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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE PAPA LEÃO XIV PARA LA QUARESMA 2026

 




MENSAGEM DE SUA SANTIDADE PAPA LEÃO XIV

PARA LA QUARESMA 2026


Escutar e jejuar.

Quaresma como tempo de conversão



Queridos irmãos e irmãs!

A Quaresma é o tempo em que a Igreja, com solicitude maternal, nos convida a recolocar o mistério de Deus no centro da nossa vida, para que a nossa fé ganhe novo impulso e o coração não se perca entre as inquietações e as distrações do quotidiano.

Todo o caminho de conversão começa quando nos deixamos alcançar pela Palavra e a acolhemos com docilidade de espírito. Existe, portanto, um vínculo entre o dom da Palavra de Deus, a hospitalidade que lhe oferecemos e a transformação que ela realiza. Por isso, o itinerário quaresmal torna-se uma ocasião propícia para dar ouvidos à voz do Senhor e renovar a decisão de seguir Cristo, percorrendo com Ele o caminho que sobe a Jerusalém, onde se realiza o mistério da sua paixão, morte e ressurreição.

Escutar

Este ano gostaria de chamar a atenção, em primeiro lugar, para a importância de dar lugar à Palavra através da escuta, pois a disponibilidade para escutar é o primeiro sinal com que se manifesta o desejo de entrar em relação com o outro.

O próprio Deus, revelando-se a Moisés na sarça ardente, mostra que a escuta é uma característica distintiva do seu ser: «Eu bem vi a opressão do meu povo que está no Egipto, e ouvi o seu clamor» (Ex 3, 7). Escutar o clamor dos oprimidos é o início de uma história de libertação, na qual o Senhor envolve também Moisés, enviando-o a abrir um caminho de salvação para os seus filhos reduzidos à escravidão.

É um Deus que nos envolve e, hoje, também vem até nós com os pensamentos que fazem vibrar o seu coração. Por isso, escutar a Palavra na liturgia educa-nos para uma escuta mais verdadeira da realidade: entre as muitas vozes que passam pela nossa vida pessoal e social, as Sagradas Escrituras tornam-nos capazes de reconhecer aquela que surge do sofrimento e da injustiça, para que não fique sem resposta. Entrar nesta disposição interior de recetividade significa deixar-se instruir hoje por Deus para escutar como Ele, até reconhecer que «a condição dos pobres representa um grito que, na história da humanidade, interpela constantemente a nossa vida, as nossas sociedades, os sistemas políticos e económicos e, sobretudo, a Igreja».

Jejuar

Se a Quaresma é um tempo de escuta, o jejum constitui uma prática concreta que nos predispõe a acolher a Palavra de Deus. Na verdade, a abstinência de alimentos é um exercício ascético muito antigo e insubstituível no caminho da conversão. Precisamente porque implica o corpo, torna mais evidente aquilo de que temos “fome” e o que consideramos essencial para o nosso sustento. Portanto, é útil para discernir e ordenar os “apetites”, para manter vigilante a fome e a sede de justiça, subtraindo-a à resignação e instruindo-a a fim de se tornar oração e responsabilidade para com o próximo.

Com grande sensibilidade espiritual, Santo Agostinho deixa transparecer a tensão entre o tempo presente e a realização futura que atravessa esta salvaguarda do coração, quando observa que: «Ao longo da vida terrena, cabe aos homens ter fome e sede de justiça, mas ser saciados pertence à outra vida. Os anjos saciam-se deste pão, deste alimento. Os homens, pelo contrário, sentem fome dele, estão inclinados ao seu desejo. Esta inclinação ao desejo dilata a alma, aumentando a sua capacidade». Compreendido neste sentido, o jejum permite-nos não só disciplinar o desejo, purificá-lo e torná-lo mais livre, mas também ampliá-lo, de tal modo que se volte para Deus e se oriente para agir no bem.

No entanto, para que o jejum conserve a sua autenticidade evangélica e evite a tentação de envaidecer o coração, deve ser sempre vivido com fé e humildade. Ele exige um permanente enraizar-se na comunhão com o Senhor, porque «não jejua verdadeiramente quem não sabe alimentar-se da Palavra de Deus». Como sinal visível do nosso compromisso interior de, com o apoio da graça, nos afastarmos do pecado e do mal, o jejum deve incluir também outras formas de privação destinadas a fazer-nos assumir um estilo de vida mais sóbrio, pois «só a austeridade torna forte e autêntica a vida cristã».

Por isso, gostaria de vos convidar a uma forma de abstinência muito concreta e frequentemente pouco apreciada, ou seja, a abstinência de palavras que atingem e ferem o nosso próximo. Comecemos por desarmar a linguagem, renunciando às palavras mordazes, ao juízo temerário, ao falar mal de quem está ausente e não se pode defender, às calúnias. Em vez disso, esforcemo-nos por aprender a medir as palavras e a cultivar a gentileza: na família, entre amigos, nos locais de trabalho, nas redes sociais, nos debates políticos, nos meios de comunicação social, nas comunidades cristãs. Assim, muitas palavras de ódio darão lugar a palavras de esperança e paz.

Juntos

Por fim, a Quaresma realça a dimensão comunitária da escuta da Palavra e da prática do jejum. A Escritura sublinha também este aspeto de várias maneiras. Por exemplo, ao narrar no livro de Neemias que o povo se reuniu para escutar a leitura pública do livro da Lei e, praticando o jejum, se dispôs à confissão de fé e à adoração, a fim de renovar a aliança com Deus (cf. Ne 9, 1-3).

Do mesmo modo, as nossas paróquias, famílias, grupos eclesiais e comunidades religiosas são chamadas a percorrer, durante a Quaresma, um caminho partilhado, no qual a escuta da Palavra de Deus, assim como do clamor dos pobres e da terra, se torne forma de vida comum e o jejum suporte um verdadeiro arrependimento. Neste contexto, a conversão diz respeito não só à consciência do indivíduo, mas também ao estilo das relações, à qualidade do diálogo, à capacidade de se deixar interpelar pela realidade e de reconhecer o que realmente orienta o desejo, tanto nas nossas comunidades eclesiais como na humanidade sedenta de justiça e reconciliação.

