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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

A oração pública da Igreja e a oração privada



Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.


Ave Maria…

“Em verdade, em verdade vos digo que, se pedirdes a meu Pai alguma coisa em meu nome, Ele vo-la dará.”

Nosso Senhor nos fala hoje, no Evangelho, da oração e da necessidade dela para podermos alcançar as graças de que precisamos, para podermos ser, como nos diz São Thiago na Epístola, realizadores da Palavra de Deus, para podermos praticar a religião pura e sem mácula.

De modo geral, podemos afirmar que existem dois tipos de oração. A oração litúrgica, ou oração pública da Igreja, e a oração privada ou particular. A oração litúrgica ou oração pública da Igreja é a oração oficial da Igreja, é a oração em que intervém todo o corpo místico de Cristo com a sua divina Cabeça, isto é, com Jesus Cristo como chefe. Ela é realizada pelo ministro da Igreja, constituído para isso. Essa oração litúrgica será considerada pública ainda que o sacerdote a realize sozinho, pois ele o faz enquanto ministro da Igreja e representando os seus membros. A oração privada é aquela que faz o simples fiel, ainda que seja na Igreja e acompanhando de outras pessoas, e também a oração que faz o sacerdote quando reza em nome próprio ou quando faz suas devoções particulares.

Na oração pública da Igreja, se destaca, em primeiro lugar, o Santo Sacrifício da Missa, que Jesus realiza sobre os nossos altares por meio dos padres. Destacam-se, também, os outros sacramentos, que operam a nossa redenção. Merece particular destaque também a recitação do Breviário pelos sacerdotes e religiosos. Como já tivemos oportunidade de mencionar, no Breviário se recitam os 150 salmos na semana, além de inúmeras outras orações em honra de Deus e dos santos. Tradicionalmente, inclusive, o sacerdote tem a obrigação de rezar quotidianamente o Breviário, mas não a Missa, embora todo padre consciente de seus deveres deva celebrar quotidianamente a Missa.

Objetivamente, nenhuma outra oração tem a força e a eficácia santificadora da oração litúrgica. Para julgar o valor objetivo de uma coisa devemos considerar o quanto de glória ela dá a Deus, já que Deus criou todas as coisas para a sua glória, para manifestar as suas perfeições, para ser mais conhecido, amado e servido. Assim, quanto mais uma coisa manifestar a glória de Deus, quanto mais uma coisa fizer Deus conhecido, amado e servido, melhor ela será. E esse é o único critério realmente verdadeiro para se julgar a bondade de uma coisa: o quanto de glória ela dá a Deus.

A partir desse critério podemos afirmar que a oração litúrgica, a oração pública da Igreja é a mais agradável a Deus, a mais perfeita, a mais eficaz. Primeiro, porque é a Igreja que reza, Igreja que é santa, que é a Esposa Imaculada Cristo. Segundo, pela excelência das próprias fórmulas litúrgicas, formadas ao longo dos séculos sob a guia do Espírito Santo, compondo um verdadeiro tesouro de espiritualidade e de doutrina. Terceiro, porque a oração da Igreja sobe sempre a Deus Pai por meio de Jesus Cristo, ainda que implicitamente. E finalmente, mas não menos importante, é o próprio Cristo que reza na oração litúrgica, na oração pública da Igreja, já que a Igreja é o corpo místico de Cristo. Assim, a pessoa que reza é a mais perfeita e as orações são as mais perfeitas. Está claro, então, que a oração litúrgica agrada imensamente a Deus e que ela é extremamente eficaz.

