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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

QUARTA-FEIRA DE CINZAS: DIA DE JEJUM E ABSTINÊNCIA

 

A Quarta-feira de Cinzas é o dia em que a Igreja Católica dá início a Quaresma, porém, não é Dia Santo (Guarda ou Preceito); sendo bom o católico participar da Missa e receber as Cinzas, porém, não sendo obrigatório.

Para saber mais sobre esse assunto clique em:




Fonte: Foto Catecismo Brasil e Código de Direito Canônico 

São José, rogai por nós!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

DIAS E TEMPOS PENITENCIAIS



OS DIAS E TEMPOS PENITENCIAIS, EM TODA A IGREJA, SÃO TODAS AS SEXTAS-FEIRAS DO ANO E O TEMPO DA QUARESMA.
 (CÂN 1250)


Fonte: Código de Direito Canônico

Nossa Senhora de Lourdes, rogai por nós!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Elas não têm medo dos cabelos brancos (IV)!

 
Assumir os cabelos brancos expõe o corpo tal como é, encarando o que nos está a acontecer a todos: envelhecer. Falámos com mulheres que tomaram essa decisão e não querem voltar atrás. 

Nos últimos anos afirmou-se várias vezes que o cinzento é o novo preto. Os mais de 50 tons de cinzento estão na moda não só na roupa, mas também no cabelo. Rihanna, Cara Delevingne ou Lady Gaga adotaram a certa altura os cabelos brancos. Pela internet, a hashtag #grannyhair revela milhares de mulheres jovens que descoloraram ou pintaram o cabelos de branco, sem que isso tenha feito delas avozinhas.

É um paradoxo fácil de perceber que os únicos cabelos brancos que não estão na moda sejam os naturais, aqueles que aparecem com a idade (ou não), os que não se escolhem como e onde devem aparecer: o ideal é a juventude e, em alguns casos, o cabelo é o primeiro a lembrar-nos que o tempo continua a correr, o futuro e a velhice são inevitáveis. “E então?”, perguntam as quatro mulheres que se seguem, entre os 45 e os 64 anos. Todas elas assumem os seus cabelos brancos de olhos fixos no inegável cronómetro e desafiadores para a sociedade. Não são invisíveis, como diz o mito das mulheres de cabelos grisalhos; pelo contrário, toda a gente repara nelas.

Mantêm o cabelo assim porque é bonito, porque não têm tempo ou dinheiro para a manutenção de um cabelo bem pintado, porque querem levantar o queixo e dizer que estão presentes como são, sem pedirem desculpas. Para todas foi uma escolha que lhes libertou a cabeça de quaisquer pressões e que nos permitiu falar do que é estético, político e da velhice.

 
Kimberley Pearl, 64 anos, bailarina e atriz na Companhia Maior

Sempre gostou dos seus cabelos brancos?

Primeiro fiquei um bocado chateada quando começaram a aparecer — um não importa, mas depois começam a chegar muitos, muitos. Tinha colegas que diziam “com a tua idade não devias ter o cabelo assim, és tão jovem de espírito, devias ter o cabelo pintado”. Então pus henna. Já tinha pintado por causa de várias peças em que dançava, por exemplo — tive de ser cigana e pintei o cabelo com seis cores escuras diferentes para ficar escuro mas com reflexos. Durou seis ou oito meses e ficou de todas as cores até sair — gostei imenso, mudei o guarda-fato todo por causa das cores do cabelo. Fiz montes de coisas com o meu cabelo, cortei, deixei crescer, uma vez estava a pôr henna em casa e deixei demasiado tempo porque estava a falar com uma pessoa. Fiquei com uma coroa de laranja, não conseguia tirar. Decidi pedir [ajuda] a uma cabeleireira, fiquei lá quase o dia inteiro. Ela coloriu o cabelo todo e depois fez madeixas e no fim daquele tempo todo — estava marcado para as nove da manhã, fiquei até às cinco da tarde, e odiava estar lá dentro — vi uma senhora chegar com um cabelo natural, preto e branco, sal e pimenta, tão lindo aquele cabelo, e disse: “nunca mais”.