Caríssimos, peçamos a graça de uma Quaresma que torne os nossos ouvidos mais atentos a Deus e aos últimos. Peçamos a força dum jejum que também passe pela língua, para que diminuam as palavras ofensivas e aumente o espaço dado à voz do outro. E comprometamo-nos a fazer das nossas comunidades lugares onde o clamor de quem sofre seja acolhido e a escuta abra caminhos de libertação, tornando-nos mais disponíveis e diligentes no contributo para construir a civilização do amor.

De coração, abençoo todos vós e o vosso caminho quaresmal.



Vaticano, na Memória de Santa Ágata, virgem e mártir, 5 de fevereiro de 2026



LEÃO PP. XIV



Nossa Senhora de Lourdes, rogai por nós!

sexta-feira, 9 de maio de 2025

PRIMEIRA BÊNÇÃO URBI ET ORBI DO PAPA LEÃO XIV

 


Quinta-feira, 8 de maio de 2025


A paz esteja com todos vós!

Caríssimos irmãos e irmãs, esta é a primeira saudação de Cristo Ressuscitado, o Bom Pastor, que deu a vida pelo rebanho de Deus. Também eu gostaria que esta saudação de paz entrasse no vosso coração, chegasse às vossas famílias, a todas as pessoas, onde quer que se encontrem, a todos os povos, a toda a terra. A paz esteja convosco!

Esta é a paz de Cristo Ressuscitado, uma paz desarmada e uma paz que desarma, que é humilde e perseverante. Que vem de Deus, do Deus que nos ama a todos incondicionalmente.

Conservamos ainda nos nossos ouvidos aquela voz fraca, mas sempre corajosa, do Papa Francisco que abençoava Roma, o Papa que, naquela manhã de Páscoa, abençoava Roma e dava a sua bênção ao mundo inteiro. Permiti-me que dê prosseguimento àquela mesma bênção: Deus nos ama, Deus vos ama a todos, e o mal não prevalecerá! Estamos todos nas mãos de Deus. Portanto, sem medo, unidos de mãos dadas com Deus e uns com os outros, sigamos em frente! Somos discípulos de Cristo. Cristo vai à nossa frente. O mundo precisa da sua luz. A humanidade precisa d’Ele como ponte para poder ser alcançada por Deus e pelo seu amor. Ajudai-nos também vós e, depois, ajudai-vos uns aos outros a construir pontes, com o diálogo, o encontro, unindo-nos todos para sermos um só povo sempre em paz. Obrigado, Papa Francisco!

Quero também agradecer a todos os meus irmãos Cardeais que me escolheram para ser o Sucessor de Pedro e para caminhar convosco, como Igreja unida, procurando sempre a paz, a justiça, esforçando-se sempre por trabalhar como homens e mulheres fiéis a Jesus Cristo, sem medo, para anunciar o Evangelho, para ser missionários

Sou agostiniano, um filho de Santo Agostinho que dizia: “Convosco sou cristão e para vós sou bispo”. Neste sentido, podemos caminhar todos juntos em direção à pátria que Deus nos preparou.

Uma saudação especial à Igreja de Roma! Devemos procurar juntos o modo de ser uma Igreja missionária, uma Igreja que constrói pontes, que constrói o diálogo, sempre aberta para acolher a todos, como esta Praça, de braços abertos, a todos aqueles que precisam da nossa caridade, da nossa presença, de diálogo e de amor.

(Em espanhol)

Y si me permiten también una palabra, un saludo a todos y en modo particular a mi querida diócesis de Chiclayo, en el Perú, donde un pueblo fiel ha acompañado a su obispo, ha compartido su fe y ha dado tanto, tanto, para seguir siendo Iglesia fiel de Jesucristo.

(tradução)

E se me permitem uma palavra, uma saudação [em espanhol] a todos e especialmente à minha querida Diocese de Chiclayo, no Peru, onde um povo fiel acompanhou o seu bispo, partilhou a sua fé e deu tanto, tanto, para continuar a ser uma Igreja fiel a Jesus Cristo.

A todos vós, irmãos e irmãs de Roma, da Itália, de todo o mundo: queremos ser uma Igreja sinodal, uma Igreja que caminha, uma Igreja que procura sempre a paz, que procura sempre a caridade, que procura sempre estar próxima, sobretudo dos que sofrem.

Hoje é o dia da Súplica a Nossa Senhora do Rosário de Pompeia. A nossa Mãe, Maria, quer sempre caminhar conosco, estar perto, ajudar-nos com a sua intercessão e o seu amor. Gostaria, por isso, de rezar convosco. Rezemos juntos por esta nova missão, por toda a Igreja, pela paz no mundo e peçamos a Maria, nossa Mãe, esta graça especial: Ave Maria...

[Bênção solene].

Fonte: Vaticano

Nossa Senhora da Pompéia e São Miguel Arcanjo, rogai por nós e pelo Papa Leão XIV

quinta-feira, 8 de maio de 2025

HABEMUS PAPAM - PAPA LEÃO XIV

 

O Cardeal Robert Francis Prevost nasceu em Chicago, tornou-se padre aos 27 anos e dedicou um doutorado a Santo Agostinho, o doutor da Igreja; eleito Papa, escolheu como nome Leão XIV


O Cardeal Robert Francis Prevost, O.S.A., foi eleito como 267º Sucessor de Pedro e escolheu como nome Leão XIV.

Prefeito do Dicastério para os Bispos, Arcebispo-Bispo emérito de Chiclago, nasceu em 14 de setembro de 1955 em Chicago (Illinois, Estados Unidos). Em 1977, ingressou no noviciado da Ordem de Santo Agostinho (O.S.A.) na província de Nossa Senhora do Bom Conselho, em Saint Louis. Em 29 de agosto de 1981, emitiu seus votos solenes. Estudou na União Teológica Católica de Chicago, onde se formou em Teologia.

Aos 27 anos, foi enviado pela Ordem a Roma para estudar Direito Canônico na Pontifícia Universidade Santo Tomás de Aquino (Angelicum). Recebeu a ordenação sacerdotal em 19 de junho de 1982. Obteve sua licenciatura em 1984 e, em seguida, foi enviado para trabalhar na missão de Chulucanas, em Piura, Peru (1985-1986).