Todavia, para que ela seja eficaz para nós, devemos participar da liturgia em verdadeira união com Nosso Senhor Jesus Cristo e em união com toda a Igreja militante (nós aqui na terra), triunfante (anjos e santos no céu) e padecente (almas do purgatório). Devemos participar dignamente, com atenção e devoção. E devemos nos preparar bem para a liturgia da Igreja, em particular para a Santa Missa, buscando o arrependimento de nossos pecados, fazendo atos de fé, de esperança e de caridade. Para isso, convém chegar um pouco antes à Igreja, para se preparar devidamente. A verdadeira participação ativa na liturgia não é uma participação meramente física, de falar, de gesticular, de balançar folheto. A verdadeira participação na liturgia é unir-se a ela procurando ter as mesmas disposições de Jesus Cristo. Assim, na Missa, a participação mais profunda é aquela em que a pessoa se une realmente ao sacrifício de Cristo renovado pelo sacerdote, para oferecê-lo à Santíssima Trindade em união com a sua própria vida. Junto com o sacrifício de Cristo, devemos oferecer o sacrifício da nossa própria vida, entregando-a inteiramente a Ele, com todas as nossas alegrias e consolos, com todas as nossas angústias e cruzes. A participação verdadeiramente ativa na Missa é uma participação espiritual. E mesmo os pais que devem cuidar dos filhos durante a Missa e que aparentemente não conseguem se concentrar tanto nela, podem ter uma participação frutuosa, oferecendo a Deus, justamente, esses cuidados, unidos ao sacrifício de Cristo.

A liturgia da Igreja é a fonte de onde corre a água viva que alimenta a nossa vida espiritual. Se a água não é perfeitamente límpida, haverá prejuízo para a vida espiritual dos homens. Daí a importância de uma liturgia límpida, na espiritualidade e na doutrina. E se a fonte é límpida, mas não vamos até ela ou vamos até ela com um recipiente muito pequeno, também não avançaremos no amor a Deus. Devemos, então, amar a liturgia católica e devemos nos dispor bem – do modo que já mencionamos – para receber bem as graças abundantes que ela nos proporciona. Mesmo a nossa vida de oração particular deve encontrar a sua raiz, a sua fonte, na liturgia da Igreja. Se não encontrar na liturgia a sua fonte, nossa vida de oração tende a secar rapidamente. Isto é, se não nos unimos bem à liturgia da Igreja, é toda a nossa vida espiritual que começará a desmoronar.

Dada a excelência da oração litúrgica, alguns poderiam ser tentados a menosprezar a importância da oração privada. Seria um erro grave. Não existe oposição entre oração litúrgica e oração privada, mas necessária complementaridade. As duas procedem de Deus. Não pode haver, portanto, oposição. Elas devem andar lado a lado, a fim de influenciarem-se mutuamente e aumentar o grau de eficácia que cada uma delas tem. Como vimos, a oração litúrgica alimenta a nossa oração individual e a oração privada nos dispõe bem para a oração litúrgica. Muitas vezes recebemos com certa frequência os sacramentos, recebemos com frequência a eucaristia e a confissão, mas não avançamos como era de se esperar no amor a Deus. Por que não avançamos? Porque muitas vezes nos falta a oração individual que nos dispõe melhor para as graças dos sacramentos e nos falta a oração individual para prolongar os frutos do sacramento, por exemplo, com a devida ação de graças após a Santa Missa. Muitas vezes, a família vem junta para a Missa, mas não reza unida em casa, impedindo também frutos mais abundantes. Rezem em família. De quase nada adiantará a liturgia, se não fazemos nossas orações individuais. Não nos deixemos esmagar pelas atividades do dia-a-dia, por mais importantes que sejam.

E essas orações privadas, ainda que ditas na maior solidão, são úteis não só para a alma que as reza, mas são úteis para todo a Igreja, em virtude da comunhão dos santos.

Portanto, caros católicos, devemos rezar e rezar muito, unindo a oração da Igreja às nossas orações individuais, deixando que elas se complementem e aumentem a eficácia uma da outra. Como tão bem nos diz Santo Afonso: quem reza se salva, quem não reza se condena.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.


