pudesse ficar bem exposta.”
Apesar
da pressão da família e do próprio cabeleireiro em esconder a tal
mecha, Cristina não se deixou abalar e bancou a decisão: mudou de salão e
tratou com naturalidade as opiniões dos parentes. “Nunca pintei o
cabelo. Sempre fui bem resolvida comigo mesma e tive muita convicção do
que queria. Aceitar os grisalhos não foi nada”, afirma. Desde que
começaram a aparecer, há oito anos, os cabelos brancos foram encarados
pela servidora pública como um acúmulo de beleza e de experiência
adquiridas. “Liberdade. Para mim, é essa a palavra que descreve a
aceitação. Sempre me olhei no espelho e gostei do que vi. Para as
pessoas, como notavam os fios aparecendo aos poucos, creio que esse
processo também foi bem natural.”
As
mudanças nos valores e na moda, segundo Cristina, contribuíram muito
para que tudo fosse percebido de forma simples. Ao ser parada na rua
diversas vezes e questionada sobre o que havia feito nos cabelos, ela
apenas achava graça e recomendava que as pessoas deixassem de ter medo e
aceitassem algo que achavam bonito. “Muita gente que me conhece acabou
me seguindo. Hoje, vejo que várias amigas também estão se desprendendo
da tinta. Acho isso incrível. Quero que todos se encontrem de alguma
forma e se sintam maravilhosamente bem, assim como eu”, diz. Ela garante
que, depois de passar por todo o processo, conta com a aceitação da
família e dos amigos.
Recomeçando do grisalho
O
ano de 2016 foi um tempo de crescimento não só para os cabelos, mas
também para a própria vida de Ana Flávia Coelho, 54 anos. Após passar
pelo tratamento de um segundo câncer, a empresária, que perdeu os fios
por conta da quimioterapia, teve a oportunidade de ressignificar a
moldura que, como ela define, cobre nossas cabeças. “Quando perdi os
cabelos, passei por um momento de muita meditação. Tentei usar peruca,
lenço, mas nada me deixava confortável. Não me sentia eu. Comecei a
aceitar minha careca como uma declaração pública de não estar nem aí
para o que os outros pensavam. Era como uma nudez madura”, conta. Quando
as primeiras pontinhas de cabelo começaram a aparecer, após alguns
meses, Ana se sentiu à vontade para entender o novo “presente” recebido
pelo corpo — os fios brancos.
Após
a quimioterapia, os fios de Ana Flávia nasceram brancos: "Acompanhar o
nascimento desses branquinhos depois de eu ter ficado careca foi como a
continuidade de um processo de renovação e crescimento"
Desde
os 14 anos, ela já tinha uma mecha alva entre os fios pretos. Com o
tempo, esses fios foram aumentando e, já em 2015, grande parte do cabelo
da empresária estava grisalho, mas escondido pelas tinturas.
“Acompanhar o nascimento desses branquinhos depois de eu ter ficado
careca foi como a continuidade de um processo de renovação e
crescimento. Decidi não pintar. Não pelos produtos químicos. Era uma
oportunidade de reeditar minha imagem no espelho”, justifica.
O
fato de, durante boa parte da vida, levar consigo a mecha branca,
acredita Ana Flávia, não altera o susto de ter que lidar com os cabelos
agora grisalhos. “Tive que reavaliar a figura que eu via no espelho e
passei por um processo de compreensão para aceitar essa nova fase pela
qual estou passando.”
Apesar
de arredios no início, Ana Flávia teve o apoio do marido e dos filhos
na escolha de deixar as tinturas de lado. “Acho que eles curtem porque
sabem que é algo que me faz bem. Não me sinto feia, não me sinto menos.
Pelo contrário. Gosto do que vejo. Meu cabelo não me mudou nem faz
nenhuma diferença em mim”, acredita. Essa nova marca, para ela, é uma
oportunidade de apenas ajustar o cabelo para que ele fique de acordo com
o espírito. “O grisalho aparece para nos mostrar que estamos longe de
sermos velhinhas só porque temos o cabelo branco. É uma nova forma de
enxergar a vida.”
O
mais novo desafio da empresária é lidar com a rebeldia dos fios. “Eu me
sinto como uma adolescente pegando o jeito para arrumá-los”, brinca. É
preciso hidratar, cuidar e prevenir o amarelamento. “Vejo muita gente
que se abandona só porque tem cabelos brancos. Isso não pode ser sinal
de desistência.”
Passando pela transformação
Abandonar
a tintura requer dedicação. Depois do preparo psicológico para abraçar
essa nova fase, um dos grandes desafios em assumir os cabelos grisalhos é
se segurar para não cobri-los, uma vez que o crescimento não é
homogêneo e ocorre aos poucos — normalmente, começa a partir das
laterais em direção ao centro e ao topo da cabeça. Para o hairstylist
especialista em cabelos grisalhos Gustavo Alves, aceitar os fios brancos
é valorizar a beleza de cada fase da vida e trazer a individualidade de
volta ao foco, sem se importar com certas opiniões. “É preciso entender
que os cabelos brancos são tão lindos e modernos quanto os coloridos”,
ressalta.
"Não
foi fácil. Meu cabeleireiro recomendou que eu fizesse os reflexos para
que não ficasse com aquele sinal de desleixo. Acho que foi isso que
ajudou - Maria de Oliveira, 61 anos
Não
é porque estão descoloridos que os fios merecem ser esquecidos. Por
serem muito claros e terem uma textura mais porosa, eles precisam de
cuidados específicos e tratamentos periódicos, que podem ser feitos
tanto em salões de beleza quanto em casa. Especialistas indicam o uso de
xampus sem conservantes químicos e condicionadores livres de petrolato.