Doutorado

Em 1987, doutorou-se com a tese: “O papel do prior local na Ordem de Santo Agostinho”. No mesmo ano, foi eleito diretor de vocações e diretor das missões da província agostiniana “Mãe do Bom Conselho” de Olympia Fields, Illinois, Estados Unidos da América. Em 1988, foi enviado à missão de Trujillo como diretor do projeto de formação conjunta para aspirantes agostinianos nos vicariatos de Chulucanas, Iquitos e Apurímac. Lá, atuou como prior da comunidade (1988-1992), diretor de formação (1988-1998) e professor dos professos (1992-1998). Na arquidiocese de Trujillo, foi vigário judicial (1989-1998) e professor de direito canônico, patrístico e moral no Seminário Maior “San Carlos e San Marcelo”.

Em 1999, foi eleito prior provincial da província “Mãe do Bom Conselho”, Chicago. Após dois anos e meio, o Capítulo Geral Ordinário o elegeu prior geral, ministério que lhe foi novamente confiado no Capítulo Geral Ordinário de 2007. Em outubro de 2013, retornou à sua província (Chicago) para servir como professor dos professos e vigário provincial, funções que ocupou em 3 de novembro de 2014, quando o Papa Francisco o nomeou administrador apostólico da diocese de Chiclayo, Peru, elevando-o à dignidade de bispo e atribuindo-lhe a diocese titular de Sufar. Em 7 de novembro, tomou posse canônica da diocese na presença do núncio apostólico James Patrick Green; foi ordenado bispo em 12 de dezembro, Festa de Nossa Senhora de Guadalupe, na catedral de sua diocese. Serviu como bispo de Chiclayo a partir de 26 de novembro de 2015. Em março de 2018, tornou-se segundo vice-presidente da Conferência Episcopal Peruana. O Papa Francisco o nomeou membro da Congregação para o Clero em 2019 e membro da Congregação para os Bispos em 2020.

Em 15 de abril de 2020, o Papa o nomeou administrador apostólico da diocese de Callao.

Em 30 de janeiro de 2023, o Papa Francisco nomeou o Cardeal Prevost prefeito do Dicastério para os Bispos e presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina. Foi criado e proclamado Cardeal pelo Papa Francisco no Consistório de 30 de setembro de 2023, da Diaconia de Santa Mônica.


Santo Agostinho, rogai por nós e pelo Papa Leão XIV

quarta-feira, 30 de abril de 2025

O que o conclave não é! 5 definições que você deve saber

 

ALBERTO PIZZOLI | AFP

Paulo Teixeira - publicado em 29/04/25


Muito se debate sobre a escolha do novo pontífice e sobre os métodos desta eleição. O Conclave vem do latim Cumclavis e quer dizer sob chaves, no sentido de uma reunião fechada e sob sigilo. O Conclave tem a função de escolher o Papa, que é o bispo de Roma.

Nem sempre a Igreja utilizou esse meio, mas, depois do século X essa foi a forma estabelecida. Quem participa do Conclave e escolhe o novo Papa são os cardeais. É um ritual complexo e cheio de significados que marca a importante escolha de um novo pontífice. Contudo, é importante apresentar aqui algumas coisas que o conclave não é e que a gente pode se confundir.

1. NÃO É DEMOCRACIA

Os Cardeais são todos titulares de uma igreja de Roma, dessa forma, é o clero de Roma que escolhe seu novo bispo. Certamente a Igreja encontrou maneiras de fazer com que pessoas de diversos lugares do mundo possam “pertencer” ao clero romano e, assim, eleger o Papa. Mas não é uma democracia representativa. Os cardeais representam suas realidades, mas não a população. Por exemplo, neste Conclave não haverá “representantes” de Milão, nem de Paris, pois seus arcebispos não são cardeais. Mas haverá um cardeal que é missionário na Mongólia, país com 1400 fiéis; e um cardeal da Suécia, país com 3% de católicos na população.

2. NÃO TEM PARTIDOS

Muito se fala sobre as alas progressistas, conservadoras e moderadas. Alguns veículos de comunicação até publicam imagens da “composição política” do Conclave. Mas o fato é que não existem partidos, mas visões diferentes.

Um cardeal não é como um deputado que chegou até sua posição por meio de acordos e apoios, que em geral são positivos. O cardeal é escolhido pelo Papa e, em geral, são homens de muito estudo, de espiritualidade profunda e com experiências significativas na Igreja. Por exemplo, estarão presentes o Cardeal Brenes da Nicaragua, país duramente provado por um regime totalitário, e o Cardeal Steiner que é Arcebispo de Manaus, no coração da Amazônia brasileira. Homens com visões significativamente diferentes e particulares, que não poderiam se associar em um “partido”.

3. NÃO TEM VENCEDOR

Nem tem perdedor. Quem não for escolhido não perdeu nada, nem tempo, nem dinheiro, nem saliva nos debates internos. O novo Papa também não é vitorioso no pleito. Embora seja necessário um número significativo de votos, o que eles aferem é o consenso e não simplesmente a maioria.

4. NÃO TEM "TROPA DE CHOQUE"

De forma maldosa há quem diga que o Papa Francisco organizou esse Conclave escolhendo cardeais que fizessem mais sua linha de pensamento. O Papa João Paulo II também realizou em 2001 um consistório para a criação de 42 cardeais. Não era para organizar sua sucessão, mas para ampliar o debate.

O Papa Francisco nomeou cardeais de pequenos países como Timor-Leste e Toga, e de regiões de minoria cristã, como Irã e Paquistão. Da África são 17 cardeais votantes. Esses cardeais não formam uma “tropa de choque” que vai competir com os votos dos 10 cardeais estadunidenses ou dos 17 italianos, mas irão ampliar o debate.

5. NÃO TEM INFLUÊNCIAS EXTERNAS

Os cardeais realizam uma cerimônia chamada de extra omnes antes das votações, que quer dizer fora todos. Existe o sigilo e também quem trabalha no Vaticano nesse período, como cozinheiros e equipe da limpeza, também faz um compromisso de sigilo. A equipe de comunicação nem passa perto do conclave: não há o que comunicar. Os cardeais ficam entre si. Certamente o contexto do mundo marca o pensamento dos cardeais. Mas seria muito restrito achar que um governo ou grupo de poder influenciaria na escolha, existem outras influências. No Conclave que escolheu João Paulo II, por exemplo, certamente os cristãos perseguidos do leste europeu foram influenciadores para a escolha de um Papa do outro lado da cortina de ferro, mas poderes políticos não teriam relevância no debate.