Kimberley nasceu no Alabama e isso ainda se nota na sua pronúncia. Quando chegou à Europa, aos 21 anos, já se tinha formado como bailarina em Boston e ficou em Portugal porque “estava bom tempo”. Também porque entrou logo para a Companhia de Bailado Verde-Gaio, que mais tarde deu origem à Companhia Nacional de Bailado, de que também fez parte. À saída de uma aula de dança com vista para o Tejo diz que ainda gostava de voltar a fazer trabalhos de modelo, como o que fez em março de 2016 para Filipe Faísca na ModaLisboa. Era uma coleção que o designer dizia ser “sem idade” e foi Kim, de cabelo branco armado num rabo de cavalo despenteado que deu o tom ao abrir o desfile. “Curiosamente nunca fui modelo de cabelos”, diz, enquanto arranja uma justificação — “o meu cabelo é muito forte e eles têm medo”.

Decidiu assim, de um momento para o outro?

Assim. Eu vi que isto é natural, isto é que é bonito. Por mais que uma pessoa faça madeixas e por mais que tente fazer coisas para realçar, a cor é sempre a mesma, sempre o mesmo tom. E a cor natural tem montes de cores, ninguém tem só uma. Para fazer como deve ser tinha de ir ao cabeleireiro e eu não gosto de estar sentada no cabeleireiro. A manutenção é chata: uma pessoa olha para o espelho e está lindíssimo, mas depois vêm as raízes e é feio, tem de estar sempre a contar as semanas, é um frete. E aquele dia foi mesmo desastroso para mim, estar ali tantas horas. Quando vi aquela senhora vi que nunca mais ia pintar o meu cabelo.


Que idade tinha?

Tinha uns 57. Comecei a ter os primeiros cabelos brancos aos 50 e poucos, aos 54 já estava a experimentar coisas, como a henna e assim — tentei sempre coisas naturais, mas quando fui dessa vez ao cabeleireiro foi com os produtos deles. Depois demorou assim uns quatro ou cinco anos para crescer e depois cortei. Eu adoro o cabelo branco, sempre tive uma pancada com cabelo branco, até tive uma Barbie com cabelo branco, loiro platinado.

Sendo assim, porque é que demorou a abraçar os cabelos brancos?

O meu pai aos 65 já tinha o cabelo todo branquinho e eu pensava “ótimo, também vou ter assim”. Só que eu não me lembrava que o meu pai começou por ter só alguns cabelos brancos de lado, mas nos homens fica giro, nas mulheres vem alguém e diz “ah! isso não fica giro”. Além disso, pensei: se trato do cabelo distraio das rugas, mas não há nada a fazer, as rugas são o pior, não há nada que uma pessoa possa fazer. Mas demora muito tempo a tirar tudo. O mais difícil é não tocar, estar meio colorido e meio com as raízes. Essa parte foi dolorosa. Mas nós fazíamos tantos penteados na dança — eu ainda estava ativa — que não fazia mal, escondiam-se.

"A manutenção [de pintar o cabelo] é chata: uma pessoa olha para o espelho e está lindíssimo, mas depois vêm as raízes e é feio, tem de estar sempre a contar as semanas, é um frete."

Kimberley Pearl 
Teve uma carreira em que se é muito atento ao aspeto físico. Como é que foi estar a trabalhar nesse momento da transição?

Somos muito atentos à estética. Eu era muito desleixada com as raízes, não tinha o hábito de estar sempre a pintar durante o tempo em que andava em experimentações. Ou então cortava para disfarçar. Tinha duas ou três colegas que não gostavam muito disso, mas eu entendo: eu estava com eles todos os dias e não gostavam de ver-me envelhecer. Uma vez o meu filho disse-me “que triste, mãe, eu conheci-te assim com o cabelo escuro, agora tens o cabelo branco”. E eu disse-lhe “mas todos nós estamos a envelhecer”. Quando nos vemos todos os dias é diferente. Entretanto separei-me da Companhia, fui para Grândola dois anos e foi uma coisa estranha também.