As madeixas devem ser hidratadas semanalmente ou a cada 20 dias — neste
caso, de forma mais profunda. “Como os fios brancos são mais ressecados
e têm menos elasticidade e brilho do que os mais jovens, para o dia a
dia sugerimos o uso de protetor solar para cabelo, que evita o aspecto
amarelado”, recomenda o hairstylist.
Quando
a aplicação de tinta é suspensa, algumas opções são apostar nos cortes
para diminuir a impressão de duas cores, utilizar acessórios, como
faixas ou lenços, ou optar pelo tom platinado. Assim, podem ser feitos
procedimentos em que a madeixa escura é transformada em branco perolado,
por meio de tintura específica. Depois que o branco fica homogêneo em
grande parte dos fios, um corte remove a química perolada e deixa o
cabelo todo natural.
O
cabeleireiro Renato Neves explica que, apesar de o cabelo grisalho ser
mais resistente, com um fio mais grosso e aparentemente rebelde, quando
tratado de forma adequada, não resseca ou desenvolve pontas duplas. “Os
cuidados são os mesmos que recomendaríamos para qualquer mudança grande
na cabeleira. Cada tipo de fio exige uma atenção diferente. É necessário
consultar um especialista para entender como cuidar de forma adequada.”
Se
não fosse pelos reflexos para disfarçar a diferença de tonalidade,
Maria de Oliveira, 61 anos, não teria passado de forma tão tranquila
pelo processo de transição para o grisalho. Quando começou a ter os
primeiros fios brancos, aos 50, a aposentada tratou logo de escondê-los.
Com o tempo, a rotina de cuidados foi ficando cada vez mais difícil:
era necessário retocar a raiz a cada 10 dias. Depois de várias
tentativas com novas formas de pentear as madeixas, e até mesmo o uso de
lápis que prometia esconder a raiz, ela optou por assumir a mudança do
visual. “Não foi fácil. Meu cabeleireiro recomendou que eu fizesse os
reflexos para que não ficasse com aquele sinal de desleixo. Acho que foi
isso que ajudou”, conta.
Na
família de Maria, o susto foi grande. “Muitos falam que eu fico
envelhecida e não aceitam. Apesar de não ter tanto apoio, eu me sinto
bem.” Agora, sem pintar o cabelo há seis meses, a aposentada gosta da
imagem que vê e afirma que seu único erro foi ter começado a aplicar as
tinturas há alguns anos. Mãe de três filhos e avó de três netos, a mais
nova grisalha garante que a aceitação é tudo. “Não adianta começar o
processo se não estamos preparadas. É preciso não sofrer com a própria
imagem”, diz.
Com
muito bom humor, a aposentada leva os cabelos brancos como uma
realidade feliz, que precisa ser encarada. Medo de envelhecer? De
maneira alguma. Para Maria, medo seria ficar presa aos padrões de beleza
cobrados quando se é diferente. “Costumo comparar os branquinhos com as
rugas: ou você assume ou fica se modificando o tempo todo. Acho que
isso nos causa tristeza. Precisamos aceitar o envelhecimento e ocupar
nosso tempo com coisas que nos deixam felizes.”
Para um grisalho bonito, exige-se os mesmos cuidados qu uma tinta
exigiria. Uso de bons produtos, aplicação de desamarelador e por aí vai.
Assim, não vejo tanto sentido em deixar de pintar para ter mais
liberdade, a rotina de cuidados e aplicações é a mesma. Se a pessoa não
cuidar, o resultado é justamente aquilo que nenhuma mulher quer: um
visual descuidado sinalizando uma falta de vaidade.
Primeiro:
Sim!
O cabelo (grisalho ou não) exige cuidados para ficar bonito.
Um bom corte, habitual.
Hidratação.
Nutrição.
Reconstrução, vez ou outra.
Coisas que você pode fazer em casa, bons produtos - que não necessariamente são os mais caros; e, se tiver dinheiro sobrando, pode fazer também no salão.
Segundo:
O erro é afirmar que exige o mesmo cuidado que uma tinta exigiria.
Isso não procede.
Por que?
Bem, quando você resolve colocar tinta no seu cabelo, até aquelas que "dizem" que hidrata; você está colocando uma química no seu cabelo, componentes que não fazem parte dele.
Imagina quem faz isso a cada 15 dias ou menos?
Não dá tempo nem de hidratar direito e já tem que colocar mais tinta.
Ora, veja, o cabelo natural (grisalho ou não), não está recebendo química, portanto, não esta sendo agredido; a agressão que ele sofre é do ar, do vento, do sol, uma escova, uma chapinha. Portanto, você consegue mantê-lo hidratado e nutrido mais facilmente, em casa. Uma hidratação/nutrição a cada 15 dias, uma reconstrução por mês...
Já quem pinta o cabelo, principalmente quem pinta a cada 15 dias, além dessa agressão, tem ainda a agressão natural, do ar, vento, sol, escova, chapinha... É obvio que o cabelo vai precisar de cuidados maiores e mais intensos e regulares do que um cabelo virgem de química.
Sem falar que a pessoa gasta uma nota para pintar-"danificar" o cabelo e depois tem que gastar outra nota para "consertar" o que a química danificou (coloca aí química a cada 10-15 dias...).