Fonte: Aletéia

SEDES VACANS

VINDE ESPIRITO SANTO!

terça-feira, 22 de abril de 2025

MORRE PAPA FRANCISCO

 




Declaração do Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, 21.04.2025


Às 9h47 desta manhã, Sua Eminência o Cardeal Kevin Joseph Farrell, Camerlengo da Santa Igreja Romana, anunciou com tristeza a morte do Papa Francisco, com estas palavras:

“Queridos irmãos e irmãs, é com profunda tristeza que devo anunciar o falecimento do nosso Santo Padre Francisco.

Às 7h35 desta manhã, o Bispo de Roma, Francisco, retornou à casa do Pai. Toda a sua vida foi dedicada ao serviço do Senhor e da Sua igreja.

Ele nos ensinou a viver os valores do Evangelho com fidelidade, coragem e amor universal, especialmente em favor dos mais pobres e marginalizados.

Com imensa gratidão por seu exemplo como verdadeiro discípulo do Senhor Jesus, encomendamos a alma do Papa Francisco ao infinito amor misericordioso do Deus Uno e Trino."



Fonte: VATICANO

sexta-feira, 28 de abril de 2023

Como São Luís Maria de Montfort inspirou 5 papas diferentes

Public domain

O dia 28 de abril marca o aniversário da morte deste santo aclamado por muitos como uma das pessoas mais influentes da história recente da Igreja

São Luís Maria Grignion de Montfort é particularmente conhecido por seu livro “Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem” e pela “consagração total a Cristo por meio de Maria”, que ele propõe nessa mesma obra.

O dia 28 de abril marca o aniversário da morte deste santo aclamado por muitos como uma das pessoas mais influentes da história recente da Igreja. De fato, a sua inspiração se manteve constante ao longo dos últimos três séculos e moldou o coração de muitos homens e mulheres santos.

Entre eles está São João Paulo II, que destacou essa “consagração total” no seu próprio lema papal: “Totus tuus”. A frase inteira de São Luís Maria de Montfort é “Totus tuus ego sum, et omnia mea tua sunt. Accipio te in mea omnia. Praebe mihi cor tuum, Maria” (“Eu pertenço inteiramente a ti, e tudo o que tenho é teu. Tomo-te como meu tudo. Ó Maria, dá-me o teu coração”).

Mas o papa polonês não foi o único papa nem o único santo a chamar a atenção para Montfort e seus escritos. Nos últimos 200 anos, pelo menos cinco papas expressaram sua gratidão a Montfort e incentivaram a Igreja a mergulhar fundo na sua espiritualidade mariana:

Papa Pio IX (1846-1878)

Promoveu-a como uma das melhores formas de devoção mariana. É dele o decreto que reconhece que “o Venerável Servo de Deus Luís Maria Grignion de Montfort praticou as virtudes da Fé, Esperança e Caridade para com Deus e próximo, as virtudes cardeais da Prudência, Justiça, Fortaleza e Temperança, e as virtudes morais relacionadas, em grau heroico”. Pio IX também foi o papa que definiu solenemente o dogma da Imaculada Conceição.

Papa Leão XIII (1878-1903)

Conhecido como o “Papa do Rosário”, escreveu nada menos que onze encíclicas sobre o rosário durante o seu pontificado. Foi ele quem beatificou Montfort em 1888. Profundamente influenciado pelo “Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem”, decretou uma indulgência plenária para aqueles que praticarem a consagração mariana de Montfort.

Papa São Pio X (1903-1914)

Adotou muito da linguagem mariana de Montfort em sua encíclica sobre a Imaculada Conceição, Ad diem illum, escrevendo que, por Maria, chegamos ao conhecimento de Cristo e, também por Maria, nos é mais fácil obter a vida da qual Cristo é a fonte e origem. Concedeu uma bênção apostólica para quem lê o “Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem”.

Papa Pio XII (1939-1958)

Canonizou São Luís Maria de Montfort em 20 de julho de 1947, elogiando muito o novo santo e considerando que o seu grande segredo para atrair e dar almas a Jesus era a sua devoção a Maria. Destacou que toda a sua atividade se baseava nela e toda a sua confiança repousava nela. Constatou que, em oposição à austeridade sem alegria, ao medo melancólico e ao orgulho deprimente do jansenismo, ele promoveu o amor filial, confiante, ardente e expansivo de um servo de Maria. No espírito da consagração total proposta por Montfort e em resposta a Nossa Senhora de Fátima, Pio XII também consagrou o mundo inteiro ao Imaculado Coração da Virgem Mãe de Deus, com particular atenção a “todos os povos da Rússia”, conforme pedido da própria Santíssima Virgem nas suas aparições em Fátima, quando alertou sobre os perigos do comunismo.

Papa São João Paulo II (1978-2005)

Altamente inspirado por Montfort, relatou que “leu e releu muitas vezes e com grande proveito espiritual” os seus escritos. Encorajou os fiéis a seguirem o exemplo de Montfort, afirmando que, “ao repetir todos os dias ‘totus tuus’ e ao viver em harmonia com ela, podemos chegar à experiência do Pai com confiança e amor sem limites, à docilidade ao Espírito Santo e à transformação pessoal conforme a imagem de Cristo”. O papa polonês destacou repetidas vezes os escritos de Montfort nos muitos documentos que escreveu sobre a Santíssima Virgem e chegou a pensar em proclamá-lo Doutor da Igreja.

Como podemos ver pelo exemplo destes cinco papas, a espiritualidade mariana de São Luís Maria Grignion de Montfort não perdeu a sua potência ao longo dos anos; pelo contrário, continua sendo para todos nós um caminho rumo à união mais profunda com Cristo por meio de Maria.

Fonte: Aletéia

São Luís Maria Grigion de Montfort e Nossa Senhora, rogai por nós!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA A QUARESMA DE 2023

 

Ascese quaresmal, itinerário sinodal

 

Queridos irmãos e irmãs!

