Libertação de São Pedro pelo Anjo
1. O que é a consagração ao Santo Anjo da Guarda?
A idéia de consagração já se encontra no Antigo Testamento, quando Deus escolheu para Si o povo de Israel para concluir com ele uma aliança. Deus o "consagrou" para ser Sua propriedade, separando-o dos outros povos e colocando-o a Seu serviço (cf. Ex 19,6).
No entanto, é só com Nosso Senhor Jesus Cristo que se pode falar de "consagração" no sentido próprio da palavra. Pois é Ele "Aquele que o Pai consagrou e enviou ao mundo" (Jo 10, 36).
A consagração original e principal, fonte de toda a consagração, é a da natureza humana de Cristo. Ele é o "Santo de Deus" (Jo 6,69), porque Sua humanidade é totalmente consagrada pela Sua divindade. Foi na Cruz que Cristo estendeu Sua consagração a nós: "Eu me consagro por eles para que também eles sejam consagrados" (Jo 17, 19):
"Com efeito, Cristo, Filho de Deus, que é proclamado << o único Santo >>, com o Pai e o Espírito, amou a Igreja como a Sua esposa, entregou-Se por ela para santificá-la, uniu-a a Si como Seu Corpo e cumulou-a com o dom do Espírito Santo para glória de Deus." (Lumen Gentium, n.39)
A Igreja é o lugar onde acontece a nossa consagração, cuja primeira e fundamental é a do sacramento do Batismo, pela qual participamos da consagração de Cristo que é aperfeiçoado pelo sacramento da Crisma. A essa consagração, que nos une a Cristo, deve corresponder uma entrega de toda a nossa vida a Deus, pois os "santificados em Jesus Cristo" são "chamados a ser santos" (1 Cor 1, 2).
Nossa consagração não é somente um dom, mas também uma tarefa. Aí há diferentes caminhos de aprofundá-la.
Aqueles que são chamados para a vida consagrada aprofundam-na pela profissão dos conselhos evangélicos, na qual consagram toda a sua existência a Deus.
Mas também os leigos são convidados a viver mais plenamente a sua consagração batismal. Um caminho privilegiado para isto constitui uma "consagração" pela qual, à semelhança da consagração religiosa, a pessoa entrega a si mesma a Deus. A consagração ao Sagrado Coração de Jesus é o exemplo clássico a este respeito.
Dentre estas "consagrações" (de devoção) há também aquelas que não se dirigem exclusivamente a Deus, mas a Nossa Senhora, aos Anjos e aos Santos. No entanto, elas têm seu fim último igualmente em Deus.
Como disse São Luis de Montfort a respeito da consagração mariana: "Quanto mais uma alma for consagrada a Maria, tanto mais será a Jesus Cristo". (Tratado da Verdadeira Devoção a Maria, 120)
Coisa semelhante se pode dizer a respeito da consagração ao Anjo da Guarda. Quanto mais uma pessoa for consagrada ao seu Anjo, tanto mais este poderá ajudá-la a amar e a servir a Deus e ao próximo e, desta forma, ela será mais plenamente consagrada a Deus.