Já o cabelo natural, você não está danificando com química (não está gastando para maltrata-lo), só precisa gastar para mantê-lo! 😉
Terceiro:
Não!
A rotina de cuidados e aplicações NÃO É a mesma.
Tem pessoas que "precisam" pintar o cabelo a cada 10 dias.
Ora, quem não pinta o cabelo não tem mais essa "preocupação"!
Portanto, não há sequer "aplicações" a serem feitas.
Quarto:
Liberdade!
Precisamos saber o que significa essa palavra tão importante.
Liberdade - 1. Estado de pessoa livre e isenta de restrição externa ou coação física ou moral. 2. Poder de exercer livremente a sua vontade. 3. Independência, autonomia.
Karla Giaretta adotou os fios brancos há três anos Imagem: Arquivo Pessoal
Daniela Carasco
Do UOL, em São Paulo
19/08/2017 04h00
Os cabelos brancos estão na moda. Na TV e no cinema, celebridades como Cássia Kis, Helen Mirren
e Vera Holtz ostentam seus grisalhos com muita personalidade. Fora das
telas, eles também vêm se popularizando: cada vez mais mulheres têm
tirado os seus do armário. E a decisão chega acompanhada de uma sensação
unânime de liberdade.
A designer de ambientes e empresária Karla
Giaretta, 48, decidiu pela transição há três anos. Dona de fios curtos,
tingidos desde os 30 de castanho, ela concluiu que era hora de assumir
sua “natureza genética”. “Tenho cabelo branco desde os 23. Arranquei
muitos fios até começar a pintar. Sempre quis ser mais valorizada pelos
meus atributos intelectuais e não pelos físicos. Ao assumir os brancos,
deixei isso claro”, conta.
A mudança foi radical. Karla raspou a
cabeça e decidiu esperar os novos fios crescerem de maneira natural. A
transformação veio acompanhada de elogios femininos e muitas críticas
masculinas. “Várias mulheres diziam que queriam ter a mesma coragem, já
meus amigos homens me aconselhavam a cobri-los novamente. Antes, eu
gastava no mínimo duas horas no salão. Agora, só lavo com produtos
específicos e deixo secar ao ar livre. É libertador”, diz.
No
senso comum, uma transformação como essa costuma ser relacionada a uma
aparência envelhecida. Karla rebate: “Me deixou com uma feição muito
mais delicada”. Para deixar o rosto mais marcado, recorre à maquiagem.
“Sem falsa modéstia, me acho linda assim.”
Como nascem -- e devem ser tratados -- os fios brancos
O
dermatologista e tricologista Valcinir Bedin, presidente da Sociedade
Brasileira do Cabelo, explica que o branqueamento dos fios acontece à
medida que as células produtoras de melanina morrem. “Nos negros é mais
comum a partir dos 55 anos, entre os amarelos por volta dos 45, e nos
caucasianos brancos depois dos 35”, diz.
Essa morte celular,
segundo o especialista, abre espaço para o aparecimento de bolhas de ar,
que no lugar da melanina deixam o fio mais grosso e poroso. Por isso, é
importante usar xampu, condicionador e creme ricos em ativos
hidratantes -- como aloe vera, pantenol, ceramidas, colágeno, elastina e
óleos vegetais.
Produtos específicos para cabelo grisalho são
ótimos aliados. Eles costumam ter tonalidade arroxeada, que deixa o
branco mais vivo e menos amarelado. “Evite lavá-los todos dias e não use
xampu antirresíduos, que resseca ainda mais”, ensina Valcinir.
Elisa Colepicolo começou a transição para os brancos há três anos Imagem: Arquivo Pessoal
Quer encarar a transição?
A grisalha Elisa Colepicolo, 35, autora do Projeto Gris,
dedicado ao assunto, discorda dos especialistas que sugerem recorrer
aos tonalizantes para encarar a transformação de maneira menos radical.
"É só uma forma de adiar o inevitável", diz ela, que assumiu os brancos
há três anos. "Corre o risco de o cabelo ficar manchado. O ideal é
esperar crescer e contar com a ajuda de acessórios para mantê-los no
lugar"
O processo, segundo ela, não é fácil. No início, a imagem
refletida no espelho lhe rendeu muitas crises. "Mas o resultado depois
de um ano e meio me confortou. É libertador não ter mais o compromisso
de tingir." Hoje, ela celebra os fios mais saudáveis longe da química,
que prejudica a estrutura capilar, e turbina os cuidados com produtos
livres de parabeno, sulfato e silicone. "Sinto que meu fio desintoxicou.
Meus cachos voltaram", comemora.