Os Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas coincidem em narrar o episódio da Transfiguração de Jesus. Neste acontecimento, vemos a resposta do Senhor a uma falta de compreensão manifestada pelos seus discípulos. De facto, pouco antes, registara-se uma verdadeira divergência entre o Mestre e Simão Pedro; este começara professando a sua fé em Jesus como Cristo, o Filho de Deus, mas em seguida rejeitara o seu anúncio da paixão e da cruz. E Jesus censurara-o asperamente: «Afasta-te, satanás! Tu és para Mim um estorvo, porque os teus pensamentos não são os de Deus, mas os dos homens» (Mt 16, 23). Por isso, «seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e seu irmão João, e levou-os, só a eles, a um alto monte» (Mt 17, 1).

O evangelho da Transfiguração é proclamado, cada ano, no II Domingo da Quaresma. Realmente, neste tempo litúrgico, o Senhor toma-nos consigo e conduz-nos à parte. Embora os nossos compromissos ordinários nos peçam para permanecer nos lugares habituais, transcorrendo uma vida quotidiana frequentemente repetitiva e por vezes enfadonha, na Quaresma somos convidados a subir «a um alto monte» juntamente com Jesus, para viver com o Povo santo de Deus uma particular experiência de ascese.

A ascese quaresmal é um empenho, sempre animado pela graça, no sentido de superar as nossas faltas de fé e as resistências em seguir Jesus pelo caminho da cruz. Aquilo precisamente de que Pedro e os outros discípulos tinham necessidade. Para aprofundar o nosso conhecimento do Mestre, para compreender e acolher profundamente o mistério da salvação divina, realizada no dom total de si mesmo por amor, é preciso deixar-se conduzir por Ele à parte e ao alto, rompendo com a mediocridade e as vaidades. É preciso pôr-se a caminho, um caminho em subida, que requer esforço, sacrifício e concentração, como uma excursão na montanha. Estes requisitos são importantes também para o caminho sinodal, que nos comprometemos, como Igreja, a realizar. Far-nos-á bem refletir sobre esta relação que existe entre a ascese quaresmal e a experiência sinodal.

Para o «retiro» no Monte Tabor, Jesus leva consigo três discípulos, escolhidos para serem testemunhas dum acontecimento singular; Ele deseja que aquela experiência de graça não seja vivida solitariamente, mas de forma compartilhada, como é aliás toda a nossa vida de fé. A Jesus, seguimo-Lo juntos; e juntos, como Igreja peregrina no tempo, vivemos o Ano Litúrgico e, nele, a Quaresma, caminhando com aqueles que o Senhor colocou ao nosso lado como companheiros de viagem. À semelhança da subida de Jesus e dos discípulos ao Monte Tabor, podemos dizer que o nosso caminho quaresmal é «sinodal», porque o percorremos juntos pelo mesmo caminho, discípulos do único Mestre. Mais ainda, sabemos que Ele próprio é o Caminho e, por conseguinte, tanto no itinerário litúrgico como no do Sínodo, a Igreja não faz outra coisa senão entrar cada vez mais profunda e plenamente no mistério de Cristo Salvador.

E chegamos ao momento culminante. O Evangelho narra que Jesus «Se transfigurou diante deles: o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz» (Mt 17, 2). Aqui aparece o «cimo», a meta do caminho. No final da subida e enquanto estão no alto do monte com Jesus, os três discípulos recebem a graça de O verem na sua glória, resplandecente de luz sobrenatural, que não vinha de fora, mas irradiava d’Ele mesmo. A beleza divina desta visão mostrou-se incomparavelmente superior a qualquer cansaço que os discípulos pudessem ter sentido quando subiam ao Tabor. Como toda a esforçada excursão de montanha, ao subir, é preciso manter os olhos bem fixos na vereda; mas o panorama que se deslumbra no final surpreende e compensa pela sua maravilha. Com frequência também o processo sinodal se apresenta árduo e por vezes podemos até desanimar; mas aquilo que nos espera no final é algo, sem dúvida, maravilhoso e surpreendente, que nos ajudará a compreender melhor a vontade de Deus e a nossa missão ao serviço do seu Reino.

A experiência dos discípulos no monte Tabor torna-se ainda mais enriquecedora quando, ao lado de Jesus transfigurado, aparecem Moisés e Elias, que personificam respetivamente a Lei e os Profetas (cf. Mt 17, 3). A novidade de Cristo é cumprimento da antiga Aliança e das promessas; é inseparável da história de Deus com o seu povo, e revela o seu sentido profundo. De forma análoga, o caminho sinodal está radicado na tradição da Igreja e, ao mesmo tempo, aberto para a novidade. A tradição é fonte de inspiração para procurar estradas novas, evitando as contrapostas tentações do imobilismo e da experimentação improvisada.

O caminho ascético quaresmal e, de modo semelhante, o sinodal, têm como meta uma transfiguração, pessoal e eclesial. Uma transformação que, em ambos os casos, encontra o seu modelo na de Jesus e realiza-se pela graça do seu mistério pascal. Para que, neste ano, se possa realizar em nós tal transfiguração, quero propor duas «veredas» que é necessário percorrer para subir juntamente com Jesus e chegar com Ele à meta.

A primeira diz respeito à ordem que Deus Pai dirige aos discípulos no Tabor, enquanto estão a contemplar Jesus transfigurado. A voz da nuvem diz: «Escutai-O» (Mt 17, 5). Assim a primeira indicação é muito clara: escutar Jesus. A Quaresma é tempo de graça na medida em que nos pusermos à escuta d’Ele, que nos fala. E como nos fala Ele? Antes de mais nada na Palavra de Deus, que a Igreja nos oferece na Liturgia: não a deixemos cair em saco roto; se não podermos participar sempre na Missa, ao menos leiamos as Leituras bíblicas de cada dia valendo-nos até da ajuda da internet. Além da Sagrada Escritura, o Senhor fala-nos nos irmãos, sobretudo nos rostos e vicissitudes daqueles que precisam de ajuda. Mas quero acrescentar ainda outro aspeto, muito importante no processo sinodal: a escuta de Cristo passa também através da escuta dos irmãos e irmãs na Igreja; nalgumas fases, esta escuta recíproca é o objetivo principal, mas permanece sempre indispensável no método e estilo duma Igreja sinodal.

