Comunidade monástica de São João (Ordem de São Bento)
Desde o último domingo, 18, a
Igreja celebra uma semana dedicada à Vida Consagrada; àqueles que
servem, em tempo integral, à causa do Reino de Deus. São monges e
monjas, freis e freiras, homens e mulheres consagrados a Deus em
institutos de vida religiosa.
Inclusa neste ambiente de
entrega, está a Irmã Maria de Nazaré, 71 anos. Ela é uma das monjas do
mosteiro beneditino São João, em Campos do Jordão, interior paulista, e
há dez anos ingressou na Ordem Religiosa de São Bento.
Como a
maioria das pessoas que assumem a vida consagrada, Irmã Maria também fez
renúncias ao responder ao chamado de Deus. Segundo ela, do ponto de
vista humano, a principal renúncia foi a do convívio familiar. No
entanto, explica que, chegando ao mosteiro, entendeu que não houve um
abandono da família, mas uma presença diferenciada. “Nós, como
intercessoras aqui no Mosteiro, entendemos que trazemos todos os homens,
todas as famílias, todas as circunstâncias e oferecemos a Deus a cada
dia e pedimos por eles. Então, eles estão muito próximos de nós”, disse.
Apesar de ter deixado a família, a religiosa considera que a
principal renúncia foi a da própria vontade. Segundo ela, é necessário
ao vocacionado entrar numa atmosfera de despojamento; deixar tudo,
inclusive as certezas humanas. "A gente tem que se esvaziar e se tornar
discípulo", diz a religiosa. "Para ser discípulo não é possível vir com a
taça cheia porque você não vai conseguir aprender como se dá a
caminhada dentro da vida monástica”, afirmou.
Irmã Maria viveu
no Rio de Janeiro durante muitos anos, em meio a uma vida ativa e com
trabalhos pastorais. Para ela, ter deixado tudo isso, a família, os
projetos e até sonhos pessoais foi uma atitude certa. “Certíssima!
Demorei muito tempo para entender que o trabalho que fazia tinha essa
conotação de serviço e que este seria feito de uma outra forma e até com
mais qualidade num mosteiro. No meu caso foi certíssima, e eu dou
graças a Deus pela minha vocação”.
Para Irmã Maria, ser
consagrada a Deus significa viver a vida cristã em sua plenitude e
radicalidade, sem negar nada a Cristo. Representa também a alegria de
ter ouvido o chamado de Deus e respondido “sim”, o que para ela é
motivo de profunda gratidão.
“Nós devemos rezar agradecendo
esse chamado. Rezar com um espírito de gratidão por Ele [Cristo] ter
nos escolhido e chamado para viver a vida cristã na sua plenitude
dentro de um mosteiro”.
O chamado à vida consagrada não foi
exclusividade da Irmã Maria de Nazaré; outros familiares também
aceitaram o apelo de Cristo e entregaram sua vida. Segundo a Irmã, na
família do pai, há três sacerdotes e uma religiosa da Congregação das
Irmãs Filhas de Santana, falecida com 65 anos de vida consagrada. Na
linha materna, Irmã Maria é a primeira vocação religiosa.
Discernimento vocacional
Como
alguém pode discernir se a vida consagrada é um chamado de Deus para
si? Quais os sinais que confirmam esta vocação? Viúvos(as) podem
ingressar na vida religiosa? Estas e outras questões, Irmã Maria de
Nazaré responde na entrevista à repórter Jéssica Marçal. Ouça