Nossa Senhora, rogai por nós!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

A virtude de ser um reclamão

file404 / Shutterstock

Todos nós precisamos reclamar de vez em quando, mas há uma maneira correta fazê-lo

Sempre fui da opinião que ficar reclamando é algo extremamente negativo. As pessoas que habitualmente reclamam lutam para encontrar soluções positivas para contratempos, e suas palavras cínicas começam a moldar o modo como pensam. Os queixosos sempre pareceram menos felizes do que os otimistas, quase como se eles mesmos se convencessem de que são infelizes. Neste sentido, os reclamões são seus próprios piores inimigos.

Sempre que me vejo caindo em um padrão de reclamação – o que acontece mais do que eu gostaria de admitir – percebo que alguma coisa saiu errado. Algo está me incomodando e estou tendo problemas para colocar o dedo na ferida, então encurralei um pobre amigo e desabafei. Eu continuo, fixando-me em minha infelicidade, e não deixo que meu amigo receba uma palavra positiva. É super irritante, tenho certeza.

Talvez você tenha estado no final de uma sessão de reclamação como esta. Se assim for, você provavelmente sabe que o reclamão realmente não tem interesse em ouvir uma solução para a reclamação. No mínimo, quer sentir-se ouvido. Assim, compartilhar uma reclamação pode ser uma maneira fácil de criar laços, especialmente se ambos compartilham a mesma opinião. Reclamar, nesse sentido, pode aproximar duas pessoas quando ambas se sentem validadas e apoiadas.

O problema é que nós reclamamos demais.

Não é raro reclamar até 30 vezes por dia, mas simplesmente não vejo como isso seja saudável. Detestaria que todas as minhas interações ao longo de um dia fossem tão negativas. Eu gostaria de pensar que posso me conectar com meus amigos de outras formas mais interessantes e positivas.

Reclamar é tão bom quando começamos, no entanto, é difícil parar. Torna-se um festival de queixas. Mas se nos tornarmos negativos demais, aqueles amigos que no início eram compreensivos ficarão aborrecidos, pois o bate-papo sempre se transforma em uma sessão de desabafo.

Além disso, o que tenho notado é que, inicialmente, pode ser bom deixar minhas opiniões negativas voar livre e soltas, mas isso deixa todos se sentindo pior no final. Frequentemente, eu me reprovo mais tarde e prometo nunca mais me comportar dessa maneira.

Este é o lado negativo de reclamar.

Está na Bíblia.

Não posso deixar de notar, no entanto, enquanto rezo através dos Salmos durante minhas orações diárias, que o salmista faz muitas reclamações. Tanto que os estudiosos das Escrituras se referem a um certo tipo de salmo como um “Salmo de Lamento”. Em outras palavras, o Salmo é uma sessão de reclamação com Deus.

Como padre, as pessoas frequentemente vêm a mim e expressam culpa sobre como têm reclamado a Deus, ou mesmo culpando-O pelo mal em suas vidas. Eu lhes digo que Deus pode lidar com isso. De fato, como mostram os Salmos, feito da maneira correta, queixar-se faz parte de um relacionamento real, não envernizado. Uma vida espiritual forte – ou casamento, ou amizade – inclui a queixa ocasional. É assim que descomprimimos e seguimos em frente. Honestidade e transparência são vitais para qualquer relacionamento.

Todos nós precisamos reclamar de vez em quando, mas há uma maneira correta

Em primeiro lugar, a frequência é importante.

A apresentação de reclamações deve ser muito mais rara do que 30 vezes por dia. Para mim, essa alta taxa de negatividade indica um vício ou uma alegria perversa em se sentir como vítima. Note que os Salmos não são reclamações de ponta a ponta. De fato, há muitos Salmos de ação de graças, louvor e alegria. Para cada reclamação, lembre-se de duas (ou mais) coisas pelas quais você está grato.

Em segundo lugar, reclamar para a pessoa certa.

Não reclame a alguém que será afetado negativamente por seus problemas. E não fique reclamando sobre a mesma coisa repetidamente para várias pessoas. Diga-o uma vez a um confidente de confiança e acabe com isso.