Ao ouvir a voz do Pai, «os discípulos caíram com a face por terra, muito assustados. Aproximando-Se deles, Jesus tocou-lhes dizendo: “Levantai-vos e não tenhais medo”. Erguendo os olhos, os discípulos apenas viram Jesus e mais ninguém» (Mt 17, 6-8). E aqui temos a segunda indicação para esta Quaresma: não refugiar-se numa religiosidade feita de acontecimentos extraordinários, de sugestivas experiências, levados pelo medo de encarar a realidade com as suas fadigas diárias, as suas durezas e contradições. A luz que Jesus mostra aos seus discípulos é uma antecipação da glória pascal, e é rumo a esta que se torna necessário caminhar seguindo «apenas Jesus e mais ninguém». A Quaresma orienta-se para a Páscoa: o «retiro» não é um fim em si mesmo, mas prepara-nos para viver – com fé, esperança e amor – a paixão e a cruz, a fim de chegarmos à ressurreição. Também o percurso sinodal não nos deve iludir quanto ao termo de chegada, que não é quando Deus nos dá a graça de algumas experiências fortes de comunhão, pois aí o Senhor também nos repete: «Levantai-vos e não tenhais medo». Desçamos à planície e que a graça experimentada nos sustente para sermos artesãos de sinodalidade na vida ordinária das nossas comunidades.

Queridos irmãos e irmãs, que o Espírito Santo nos anime nesta Quaresma na subida com Jesus, para fazermos experiência do seu esplendor divino e assim, fortalecidos na fé, prosseguirmos o caminho com Ele, glória do seu povo e luz das nações.

Roma – São João de Latrão, na Festa da Conversão de São Paulo, 25 de janeiro de 2023.

FRANCISCO


Fonte: Vatican

Nossa Senhora das Dores, rogai por nós!

domingo, 22 de janeiro de 2023

Oração para Devoção Privada pedindo a intercessão de Bento XVI

giulio napolitano | Shutterstock

A oração tem aprovação eclesiástica, 
mas não deve ser rezada em público

O bispo da diocese de Frederico Westphalen (RS), Dom Antônio Carlos Rossi Keller, utilizou seu perfil no Instagram para publicar uma oração para devoção privada, pedindo a intercessão do Papa Bento XVI. O pontífice emérito faleceu no dia 31 de dezembro de 2022.


Mas por que uma oração para pedir a intercessão a quem ainda não foi canonizado?

Trata-se de uma tradição que acontece sempre que alguém morre com fama de santo. Com a oração, dá-se início a uma devoção, que deve acontecer apenas de forma privada. Assim, se as pessoas alcançarem graças através desta oração, essas graças podem ser levadas em conta em um futuro processo de canonização.

O bispo brasileiro reitera que a oração (abaixo) não tem finalidade de culto público e que as graças atribuídas à intercessão de Bento XVI devem ser comunicadas ao Vicariato de Roma. Vale ressaltar que a oração tem aprovação eclesiástica.


Oração para devoção privada pedindo a intercessão de Bento XVI


“Deus eterno e todo-poderoso,

que inspirastes no coração de Vosso servo, o Papa Bento XVI,

o sincero desejo de encontrar-Vos e anunciar-Vos,

tornando-se um humilde “Cooperador da Verdade”

e oferecendo-se como servo, para Cristo e para a Igreja.

Fazei com que também eu saiba amar a Igreja de Cristo

e possa seguir em minha vida as verdades eternas que ela proclama.

Dignai-Vos, Senhor, glorificar vosso servo, o Papa Bento XVI

E concedei, por sua intercessão, o favor que agora vos peço (faz-se o pedido). Amém.

Rezar o Pai Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai.”

Fonte: Aletéia

Nossa Senhora e Papa Bento XVI, rogai por nós!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

Mensagem de Natal e Bênção “Urbi et Orbi” Papa Francisco


MENSAGEM URBI ET ORBI
DO PAPA FRANCISCO
NATAL 2022

Domingo, 25 de dezembro de 2022


Queridos irmãos e irmãs de Roma e do mundo inteiro, feliz Natal!

Que o Senhor Jesus, nascido da Virgem Maria, traga a todos vós o amor de Deus, fonte de confiança e esperança, juntamente com o dom da paz, que os anjos anunciaram aos pastores de Belém:

  «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens do seu agrado» 
(Lc 2, 14)

Neste dia de festa, voltemos o olhar para Belém. O Senhor vem ao mundo numa gruta e é recostado numa manjedoura para os animais, porque os seus pais não conseguiram encontrar hospedagem, apesar de estar quase na hora de Maria dar à luz. Vem entre nós no silêncio e escuridão da noite, porque o Verbo de Deus não precisa de holofotes nem do clamor das vozes humanas. Ele mesmo é a Palavra que dá sentido à existência. Ele é a luz que ilumina o caminho. «O Verbo era a Luz verdadeira que, ao vir ao mundo – diz o Evangelho –, a todo o homem ilumina» (Jo 1, 9).

Jesus nasce no meio de nós, é Deus-connosco. Vem para acompanhar a nossa vida quotidiana, partilhar tudo connosco, alegrias e amarguras, esperanças e inquietações. Vem como menino indefeso. Nasce ao frio, pobre entre os pobres. Carecido de tudo, bate à porta do nosso coração para encontrar calor e abrigo.

Como os pastores de Belém, deixemo-nos envolver pela luz e saiamos para ver o sinal que Deus nos deu. Vençamos o torpor do sono espiritual e as falsas imagens da festa que fazem esquecer Quem é o Festejado. Saiamos do tumulto que anestesia o coração induzindo-nos mais a preparar ornamentações e prendas do que a contemplar o Evento: o Filho de Deus nascido para nós.

Irmãos, irmãs, voltemo-nos para Belém, onde ressoa o primeiro choro do Príncipe da paz. Sim, porque Ele mesmo – Jesus – é a nossa paz: aquela paz que o mundo não se pode dar a si mesmo e Deus Pai concedeu-a à humanidade enviando o seu Filho ao mundo. São Leão Magno tem uma frase que, na sua concisão latina, bem resume a mensagem deste dia: 

«Natalis Domini, Natalis est pacis – o Natal do Senhor é o Natal da paz»
(Sermão 26, 5)

Jesus Cristo é também o caminho da paz. Com a sua encarnação, paixão, morte e ressurreição, abriu a passagem de um mundo fechado, oprimido pelas trevas da inimizade e da guerra, para um mundo aberto, livre para viver na fraternidade e na paz. Irmãos e irmãs, sigamos este caminho! Mas, para o podermos fazer, para sermos capazes de seguir os passos de Jesus, devemos despojar-nos dos pesos que nos enredam e bloqueiam.