Vai mantê-lo assim, branco?

Queria que fosse todo branquinho como o do meu pai. E ainda não está, chateia-me que não esteja, uma pessoa nunca está satisfeita com aquilo que tem. A pessoa com a idade começa a perceber o que gostava de ter, mas também percebe que não tem ainda e tem paciência para esperar. Em jovem não tem, pinta logo, ou então faz madeixas. Mas [no manter ou não manter entra] sempre a questão da manutenção. Não tenho dinheiro para isso, é muito difícil ficar sempre com o cabelo bonito sem uma manutenção pelo menos mensal. Nos Estados Unidos nunca tive esse hábito de ir ao cabeleireiro, isso é mais europeu. As pessoas gostam de estar bem, de se sentirem bem consigo próprias. E às vezes quando uma pessoa já não trabalha, as crianças já cresceram e não existe uma ocupação, olha para si e a única coisa que resta é ir ao cabeleireiro tratar do cabelo, das unhas, arranjar-se e ir jantar fora. E vejo que há mulheres que têm o cabelo natural porque não têm dinheiro para o ter pintado. Se houvesse alguém que lhes dissesse “ficas bem assim”, que lhe fizesse um elogio, talvez já se preocupassem mais com a saúde e a cabeça e não tanto com o cabelo branco.

"Vejo que há mulheres que têm o cabelo natural porque não têm dinheiro para o ter pintado. Se houvesse alguém que lhes dissesse 'ficas bem assim', que lhe fizesse um elogio, talvez já se preocupassem mais com a saúde e a cabeça e não tanto com o cabelo branco."

Kimberley Pearl 
Viu o cabelo como um sinal de que estava a envelhecer?

Não. O corpo também está sempre contra nós, no geral. Já não consigo levantar a perna — penso que ela está aqui [aponta para a altura da sua orelha], olho ao espelho e está aqui [aponta para a altura do ombro]. Doem-me as costas, não tenho musculatura. Pesa um bocadinho ver pessoas com 18 e 19 anos que conseguem fazer isso. Mas por outro lado ganham-se outras coisas. Ganho a capacidade de pôr um estilo que eu não tinha com 21 anos como tinha com 40. E mesmo agora, faço muito mais braços e consigo mexer-me muito mais com estabilidade do que quando tinha 23 anos. Para nós mulheres há sempre alguma coisa que não está bem. Com o cabelo, por exemplo, eu percebi que não podia andar a brincar e experimentar — cortava e crescia como um arbusto, fazia permanente, parecia uma leoa. Não somos iguais aos outros, temos de aceitar aquilo que temos e trabalhar com isso.

Fonte: Observador

Maria Santíssima, rogai por nós!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

RESPOSTA: Meu horário de trabalho me impede de fazer a catequse, o que fazer?

Salve Maria!!

Não sou batizado e infelizmente meu horário de trabalho me impede de fazer a catequese na paroquia. Há possibilidade de fazer a catequese de outra forma?

 O Código de Direito Canônico (CDC) diz:

Cân 851. A celebração do batismo deve ser devidamente preparada; assim:
Parágrafo 1. o adulto que pretende receber o batismo seja admitido ao catecumenato e, enquanto possível, percorra os vários graus até a iniciação sacramental, de acordo com o ritual de iniciação, adaptado pela Conferência dos Bispos, e segundo normas especiais dadas por ela.

E, ainda:

Cân 865. Parágrafo 1. Para que o adulto possa ser batizado, requer-se que tenha manifestado a vontade de receber o batismo, que esteja suficientemente instruído sobre as verdades da fé e as obrigações cristãs e que tenha sido provado, por meio do catecumenato, na vida cristã; seja também admoestado para que se arrependa de seus pecados.