Por exemplo, tenho um grupo de padres com os quais compartilho reclamações. Eles são compreensivos e discretos. Eu nunca compartilharia essas mesmas reclamações com mais ninguém. A Igreja não é perfeita, mas um padre queixoso e negativo pode fazer parecer terrível quando, na verdade, a Igreja é maravilhosa. Em muitos aspectos, a Igreja Católica salvou minha vida. Seria uma pena se o hábito de reclamar obscurecesse esse fato e eu o esquecesse. Quando tenho reclamações, as expresso às pessoas certas e depois deixo a reclamação para trás.

Não busque confidentes que não o desafiarão se sua reclamação não tiver fundamento. É bom reconhecer uma falha, mas ela se torna insalubre quando tudo o que você faz é falar sobre ela em vez de encontrar uma maneira de corrigi-la ou de corrigir sua própria atitude em relação a ela.

Em terceiro lugar, reclamar por uma razão específica.

Processe uma emoção. Avalie a situação. Encontre uma solução. Os momentos em que me sinto pior são quando sei que tenho vomitado negatividade tóxica sem razão absolutamente nenhuma.

Reclamar, como tudo o mais, pode ser um vício ou uma virtude. Está tudo na forma como lidamos com isso. Talvez o verdadeiro dom de reclamar seja o reconhecimento realista de que a vida não é perfeita, mas mesmo assim tudo ficará bem. Como diz o salmista: “Eu derramo minha queixa diante de Deus; eu conto meu problema diante dele”. Você sempre pode falar com alguém e sentir-se compreendido. Nenhum de nós está sempre sozinho.

Fonte: Aletéia

Nossa Senhora do Silêncio, rogai por nós!

domingo, 22 de janeiro de 2023

Oração para Devoção Privada pedindo a intercessão de Bento XVI

giulio napolitano | Shutterstock

A oração tem aprovação eclesiástica, 
mas não deve ser rezada em público

O bispo da diocese de Frederico Westphalen (RS), Dom Antônio Carlos Rossi Keller, utilizou seu perfil no Instagram para publicar uma oração para devoção privada, pedindo a intercessão do Papa Bento XVI. O pontífice emérito faleceu no dia 31 de dezembro de 2022.


Mas por que uma oração para pedir a intercessão a quem ainda não foi canonizado?

Trata-se de uma tradição que acontece sempre que alguém morre com fama de santo. Com a oração, dá-se início a uma devoção, que deve acontecer apenas de forma privada. Assim, se as pessoas alcançarem graças através desta oração, essas graças podem ser levadas em conta em um futuro processo de canonização.

O bispo brasileiro reitera que a oração (abaixo) não tem finalidade de culto público e que as graças atribuídas à intercessão de Bento XVI devem ser comunicadas ao Vicariato de Roma. Vale ressaltar que a oração tem aprovação eclesiástica.


Oração para devoção privada pedindo a intercessão de Bento XVI


“Deus eterno e todo-poderoso,

que inspirastes no coração de Vosso servo, o Papa Bento XVI,

o sincero desejo de encontrar-Vos e anunciar-Vos,

tornando-se um humilde “Cooperador da Verdade”

e oferecendo-se como servo, para Cristo e para a Igreja.

Fazei com que também eu saiba amar a Igreja de Cristo

e possa seguir em minha vida as verdades eternas que ela proclama.

Dignai-Vos, Senhor, glorificar vosso servo, o Papa Bento XVI

E concedei, por sua intercessão, o favor que agora vos peço (faz-se o pedido). Amém.

Rezar o Pai Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai.”