E quais são esses pesos? Que vem a ser este entulho que nos sobrecarrega? Trata-se das mesmas paixões negativas que impediram o rei Herodes e a sua corte de reconhecer e acolher o nascimento de Jesus, isto é, o apego ao poder e ao dinheiro, o orgulho, a hipocrisia, a mentira. Estes pesos impedem de ir a Belém, excluem da graça do Natal e fecham o acesso ao caminho da paz. Na realidade, é com tristeza que devemos constatar como, enquanto nos é dado o Príncipe da paz, ventos de guerra continuam a soprar, gelados, sobre a humanidade.

Se queremos que seja Natal, o Natal de Jesus e da paz, voltemos o olhar para Belém e fixemo-lo no rosto do Menino que nasceu para nós! E, naquele rostinho inocente, reconheçamos o das crianças que, em todas as partes do mundo, anseiam pela paz.

O nosso olhar se encha com os rostos dos irmãos e irmãs ucranianos que vivem este Natal na escuridão, ao frio ou longe das suas casas, devido à destruição causada por dez meses de guerra. O Senhor nos torne disponíveis e prontos para gestos concretos de solidariedade a fim de ajudar todos os que sofrem, e ilumine as mentes de quantos têm o poder de fazer calar as armas e pôr termo imediato a esta guerra insensata! Infelizmente, prefere-se ouvir outras razões, ditadas pelas lógicas do mundo. Mas a voz do Menino, quem a escuta?

O nosso tempo vive uma grave carestia de paz também noutras regiões, noutros teatros desta terceira guerra mundial. Pensamos na Síria, ainda martirizada por um conflito que passou para segundo plano, mas não terminou; e pensamos na Terra Santa, onde nos últimos meses aumentaram as violências e os confrontos, com mortos e feridos. Supliquemos ao Senhor para que lá, na terra que O viu nascer, retomem o diálogo e a aposta na confiança mútua entre palestinenses e israelitas. Jesus Menino ampare as comunidades cristãs que vivem em todo o Médio Oriente, para que se possa viver, em cada um daqueles países, a beleza da convivência fraterna entre pessoas que pertencem a crenças diferentes. De modo particular ajude o Líbano para que possa, finalmente, erguer-se com o apoio da Comunidade Internacional e com a força da fraternidade e da solidariedade. A luz de Cristo ilumine a região do Sahel, onde a convivência pacífica entre povos e tradições é transtornada por confrontos e violências. Encaminhe para uma trégua duradoura no Iémen e para a reconciliação no Myanmar e no Irão, para que cesse completamente o derramamento de sangue. E, no continente americano, inspire as autoridades políticas e todas as pessoas de boa vontade a trabalharem para pacificar as tensões políticas e sociais que afetam vários países; penso de modo particularna população haitiana, que está a sofrer há tanto tempo.

Neste dia, em que sabe bem encontrar-se ao redor da mesa recheada, não desviemos o olhar de Belém – que significa «casa do pão» – e pensemos nas pessoas que padecem fome, sobretudo as crianças, enquanto diariamente se desperdiçam quantidades imensas de alimentos e se gastam tantos recursos em armas. A guerra na Ucrânia agravou ainda mais a situação, deixando populações inteiras em risco de carestia, especialmente no Afeganistão e nos países do Corno de África. Toda a guerra – bem o sabemos – provoca fome e serve-se do próprio alimento como arma, ao impedir a sua distribuição às populações já atribuladas. Neste dia, aprendendo com o Príncipe da paz, empenhemo-nos todos – a começar pelos que têm responsabilidades políticas – para que o alimento seja só instrumento de paz. Enquanto saboreamos a alegria de nos reunirmos com os nossos, pensemos nas famílias mais atribuladas pela vida e naquelas que, neste tempo de crise económica, atravessam dificuldades por causa do desemprego e carecem do necessário para viver.

Queridos irmãos e irmãs, hoje como há dois mil anos Jesus, a luz verdadeira, vem a um mundo achacado de indiferença – uma feia doença! – que não O acolhe (cf. Jo 1, 11); antes, rejeita-O como acontece a muitos estrangeiros, ou ignora-O como fazemos nós muitas vezes com os pobres. Hoje não nos esqueçamos dos numerosos deslocados e refugiados que batem à nossa porta à procura de conforto, calor e alimento. Não nos esqueçamos dos marginalizados, das pessoas sós, dos órfãos e dos idosos – a sabedoria dum povo – que correm o risco de acabar descartados, dos presos que olhamos apenas sob o prisma dos seus erros e não como seres humanos.

Irmãos e irmãs, Belém mostra-nos a simplicidade de Deus, que Se revela, não aos sábios e entendidos, mas aos pequeninos, a quantos têm o coração puro e aberto (cf. Mt 11, 25). Como os pastores, vamos também nós sem demora e deixemo-nos maravilhar pelo Evento incrível de Deus que Se faz homem para nossa salvação. Aquele que é fonte de todo o bem faz-Se pobre [1] e pede de esmola a nossa pobre humanidade. Deixemo-nos comover pelo amor de Deus e sigamos Jesus, que Se despojou da sua glória para nos tornar participantes da sua plenitude. [2]

Feliz Natal para todos!

____________________________________________________

[1] Cf. São Gregório Nazianzeno, Discurso 45.

[2] Cf. ibidem.


Fonte: Vaticano

Menino Rei, dai-nos a Vossa Paz!

sábado, 26 de novembro de 2022

Por que o Rosário era a oração predileta de João Paulo II?

Alessia Pierdomenico | Shutterstock

Já no início de seu pontificado, São João Paulo II fez saber a todos que o Rosário era sua oração favorita - e não parou por aí

Os papas nem sempre revelam suas preferências pessoais em público, mas São João Paulo II não teve medo de revelar suas orações prediletas.

Em um Angelus de 1978, duas semanas após sua eleição, São João Paulo II disse claramente:

“O Rosário é minha oração predileta. 
Oração maravilhosa! 
Maravilhosa em simplicidade e profundidade.”