Bem, não são todas as paróquias em que há o neocatecumenato; mas, em todas há a Catequese de Adultos.

Normalmente, percebo que essas catequeses ocorrem aos finais de semana - sábado e/ou domingo -, no entanto, há paróquias onde elas ocorrem durante a semana, no período noturno.

Vislumbro duas possíveis soluções:

1) Se tiver mais de uma paróquia na sua cidade ou uma paróquia com capelas, você pode ver se em algumas delas a catequese ocorre em horário compatível com o seu;

2) Conversar com o Pároco da sua Paróquia e relatar a situação. Ele poderá indicar uma pessoa, se ele mesmo não puder, para lhe acompanhar, lhe orientar, para que você conheça a Igreja e possa ser recebido nela através do Sacramento do Batismo (já vi isso acontecer)

Fonte: Codigo de Direito Canônico

Que Nossa Senhora interceda por você, juntamente com toda a corte celeste, seu Anjo da Guarda e o Anjo da Guarda do seu Pároco.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Elas não têm medo dos cabelos brancos (III)!

 
Assumir os cabelos brancos expõe o corpo tal como é, encarando o que nos está a acontecer a todos: envelhecer. Falámos com mulheres que tomaram essa decisão e não querem voltar atrás. 

Nos últimos anos afirmou-se várias vezes que o cinzento é o novo preto. Os mais de 50 tons de cinzento estão na moda não só na roupa, mas também no cabelo. Rihanna, Cara Delevingne ou Lady Gaga adotaram a certa altura os cabelos brancos. Pela internet, a hashtag #grannyhair revela milhares de mulheres jovens que descoloraram ou pintaram o cabelos de branco, sem que isso tenha feito delas avozinhas.

É um paradoxo fácil de perceber que os únicos cabelos brancos que não estão na moda sejam os naturais, aqueles que aparecem com a idade (ou não), os que não se escolhem como e onde devem aparecer: o ideal é a juventude e, em alguns casos, o cabelo é o primeiro a lembrar-nos que o tempo continua a correr, o futuro e a velhice são inevitáveis. “E então?”, perguntam as quatro mulheres que se seguem, entre os 45 e os 64 anos. Todas elas assumem os seus cabelos brancos de olhos fixos no inegável cronómetro e desafiadores para a sociedade. Não são invisíveis, como diz o mito das mulheres de cabelos grisalhos; pelo contrário, toda a gente repara nelas.

Mantêm o cabelo assim porque é bonito, porque não têm tempo ou dinheiro para a manutenção de um cabelo bem pintado, porque querem levantar o queixo e dizer que estão presentes como são, sem pedirem desculpas. Para todas foi uma escolha que lhes libertou a cabeça de quaisquer pressões e que nos permitiu falar do que é estético, político e da velhice.
 Ana Perez-Quiroga, 56 anos, artista plástica

Manter os cabelos brancos foi sempre uma escolha política?

Sempre foi. Há cerca de dois anos li uma entrevista da Mary Beard [historiadora e apresentadora de programas na BBC], que tem o cabelo branco e comprido, e dizia que sempre tinha sido uma questão política não pintar os cabelos mas que era profundamente criticada, que lhe mandavam e-mails a insultá-la. As pessoas sentiam-se ofendidas e agredidas por ela manter os cabelos brancos, não só homens mas também mulheres — “como é que você se atreve a ter os cabelos brancos?”. Eu venho de gerações de mulheres como a Susan Sontag que sempre tornaram isso um marco, não só de personalidade mas de confronto que afirma “eu estou aqui e eu sou assim”. De repente eu estou a reivindicar um espaço social.