A seguir, confira uma
seleção de produtos indicados para cabelos brancos:... - Veja mais em
https://estilo.uol.com.br/beleza/noticias/redacao/2017/08/19/revolucao-grisalha-como-tirar-os-cabelos-brancos-do-armario.htm?cmpid=copiaecola
A seguir, confira uma
seleção de produtos indicados para cabelos brancos:... - Veja mais em
https://estilo.uol.com.br/beleza/noticias/redacao/2017/08/19/revolucao-grisalha-como-tirar-os-cabelos-brancos-do-armario.htm?cmpid=copiaecolaA seguir, confira uma
seleção de produtos indicados para cabelos branco... - Veja mais em
https://estilo.uol.com.br/beleza/noticias/redacao/2017/08/19/revolucao-grisalha-como-tirar-os-cabelos-brancos-do-armario.htm?cmpid=copiaecola
ar os cabelos brancos
do armário
Arquivo Pessoal
Karla Giaretta adotou os fios brancos há três anos Imagem: Arquivo
Pessoal
864
Daniela Carasco
Do UOL, em São Paulo
19/08/2017 04h00
Os cabelos brancos estão na moda.... - Veja mais em
https://estilo.uol.com.br/beleza/noticias/redacao/2017/08/19/revolucao-grisalha-como-tirar-os-cabelos-brancos-do-armario.htm?cmpid=copiaecola
ar os cabelos brancos
do armário
Arquivo Pessoal
Karla Giaretta adotou os fios brancos há três anos Imagem: Arquivo
Pessoal
864
Daniela Carasco
Do UOL, em São Paulo
19/08/2017 04h00
Os cabelos brancos estão na moda.... - Veja mais em
https://estilo.uol.com.br/beleza/noticias/redacao/2017/08/19/revolucao-grisalha-como-tirar-os-cabelos-brancos-do-armario.htm?cmpid=copiaecola
Essa questão de pintar os cabelos ou aderir à onda dos cabelos
brancos que está aí é um assunto que falo bastante aqui no 50emais. Para
a maioria das mulheres, torna-se um drama na hora de decidir se vai
continuar pintando as madeixas ou deixar expostos os fios grisalhos. Boa
parte delas acredita que parar de usar tinta vai deixá-las com a
aparência de mais velhas. Encontrei na revista Donna estes depoimentos
de três mulheres que, ao contrário, se orgulham de ter assumido de vez a
cabeça prateada. Elas falam numa”sensação de libertação” e contam como
se sentem poderosas ao exibir seus fios ao natural.
Leia:
Diovar Papich: sempre achei um charme
A empresária aposentada Diovar Papich sempre foi daquelas mulheres
moderninhas, que não têm medo de ousar. “Tenho até um olho castanho e
outro verde”, brinca, sobre não ser nada convencional. Por isso, não
pensou duas vezes quando os fios brancos começaram a dar as caras.
– Sempre achei lindo, um charme! Mas ouvia dos outros que passava uma
imagem de relaxamento – recorda. – Quando assumi meus cabelos naturais,
foi terrível! Criticavam muito, me falavam que, se eu pintasse,
rejuvenesceria.
Mas os pitacos alheios, ainda bem, não influenciaram na decisão de
Diovar. Ela, que sempre detestou retocar a tinta a cada 15 dias, agora
não se vê “nunca mais” repetindo o ritual. De seus 62 anos, uma década
está livre de química – e contando!
– Foi uma libertação – assume. – Sempre fui de fazer o que quis, sempre gostei de ser um pouco rebelde.
E, quando você vê a mulher sorridente e cheia de caras e bocas ao lado, não tem como duvidar, não é?
– Quando olho no espelho, vejo uma pessoa feliz e linda, porque me acho bonita pelo que sou.
Simone Ávila pintava os cabelos desde 16 anos
Quando perguntada sobre por que abandonou o ritual de tintura mensal e
assumiu os cabelos brancos, a jornalista Simone Ávila não titubeia:
– Isso nos liberta dessas obrigações e quebra paradigmas por não
atender aos padrões de beleza. É libertador. Deixa de ser a ausência de
cor para se tornar uma postura de vida de se aceitar como se é.
Aos 47 anos, Simone pintava os cabelos desde os 16. Estava acostumada
à rotina de tonalizantes e tratamentos para hidratar os fios devido à
química, mas a falta de tempo e uma inspiração em especial a fizeram
mudar de ideia. Rodava a timeline do Facebook quando viu a foto de uma
amiga que não via há tempos – e que havia deixado os cabelos brancos
como são.
– Achei lindo! E pensei: “Por que não?” – recorda.
Hoje, diverte-se com as reações.
– Os homens não sabem o que você fez, as mulheres admiram a coragem –
conta. – É importante esse movimento de aceitação e é gostoso ver que
estou colaborando.
Ana Hoffmann: Eu me acho estilosa
Enquanto a maioria das mulheres só começa a perceber aqueles fios
brancos pouco antes de entrar na casa dos 30, Ana Hoffmann encontrou o
primeiro aos 12 anos. Com 15, já estava acostumada a arrancar cada um
que insistia em aparecer em meio às madeixas castanhas.
– Isso me diferenciava, e eu não me sentia confortável – lembra.
Aos 20, tonalizar o cabelo já havia virado rotina na vida da
professora de Moda da Feevale. De brancos, os fios ganharam tons de
roxo, cereja e quase ficaram loiros. Mas Ana por fim desistiu de manter
uma relação amigável com a tintura: decidida, começou seu processo de
transformação. Hoje, aos 37, está feliz da vida com seu cabelo grisalho –
e virou até inspiração para seus alunos, que apareceram na aula com os
fios acinzentados.
– Antes, era um problema. Hoje, me gabo mesmo, me acho estilosa.
Minha adolescência foi muito traumatizada, e foi um longo processo de
aceitação – conta. – Mas não nego que possa voltar a pintar no futuro,
porque enjoo fácil e não sei como será minha relação com os brancos
quando eu tiver 50 anos. Mas tenho certeza de que, independentemente da
escolha, acabaria voltando ao grisalho.
Aos 40 anos, Carol Heinen é naturalmente grisalha
Há quem se surpreenda quando Carol Heinen, 40 anos, comenta que seu grisalho é natural.
– Inclusive amigos, quando eu contei que iria participar deste ensaio – revela a designer.