Fonte: Aletéia

Nossa Senhora e Papa Bento XVI, rogai por nós!

sábado, 21 de janeiro de 2023

Após peregrinação, atriz Klara Castanho dá forte testemunho sobre fé

Instagram / @klarafgcastanho

Klara Castanho em frente à Basílica de Aparecida após quatro dias romaria


Atriz caminhou mais de 100 quilômetros até o Santuário Nacional de Aparecida

Aatriz Klara Castanho utilizou o Instagram para deixar os fãs a par do seu percurso no Caminho da Fé, uma peregrinação de cerca de 130 quilômetros até o Santuário Nacional de Aparecida.

Na publicação, a atriz afirma que fez o trajeto a pé ao lado do tio e de amigos.

 “Foram quatro dias intensos de reflexões, orações, choro, persistência e muita fé. 
Sou muito grata à Nossa Senhora Aparecida por me acolher, por escutar as minhas angústias e súplicas. 
A fé nela e em Deus me fortalece. 
Eles fazem eu manter a minha cabeça erguida e me dão forças para lutar.”

Em um vídeo, Klara Castanho mostrou os detalhes da romaria marcada por chuva, dores, cansaço e muita oração. “É uma experiência intensa e transformadora. Haverá momentos em que você duvidará de sua capacidade de seguir adiante, mas você consegue. Você se fortalece na sua fé”, afirmou.

No final do vídeo, a atriz fez um balanço da peregrinação:

 “A sensação é descobrir uma resistência que você não conhece, uma força que você não conhece, mas principalmente o quanto a presença de Nossa Senhora é forte em nossa vida”.



Gravidez

Klara Castanho tem 22 anos e faz trabalhos para a TV desde quando tinha apenas nove meses de vida. Ficou conhecida por suas personagens em várias novelas, entre elas a Rafaela, de “Viver a Vida”(2009).

Em setembro de 2022, a atriz confirmou que engravidou após um abuso sexual e entregou a criança para a adoção. O fato gerou repercussão nas redes sociais.

Fonte: Aletéia

Nossa Senhora Castíssima, rogai por nós!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

A bebê que ia morrer, mas fez um médico mudar de opinião sobre o aborto


SURAKIT SAWANGCHIT | Shutterstock


O impactante testemunho dos pais que, durante a gravidez, ficaram sabendo que a filhinha que eles tanto esperavam não tinha grandes chances de sobreviver. 
Eles contam o que aconteceu com a pequena Elisa e a mudança que ela provocou em um dos médicos

Elisa era o terceiro bebê que Patricia e Antón estavam esperando, em uma casa onde duas irmãs mais velhas estavam prontas para recebê-la com beijos.

Entretanto, na terceira ecografia, todos os sonhos da família foram um pouco abreviados, porque os médicos lhes disseram que algo não estava certo. Eles viram algo anormal na translucência nucal, algo associado à doença cardíaca ou a uma variação cromossômica. E, após alguns testes, deram o diagnóstico: síndrome de Edwards ou trissomia do 18. Trata-se de uma condição não compatível com a vida.

Mas era absolutamente claro para os pais de Elisa que sua filhinha morreria sozinha quando os portões do céu estivessem prontos para recebê-la.

Entretanto, eles não conseguiram entender porque deixaram esta decisão para o céu e não para a terra, “economizando” tempo, sofrimento e um resultado inevitável. Mas Elisa, com sua curta vida, veio para nos ensinar a confiar no céu e em suas maneiras de fazer as coisas.

Ogros e fadas madrinhas

Os ogros e as fadas madrinhas desta história usavam casacos brancos. O primeiro disse ao casal que, se a bebê nascesse ali, não faria parte de seus protocolos, então eles não fariam nada por ela.

Parece inacreditável que, hoje, uma mãe tenha que ouvir estas palavras. Mas aconteceu.

Graças a Deus, que faz mágica com linhas tortas, Elisa desenvolveu uma condição cardíaca muito complexa: a tetralogia de Fallot.

O cardiologista explicou-lhes que havia muito poucas chances de ela sobreviver. Mas ele também lhes disse que já tinha outros casos como este que em que os pacientes conseguiram superar a doença. Assim, graças ao cardiologista, eles chegaram ao Hospital da Maternidade e da Criança em La Coruña, onde estavam as fadas madrinhas da história de Elisa.