Ana Pérez-Quiroga faz questão que a tratemos sempre por tu, fica assente assim que entramos em sua casa, esse lugar que para além de ser aquele que habita, é também o objeto da sua tese de doutoramento concluída há pouco, mas em constante (e quase viciante) crescimento. Fotografou todos os objetos que lá estão e por objeto entende-se tudo, com exceção dos perecíveis ou do que se vai gastando — o arroz, a fruta, o papel higiénico, os sabonetes. De resto, o privado tornou-se público no site onde exibe tudo o que há na sua casa. “Até a roupa interior, é a mesma coisa que a estender à janela”, resume. Como a casa se tornou simultaneamente espaço íntimo e público, também entende que o seu corpo vive nesta fronteira e o cabelo ajuda-nos a compreender isso.

Porque é que mantens os cabelos brancos?

A sociedade de alguma forma empurra-nos para pintarmos os cabelos. Estamos a falar das mulheres, que são altamente penalizadas pela idade que têm e quanto mais anos passam sobre elas… está associada às mulheres uma eterna juventude. É mais fácil ser um homem com mais idade do que uma mulher com mais idade — em termos de sociabilidade, no trabalho também há penalizações. E ter cabelos brancos também incorpora um discurso político — bom, qualquer ação que façamos é política. Se eu me permito ter os cabelos brancos é evidente que é um statement: eu reivindico para mim um papel que não joga o mesmo jogo social que nos é de alguma forma imposto. Em primeiro lugar sou feminista e interessa-me que este seja um espaço de liberdade: tomarmos a liberdade para o nosso corpo. É claro que sabemos perfeitamente que os cabelos brancos pesam mais, tornam a pessoa com mais idade, mas isso é uma coisa com que também vou jogando. 98% das minhas amigas que tenham a minha idade têm os cabelos pintados. As minhas amigas que pintam o cabelo não parecem ter 56 anos, eu já pareço que tenho essa idade. Depois, pelo cabelo, pela maneira como tem o cabelo arranjado e pintado, tu podes ver a classe social, porque não é uma cabeleireira qualquer que pinta bem.

"A sociedade empurra-nos para pintarmos os cabelos. Estamos a falar das mulheres, que são altamente penalizadas pela idade que têm. Está associada às mulheres uma eterna juventude. É mais fácil ser um homem com mais idade do que uma mulher com mais idade."

Ana Perez-Quiroga 
Porque o objetivo é sempre que pareça natural.

Exatamente. Então o que tu vês são os amarelos muito mal pintados, ou os castanhos e os pretos. E o cabelo está sempre a crescer, tens de pintar o cabelo quase semanalmente. É uma renda. Não quer dizer que eu tenha poupado muito dinheiro, mas de repente, quando não se joga esse jogo, começas a pensar que a quantidade de coisas que precisas para manter um cabelo saudável e bonito custam dinheiro. É uma reflexão também económica, porque se eu tivesse o cabelo pintado, também não o quereria ter mal pintado. Tive uma vez o cabelo pintado de castanho durante uns quatro meses — acabei por o cortar todo ainda mais para tirar a cor — mas durante esse tempo a manutenção dessa cor foi uma coisa super cuidada porque depois tens de ter umas máscaras e uns cremes especiais.

Com que idade começaste a ter os primeiros cabelos brancos?

Aos 18 tinha duas grandes madeixas brancas e mantive-as sempre. Só pintei o cabelo uma vez, já tinha uns 38 anos — foi para um trabalho fotográfico. Mas durante muitos anos, talvez mais de 20, usei o cabelo todo com gel para trás e apanhado com um rabo de cavalo pequenino e isso tapava um bocado esses brancos — durante muitos anos não se notava. Depois em 1998, quando foi a Expo, estava a fazer uma produção no teatro Maria Matos com o João Pedro Vale e o Nuno Alexandre Ferreira e um dia decidimos que íamos os três rapar o cabelo. Aí quando deixei de o usar apanhado e passei a usá-lo solto, apercebi-me de que estava realmente muito mais grisalho e de que todos os anos fica mais grisalho.

Qual é que foi a tua reação a esse confronto com os cabelos brancos?