Carol é daquelas que, como muitas de nós, nunca estiveram plenamente
satisfeitas com o próprio cabelo. Nasceu com os fios loirinhos, mas logo
ficaram acinzentados. Na adolescência, foi adepta do loiro amarelado,
que acabou virando um castanho à base de muita henna. Os muitos pilas
mensais gastos com salão começaram a pesar no orçamento quando ela
voltou a estudar. Então, decidiu: era hora de parar.
– Primeiro foi a questão da grana, e depois também aceitação – diz. –
Tem também isso de voltar à simplicidade. Não uso mais salto alto,
amamentei e meus peitos não são mais os mesmos. Mas sou como sou. Dou a
cara para bater, não quero ficar maquiando.
Embora esteja feliz com seus fios grisalhos e curtos – aprovados pela
filha Ana Clara, 17 anos -, a dúvida bate às vezes sobre voltar ou não a
pintar os fios.
– Às vezes, me questiono se não é cedo, ou se vale a pena mesmo –
reflete. – Mas aí penso que sou mais que o meu corpo ou o meu cabelo –
afirma.
Fernanda Davoglio: Envelhece um pouco, mas encaro numa boa
Foi às vésperas de seu aniversário de 47 anos que Fernanda Davoglio
decidiu: iria parar de pintar os cabelos. A mecha branca na franja, sua
marca registrada, ganhou mais destaque no salão – mas aquela seria a
última vez em que a fotógrafa se renderia às tinturas. Pelo menos até o
momento. Enquanto a cor das últimas químicas saía a cada lavagem, optou
por um visual mais curtinho – covencendo inclusive o marido, que
preferia até então a antiga versão.
– Ele achou que eu poderia não ficar bonita, mas depois gostou – conta Fernanda.
Acostumou-se a receber elogios por conta do cabelo, bem como é. Mas algumas reações a surpreendem:
– Existe preconceito, sim. Em homem acham charmoso o grisalho, mas,
para as mulheres, não. Mas hoje vejo cada vez mais mulheres aderindo
aqui no Brasil.
O fim do ritual mensal de horas a fio sentada na cadeira do salão
funcionou como uma libertação para Fernanda, que “detesta pintar”. Hoje,
quanto menos produtos precisar, melhor. Praticidade virou lema.
– Envelhece um pouco, mas acho que a gente tem que envelhecer, então
encaro numa boa. Nunca me importei com isso de “Vou fazer 40, vou fazer
50”. Não faz a mínima diferença para mim. Eu me achava bonita antes,
agora e sempre me achei.
(Fevereiro) A diretora da 'Vogue' britânica Sarah Harris - GETTY IMAGES/AFP
AFP
Os cabelos brancos estão na moda e cada vez mais mulheres
optam por deixar de pintar as madeixas para assumir uma cabeleira
prateada, livrando-se da escravidão das convenções estéticas baseadas no
culto à eterna juventude.
Escritora e jornalista especializada em moda, Sophie Fontanel decidiu
há dois anos dar adeus à tintura e deixar seu cabelo ficar naturalmente
branco.
Uma experiência que compartilhou durante todas as etapas com 119.000
seguidores no Instagram e que relata no livro “Une apparition”, que será
lançado em Paris na próxima semana.
A tendência de assumir o cabelo branco chegou à Europa vinda dos
Estados Unidos e se popularizou há alguns anos: mulheres de 30, 40, ou
mais anos, expressaram em sites como “Revolution Gray” (Revolução
Grisalha) o fato de estarem fartas de se submeter a pinturas regulares e
sofrer com os produtos químicos.
Para Sophie Fontanel, que frequenta a Semana da Moda, trata-se, antes
de mais nada, de uma questão estética. Ela reivindica o lado militante
de sua opção e, por isso, resolveu converter a própria experiência em
algo interativo, ao postar regularmente fotos dos vários estágios de
crescimento de seus cabelos brancos.
– Fim dos preconceitos –
“Ao constatar minhas próprias reticências em deixar o cabelo branco,
me questionei sobre o que isso queria dizer. E disse a mim mesma que
seria interessante compartilhar essa reflexão com outras pessoas, para
ver a reação delas”, explica.
“Sabia que geraria interesse, mas não a tal ponto! Recebo uma grande
quantidade de mensagens em privado que me dizem: ‘olha, também fiz
isso’. E me dou conta de que inspirei muitas outras mulheres”, comemora.
“Precisei de certa audácia”, confessa.
“Acho que as mulheres, por causa dos convencionalismos, evitam testar formas diferentes de beleza”, reflete Sophie.
A jornalista, que trabalhou por 15 anos para a revista Elle e hoje
tem uma coluna sobre moda na revista L’Obs, quis acabar com todos os
preconceitos sobre o cabelo branco: que são muito grossos, que é preciso
manter sempre curtos, que os homens não gostam…
Na moda, alguns nomes abriram caminho. A americana Kristen McMenamy,
modelo dos anos 1990 conhecida por seu estilo andrógino, resolveu
assumir os cabelos grisalhos aos 40 anos. Também frequentadora assídua
de Semanas da Moda, a jornalista da edição britânica da Vogue Sarah
Harris igualmente exibe uma longa cabeleira prateada.
– Uma opção a mais –
O grisalho também conquistou estrelas como Lady Gaga e Rihanna, que pintaram seus cabelos com esse tom.