As palavras daquele médico

Lá, com muito medo após a experiência anterior, a mãe se encontrou com o chefe dos recém-nascidos. Uma luz de esperança se acendeu. “Foi incrível, desde o primeiro minuto! Ele me deixou claro que minha filha não era um coração, ela não era uma trissomia, ela era Elisa, um bebê, e que eles iriam lhe dar o melhor durante o tempo que ela estivesse conosco”, disse Patricia.

Ela prossegue: “Estas palavras foram realmente uma carícia para a alma, em comparação com as ameaças dos ogros ferozes que nos disseram que não iriam fazer nada por ela. Os ogros não me diziam nada sobre o que viam nas ecografias, não me mostravam a tela e, como era um caso raro, enchiam o consultório de residentes”.

Mas vamos voltar às fadas nesta história…

Cuidados paliativos: um tratamento personalizado

“Na segunda reunião, esteve presente a pediatra de cuidados paliativos. Há poucas destas fadas madrinhas. Quando entrou na sala, ela estava totalmente informada sobre nossa família: sabia os nomes das irmãs da bebê, sabia onde vivíamos, nossa situação, tratamento absolutamente personalizado. Ela nos explicou, da maneira mais carinhosa que pôde, as opções que tínhamos: ‘Há possibilidades de não chegarmos até o parto. Se conseguirmos, ela provavelmente não sobreviverá, e se conseguir, ela sobreviverá por alguns minutos', disse Patrícia.

Elisa venceu todas as probabilidades. Ela nasceu em 20 de março. Foi o primeiro bebê com trissomia do cromossomo 18 a nascer neste século neste hospital, uma instituição de referência na Espanha. As pessoas ficaram surpresas quando a viram: ela era muito pequena, mas muito, muito bonita.

A consulta de alta foi muito importante, como narra a mãe:

“Mais do que nos dar conselhos sobre como cuidar de Elisa em casa, falamos sobre como ela iria morrer. Eles me explicaram como ia ser. O médico me disse: 
‘Sua filha vai morrer da doença cardíaca, não da trissomia. A morte vai ser muito doce, não se preocupe. Mas cabe a você escolher como deseja que sejam esses momentos finais. Se você quiser chamar a ambulância e levá-la ao hospital quando ela começar a ficar doente, os médicos não poderão fazer nada, porque não há nada que eles possam fazer. Mas eles terão que ativar um protocolo e a separarão de você, de modo que você não poderá acompanhar sua filha em seus últimos momentos. Por outro lado, se você vir que ela está morrendo e quiser acompanhá-la e ficar com ela até o final, é melhor não ativar todos esses protocolos”. Por mais difícil que pareça, para mim foi o melhor conselho que me foi dado. Fui capaz de fazer uma escolha consciente. Caso contrário, não sei o que eu teria feito.”

No sábado, 22 de junho, percebi que as coisas estavam começando a dar errado. Quando a enfermeira do atendimento a cuidados paliativos em domicílio me chamou e me perguntou se estava tudo bem, eu sabia que não estava, mas eu disse que sim, porque sabia que queria acompanhá-la até o fim, que queria ser aquela que, de um braço para o outro, a passava para sua Mãe do Céu”.

E assim Elisa morreu, como o pequeno fósforo: devagar, suavemente, gentilmente.

O médico que os atendeu admitiu que, até conhecer Elisa, sempre recomendou a interrupção da gravidez em tais casos. A pequena Elisa ensinou ao médico – agora chefe dos cuidados neonatais no Hospital Infantil de La Coruña – que sempre há outro caminho.

Durante o pouco tempo que viveu, Elisa recebeu muito carinho da família.
Patricia Criscuolo.
Fonte: Aletéia

Nossa Senhora das Dores, rogai por nós!
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