Não sei… tu és confrontada com a tua idade. Depende do momento da vida em que tu estás — se estás mais débil na tua auto-estima ou não. Esse confronto pela primeira vez não me custou absolutamente nada. É claro que às vezes uma pessoa está com a auto-estima ligeiramente mais baixa porque teve algum problema emocional ou outra coisa qualquer e talvez isso seja motivo para perceber “ah! estou muito mais velha”. Penso que só se começa a dar por isso a partir dos 40. Eu tinha uma visão perfeita para o longe e para o perto e a partir dos 41 anos o músculo dos olhos perde esta elasticidade e começas a ter de usar óculos. É nesse momento em que começas a confrontar-te com o teu corpo que aos poucos já não está a acompanhar a tua cabeça que dispara. Aos 41, quando tive de pôr óculos parecia-me tudo banal, mas agora, a partir dos 54, 55, começa a notar-se que há pequeninas falhas no corpo — já não corro os quilómetros que corria, antigamente trazia duas bilhas de gás pelas escadas. Há uma falência desta vitalidade. O cabelo é um bocadinho o resultado.

Na altura em que te apercebeste do cabelo branco ponderaste pintá-lo?

Não, nunca ponderei.

No teu dia-a-dia tens a experiência da Mary Beard?

Não, diretamente eu não sinto que me tratam pior, nunca fui julgada. Mas penso que mais uns anos e posso vir a ser.

Porquê daqui a mais alguns anos?

Porque de repente temos mais rugas, parecemos mais velhas e o cabelo branco marca sempre ainda mais a idade. Vêm sempre as perguntas: pões o botox ou não pões o botox, pintas o cabelo ou não pintas o cabelo?

No fundo a pergunta é o que fazemos à velhice.

Sim, e é isso que combato. Cada vez mais estamos a esconder os idosos, cada vez há menos respeito por alguém mais velho. Eu passo meses na China e lá tens um grande respeito pelas pessoas que são os teus avós ou que são de uma outra faixa etária e que detêm o saber. Como é que nós, de repente, vivemos nessa ideia um bocadinho americana de que a experiência destas pessoas não é validada. No Oriente ainda se valoriza a experiência que é de uma vida, da sua compreensão, mas também de um gesto: para o mestre de sushi de 97 anos o que importa é o gesto. Ele repete o mesmo gesto há 80 anos, é um gesto perfeito.
 
Como é que te sentes ao lado das pessoas da tua idade que pintam o cabelo?

É evidente que destoo.

E gostas disso?

É a minha personalidade, mas isso também se paga.

Como?

O olhar social é um olhar diferente, não te sei explicar muito bem. Especialmente em outros meios mais pequenos, fora daqui de Lisboa.

"Sabemos perfeitamente que os cabelos brancos pesam mais, tornam a pessoa com mais idade, mas isso é uma coisa com que também vou jogando. 98% das minhas amigas que tenham a minha idade têm os cabelos pintados. As minhas amigas que pintam o cabelo não parecem ter 56 anos, eu já pareço que tenho essa idade."

Ana Perez-Quiroga 
Sendo a questão política tão importante para ti, se não te achasses bonita com o cabelo assim, pintarias?

Não sei como responder-te… é uma coisa que vem de um bem-estar interior. Se a minha auto-estima estiver um bocadinho mais em baixo, é claro que me sinto menos forte. E nesse dia se calhar penso: “se eu não tivesse o cabelo branco se calhar sentia-me melhor, ou mais nova, com mais vitalidade”. Mas não sei muito bem responder.

Nunca pensas em voltar a pintar?

Quando pintei não achei nada de especial. Achei que prefiro o cabelo como está. Acho mais interessante, mais forte. Acho bonito. Acho que as mulheres quando pintam o cabelo, por muito bem pintado que esteja, de alguma forma tornam-se mais iguais. Assim tem mais carácter, mais power.
Fonte: Observador
Maria Santíssima, rogai por nós!
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