Os cabeleireiros aproveitam a tendência e propõem soluções para
acompanhar o período de transição e atenuar o efeito bicolor, explica o
diretor artístico da cadeia de salões Maniatis, André Delahaigue.
As vendas de produtos para evitar que o cabelo branco fique amarelado
estão aumentando: +28,48% para Franck Provost desde 2016 e +17,85% para
Jean Louis David.
“Para as mulheres, os cabelos brancos sempre foram malvistos do ponto
de vista estético, já que eram exclusivamente associados à decadência
física”, comenta o sociólogo Frédéric Godart.
“Junto com o prolongamento da expectativa de vida e com a afirmação
progressiva das mulheres em todas as profissões e nos meios de
comunicação, as coisas mudaram: um sinal de envelhecimento se converte
em uma opção estética como outra qualquer”, completa Godart.
Mesmo assim, os cabelos brancos das mulheres ainda não são
valorizados como no caso dos homens, “percebidos de maneira positiva,
por exemplo, como um sinal de sabedoria”, ressalta o sociólogo.
E a pressão social continua sendo muito forte: a escritora Tatiana de
Rosnay contou à Paris Match, em 2016, que foi vítima de deboches quando
deixou de pintar o cabelo.
“Não tenho medo de envelhecer e mostrar isso”, declarou a cantora Lio, por suavez, à revista L’Obs
Cada vez mais mulheres, e mais novas, estão a assumir os cabelos brancos. Saiba porquê.
Cada vez mais mulheres, e mais novas, estão
a assumir os cabelos brancos. Porque gostam da cor e porque é
libertador. E aquele preconceito que os associa a charme nos homens e a
velhice nas mulheres já não convence. Não acredita? Então conheça
estas mulheres dos 30 aos 70 anos.
Tenho 42 anos e uma decisão importante para tomar: pinto ou
não pinto o cabelo? Já o fiz, há uns anos, quando me fartei do meu
natural castanho-claro e me senti tentada a usar outras cores. Já os
tive pretos luzidios, acobreados e até ruivos. Depois larguei a tinta e
dei-me bem com a opção. Há mais de um ano que não ponho nada e nem
pensaria pôr se não fossem os cabelos brancos que começam timidamente a
povoar o meu território capilar. Tenho um modo rápido e eficaz de dar
cabo deles: arranco-os, porque ainda é só um aqui, outro acolá. Mas
quando forem 50, 100, 500, não mais poderei arrancar o mal pela raiz.
Que fazer? Voltar a ir uma vez por mês ao cabeleireiro e deixar lá uma
pipa de massa? Podia comprar a tinta no supermercado e aplicar em casa,
mas o resultado seria o mesmo? Deixá-los brancos é uma hipótese a
considerar, mas tenho receio de parecer mais velha. Consumida por este
dilema, comecei a reparar que à minha volta, na rua, no metro, nos
cafés, nas fotos do Facebook e no local de trabalho não faltam mulheres
bonitas, com pinta e até mais novas do que eu, sem problemas em
assumi-los. Será que também elas deram voltas e mais voltas à cabeça
antes de os deixarem instalar-se? Nada melhor do que perguntar a quem de
direito, a mulheres de cabelo branco entre os 36 e os 74 anos.
A primeira chutou-me logo para canto, como quem grita «mas
que raio de pergunta é essa?». No entanto, o sentido de cooperação com
uma colega de profissão puxaram uma resposta mais suave, mas igualmente
desconcertante: «Porque é que havia de pintá-lo?», questionou-me Diana
Andringa, jornalista reformada, antiga presidente da direção do
Sindicato de Jornalistas e investigadora do Centro de Estudos Sociais da
Universidade de Coimbra (CES). «De facto, porquê?», pensei. Quando se
«poupa tempo e dinheiro» em tintas e cabeleireiro, além de «se ser como
se é», haverá razão para disfarçar o que a natureza nos impõe? Diana
reforça a sua posição contrapondo com outra pergunta: «E há algum aspeto
positivo em pintá-lo?»
Os primeiros brancos apareceram-lhe por volta dos 15 anos e
já eram bem visíveis aos 24. No início, «quando eram maioritariamente
castanhos, usava hena». Deixou de aplicar o produto quando os brancos
eram mais do que os castanhos e o efeito da hena se perdeu, dando ao
cabelo um tom laranja. Uma vez, ainda cedeu à sugestão da amiga e
cabeleireira Odete Cordeiro, que a convenceu a experimentar outro
produto. Diana usou-o e não gostou, por isso decidiu deixá-los como são,
brancos. Desde que os assumiu, nada a demoveu. Nem quando lhe deram um
bilhete de terceira idade num museu, antes de ter direito a ele. E nem o
facto de ter trabalhado tantos anos na televisão, onde a pressão sobre
as mulheres para manterem a eterna juventude é mais acentuada do que
nos homens, a convenceu. Na verdade, Diana foi sempre indiferente à
estranheza que algumas pessoas da RTP manifestaram quando resolveu
adotar os cabelos brancos. E não estava sozinha nesta «luta» pessoal:
como ela, outras profissionais do meio televisivo não tinham
constrangimentos em exibir um belo cabelo alvo: «A Maria João Seixas
apresentava um programa e também o tinha branco.» Mas essa assunção era
tão rara nas mulheres que «algumas até foram entrevistadas num programa
apresentado, salvo erro, pela Clara Ferreira Alves».
Em termos de cuidados, a investigadora não faz mais do que
lavá-los quase todos os dias e usar, de vez em quando, um champô
adequado para cabelos brancos. O corte curto que já é a sua imagem de
marca há vários anos é «muito prático», mas a verdade é que também lhe
dá um visual moderno e isso, na opinião dos especialistas em cabelos,
faz toda a diferença.
Há 35 anos a pentear e a tratar cabelos de mulheres e
homens, com passagem pelo chamado Triângulo da Moda norte-americana –
Nova Iorque, São Francisco e Miami –, o cabeleireiro Ulisses acha que
«o cabelo branco nas mulheres tem um grande impacte, mas, sem o devido
tratamento, o impacte pode ser negativo. Depende do corte e da atitude
que a pessoa adota». Para Ulisses, o corte deve ser contemporâneo e
adequado a cada rosto, para não acrescentar anos de vida às mulheres.
Os cabelos grisalhos da advogada e formadora Ana Machado
Dias, 45 anos, do Porto, são a prova da eficácia dos conselhos de
Ulisses. «Faço cortes modernos e tratamentos com bons produtos para que
não fiquem amarelos.» Esse é outro cuidado que os cabelos brancos
exigem. No mercado não faltam champôs e cremes para «cortar o aspeto
oxidado, amarelado», explica o cabeleireiro.
Dona de um farto grisalho pelos ombros, Ana não pode estar
mais orgulhosa da sua imagem. «Gosto muito e não me imagino de outra
forma.» Não se imagina agora. Quando era estudante universitária,
deixou-se levar pela moda da hena «para ficar com um tom acobreado».
Mais tarde, voltou a ceder: «Fui aconselhada por uma aluna a fazer
madeixas loiras. Fiz e fiquei péssima. As madeixas não tinham nada que
ver comigo.» Nunca mais pensou pintar. Pressões, esta advogada e mãe de
três filhos só voltou a senti-las em casa, da parte do filho mais novo,
de 8 anos: «Diz que pareço uma velhinha e sugere que vá com ele ao
cabeleireiro para o pintar.»
Será para fintar o aspeto envelhecido precoce que tantas
mulheres pintam o cabelo assim que os brancos querem reinar? Ana não
arrisca uma resposta, mas faz notar que é a única do seu círculo de
amigas mais próximas a usar o cabelho grisalho. À falta de estatísticas
que fundamentem teorias, recorro à experiência de mais de trinta anos do
cabeleireiro Paulo Vieira: «Há cada vez mais mulheres, e mais jovens, a
assumir os cabelos brancos, mas a maioria pinta.Das minhas clientes,
só vinte por cento têm o cabelo no tom natural e algumas acho que não
vão aguentar, porque a pressão nas mulheres continua a ser enorme. Quase
é proibido envelhecer. Não se pode ter rugas, celulite, cabelos brancos
ou raízes brancas, o que é preocupante. Há muita pressão.» Em todo o
caso, Paulo Vieira concorda que há brancos e brancos e nem em toda a
gente ficam bem. Os de Ana costumam atrair a atenção de outras
mulheres, que não se cansam de lhe gabar os cabelos grisalhos.
O mesmo espanto nos outros provoca o cabelo da empregada
de escritório Lúcia Carulo. Aos 60 anos, esta alentejana de Beja costuma
ser confrontada com a dúvida, que muitas vezes roça a desconfiança, de
amigos, vizinhos e de desconhecidos. «Muitas pessoas perguntam-me qual é
a cor que uso e quando digo que não uso nada as pessoas não
acreditam.» E até os entendidos em cabelos às vezes se iludem: «Uma
vez, uma cabeleireira disse-me que pensou que o meu cabelo era pintado.
Ficou admirada, porque nunca tinha visto uma cor natural como a minha.»
Outras pessoas, menos incrédulas, abordam-na na rua só para lhe dizerem
que «se tivessem o cabelo tão bonito também deixariam de
pintar». Embora não sejam os elogios que a fazem manter o branco, Lúcia
admite que é agradável recebê-los, porque só reforçam a decisão que
tomou há dez anos: «Numa das idas ao salão para cobrir as raízes,
reparei que estavam mais brancas do que o habitual e achei que o
branco era muito bonito.» Dessa vez e nas vezes seguintes, em vez de
fazer madeixas, passou a cortar apenas as pontas.
As razões por que estas mulheres assumem os cabelos brancos
são meramente estéticas, mas todas reconhecem que a maior vantagem em
não pintar é a sensação de liberdade. Ir ao cabeleireiro duas vezes por
mês para cobrir as raízes não é rotina que as aprisiona. Se tivesse de o
fazer, a designer de interiores Maria de Carvalho, de 36 anos, não se
sentiria tão feliz. Para ela, que não tem paciência para andar sempre em
salões, cabelos brancos é liberdade sim e é por esse motivo que nunca
tentou escondê-los. Por essa razão e por gostar do que vê quando se olha
ao espelho: «Como tenho a pele morena, o branco dos cabelos faz um
contraste invulgar que me agrada. Uso-o assim porque gosto da cor, não é
para agradar ninguém.» As reações negativas dos outros nunca a
influenciaram, muito menos num dos dias mais importantes da sua vida:
«Quando casei já tinha o cabelo branco e isso parecia estranho numa
noiva jovem, mas não liguei porque, mais do que em qualquer outro dia,
no dia do meu casamento eu queria sentir-me bem, queria ser eu.»
Manter a cor natural do cabelo é uma questão de identidade
para as mulheres que enjeitam as tintas mas, por ser ainda pouco
frequente nas mulheres jovens, há quem não resista a interpelá-las.
Conta Maria: «Uma vez, uma funcionária de uma loja disse-me a medo:
“Senhora, desculpe-me a intromissão, queria só dizer-lhe que acho o seu
cabelo lindo.” Outra senhora, com uns 50 anos, virou-se para mim num
supermercado: “Nós somos mesmo giras, ficamos bem com o cabelo assim e
não somos como as outras que não assumem os cabelos que têm”.» E há
pessoas que nada dizem por palavras mas dizem tudo pelo olhar e pela
expressão do rosto: «Olham para mim indignadas, como se dissessem
“Credo, como é capaz? Como se atreve?”.»
Quando se coloca o próprio bem-estar acima de todos os
comentários, a opinião dos outros pouco ou nada importa. É assim que se
posiciona na vida a arquiteta paisagista Alcide Gonçalves, que diz
obedecer a um critério que é quase um decreto: «Sentir-me bem comigo.»
Sentir-se bem é não ter que se sujeitar à obrigatoriedade de uma
manutenção frequente.«Desde sempre me desagradou a ideia de ter de ir
ao cabeleireiro uma vez por mês. Implica certos custos e não tenho
paciência. E também acho inestético um cabelo pintado desbotado ou com
as raízes à mostra.»
Faz-lhe tanta impressão o aspeto artificial das tintas que
não hesitou em parar de vez com as nuances, ainda que estas fossem da
cor-base do seu cabelo, castanho-claro: «Quando as nuances começaram a
ganhar mais espaço do que deviam, não gostei. Parecia que tinha o
cabelo pintado sem ter.» Isto, há seis anos. Desde então, assumiu os
matizes naturais que lhe começaram a despontar aos 27 anos e hoje, aos
45, nem quer ouvir falar de outras possibilidades. «É muito estranho
imaginar-me com uma cor que não seja a minha. É estranho ao ponto de ter
reagido mal quando, no meu cabeleireiro, me sugeriram pintá-lo de
louro.»
Quem também exibe com orgulho os seus cabelos brancos é a
ex-jornalista e tradutora de inglês Maria João Aguiar. Mas nem sempre
foi assim. Os primeiros brancos surgiram-lhe depois dos 40 e, durante
bastante tempo, tentou prolongar o castanho total disfarçando a nova cor
com rinçages colorantes. À medida que o branco se tornava predominante,
Maria João preparou a transição para o natural. E se hoje, aos 74
anos, tem um cabelo de fazer «inveja a algumas contemporâneas que não
têm a coragem de dar o mesmo passo», lembra que nem sempre foi fácil
deixá-lo branquear: «Tive uns meses exasperantes, em que o cabelo
parecia mal cuidado. Entristecia-me bastante. Até passei a ir mais vezes
ao cabeleireiro para ter um aspeto menos desleixado. Esse período foi
tão difícil que não tenho coragem de o confessar às minhas amigas para
não as desmotivar. Elas dizem que se conseguissem ficar com o cabelo
assim numa semana fariam o mesmo.»
Maria João também quis evitar falar-lhes da tendência para
ficarem amarelos. «Este é o único problema. Existem champôs que cortam
essa tonalidade, mas no verão, com o sol, é impossível o amarelo não dar
o ar da sua (des)graça.»
Os aspetos mais positivos de se assumir os cabelos brancos podem ser
diferentes para cada uma das mulheres, mas há um que é comum a todas
elas – conviver bem com a inevitabilidade do envelhecimento,
independentemente da idade que têm e da idade que aparentam. No caso de
Maria João, a aceitação está também alicerçada num marido que aceitou a
ideia tão naturalmente quanto ela: «Acho que devo ao meu marido o ter
feito a transição de uma forma tão tranquila. Ele também está todo
branquinho, barba e tudo.»
Foi também sem sobressaltos que Ana Câncio, reformada da
banca, deixou de fazer madeixas para uniformizar o tom grisalho que
começou a evidenciar-se quando tinha 30 anos. «Aceito bem as minhas
“menos -valias” físicas, convivo bem com o que sou, e os cabelos
brancos fazem parte.» Assumir o cabelo grisalho na idade em que o fez,
aos 40, pressupunha aceitar a ideia de um envelhecimento precoce, mas
também uma outra,«a de que somos todos diferentes e o meu cabelo
grisalho podia ser uma diferença positiva». Tão positiva que não
concebe «mudar de castanho caju para ameixa qualquer coisa e daí para
louro californiano». Mais: agora que os cabelos brancos se adequam mais à
idade que tem, 56, Ana acha que se sentiria «ridícula» e a trair as
suas convicções se o pintasse.
Com estes argumentos, quase me sinto tentada a dizer que
tenho o dilema resolvido, não fosse aquele paradigma chato e injusto
que associa os cabelos grisalhos num homem a sedução e charme, e numa
mulher a velhice ou desleixo. Mas talvez Ana tenha razão quando diz que o
paradigma está a mudar, não sendo tão marcado como há vinte ou trinta
anos. «Eles hoje já pintam os cabelos brancos e elas começam, cada vez
mais, a ter a coragem de os assumir. De resto, aquilo que pensam de nós é
muitas vezes só o espelho da nossa autoimagem, não é?»
Carla Amaro
Fotografia:
Gerardo Santos/Global Imagens Produção: Fernanda Brito Maquilhagem:
Marta Cruz e Fernanda Brito com produtos Clarins. Cabelos por Beto para
Secret Look.