E não parou por aí. Na carta apostólica Rosarium Virginis Mariae, de 2002, João Paulo II também destacou que o Rosário o consolava nos bons e maus momentos:

“O Rosário acompanhou-me nos momentos de alegria e nas provações. 
A ele confiei tantas preocupações; nele encontrei sempre conforto.”

Em certo sentido, se você quer saber todas as razões pelas quais São João Paulo II amou o Rosário, basta ler a Rosarium Virginis Mariae. Ela contém um estudo aprofundado sobre essa devoção e as muitas razões pelas quais o pontífice polonês a amava.

Rosário e contemplação

São João Paulo II lista uma das principais razões pelas quais dizia que o Rosário era sua oração predileta e por que ele tanto incentivava as pessoas a rezarem-no:

“O motivo mais importante para propor com insistência a prática do Rosário reside no fato de este constituir um meio validíssimo para favorecer entre os crentes aquele compromisso de contemplação do mistério cristão que propus, na Carta apostólica Novo millennio ineunte, como verdadeira e própria pedagogia da santidade: 
«Há necessidade dum cristianismo que se destaque principalmente pela arte da oração». 
Enquanto que na cultura contemporânea, mesmo entre tantas contradições, emerge uma nova exigência de espiritualidade, solicitada inclusive pela influência de outras religiões, é extremamente urgente que as nossas comunidades cristãs se tornem «autênticas escolas de oração»”.

Maria e o Rosário

Para São João Paulo II, o Rosário não só oferecia um modo de contemplar os mistérios do Evangelho, mas também era uma forma de se voltar para Maria, que ele acreditava ser um “modelo de contemplação”.

Enfim, São João Paulo II fez tudo o que pôde para promover o Rosário durante seu pontificado, compartilhando com o mundo o impacto da devoção em sua vida. Com isso, ele esperava que o Rosário, de fato, pudesse nos ajudar em nosso próprio caminho espiritual.

Fonte: Aletéia

Documentos do Papa João Paulo II sobre Maria e o Rosário:

1. Carta Encíclica Redemptoris Mater (1987)




3. Catequeses do Papa JPII sobre Maria (Compiladas: 2014)


Nossa Senhora do Santíssimo Rosário, rogai por nós!

quinta-feira, 3 de novembro de 2022

Brasil: Lula cita mensagem do Papa em seu primeiro discurso como presidente eleito

CAIO GUATELLI | AFP
Lula foi eleito para o seu terceiro mandato como presidente do Brasil

Ele também prometeu "trabalhar sem descanso por um Brasil onde o amor prevaleça sobre o ódio"


Luiz Inácio Lula da Silva venceu o segundo turno das eleições e se elegeu presidente do Brasil com 50,9 % dos votos.

Pouco depois da confirmação da vitória, Lula reuniu a imprensa e aliados em São Paulo para o seu primeiro discurso como presidente eleito.

O petista começou sua fala agradecendo a Deus pela vitória. Disse ele:

“A vida inteira achei que Deus sempre foi muito generoso comigo para permitir que eu saísse de onde eu saí e para chegar aonde eu cheguei.”

Em meio ao discurso de pouco mais de 20 minutos, o presidente eleito também fez referência à uma mensagem que o Papa Francisco dirigiu aos brasileiros antes da votação no segundo turno. Lula lembrou:

“Na última quarta-feira, o Papa Francisco enviou uma importante mensagem ao Brasil, orando para que o povo brasileiro fique livre do ódio, da intolerância e da violência.”

De fato, ao final de sua audiência geral de 26 de outubro de 2022 no Vaticano, o Papa Francisco disse:

“Peço a Nossa Senhora Aparecida que proteja e cuide do povo brasileiro, que o livre do ódio, da intolerância e da violência.”

Dando continuidade ao discurso, Lula complementou:

“Quero dizer que desejamos o mesmo, e vamos trabalhar sem descanso por um Brasil onde o amor prevaleça sobre o ódio, a verdade vença a mentira, e a esperança seja maior que o medo.”

Fonte: Aletéia

Nossa Senhora da Conceição Aparecida, rogai por nós!

quinta-feira, 13 de outubro de 2022

60 Anos do Concílio Vaticano II: De Pio XII a Francisco


FOTOTECA ACI/CPP/CIRIC

Um professor de história no Instituto Católico de Lyon fala sobre estas últimas seis décadas, e para onde vamos a partir daqui

O 11 de Outubro de 2022 marcou o 60º aniversário da abertura do Concílio Vaticano II, com uma Missa celebrada pelo Papa Francisco na Basílica de São Pedro. Dos quase 3.000 bispos que participaram no Concílio, apenas cinco “padres do Concílio” ainda hoje estão vivos, incluindo um cardeal, o nigeriano Francis Arinze, que participou na última sessão em 1965. Bento XVI contribuiu para o Concílio Vaticano II como teólogo especialista, mas ainda não era bispo.

Enquanto o Papa Francisco se mostrou um filho espiritual de João XXIII, canonizando-o e defendendo também um aggiornamento da Igreja, o P. Daniel Moulinet, padre da Diocese de Moulins e professor de História no Instituto Católico de Lyon, explica como Pio XII estabeleceu as primeiras diretrizes para uma reforma da Igreja que os seus sucessores concretizaram desde então. Ele também revê o legado do Concílio Vaticano II, que o atual processo sinodal continua a infundir.

O Papa Francisco disse por vezes que um Concílio leva 100 anos a assimilar. Podemos dizer, contudo, que o Concílio Vaticano II, 60 anos depois, foi assimilado, ou ainda há temas a serem aprofundados?

Creio que foi plenamente assimilado em muitos pontos: a nível da liturgia, por exemplo, a questão da participação plenamente ativa e consciente dos fiéis foi assimilada pela maioria do povo cristão. O lugar da Sagrada Escritura é agora plenamente aceito. A estrutura de um sacramento, a sua celebração, já não é concebida sem a intervenção da Palavra de Deus. No passado, este não era necessariamente o caso. A Eucaristia é agora pensada como um “todo”; já não existe esta dissociação entre o que era chamado de “pré-missa” e a consagração. A Palavra de Deus tomou o seu pleno lugar.

Em termos de eclesiologia, muitos aspectos têm sido bem integrados. Em particular, temos visto o aparecimento da noção de “presbitério” em torno do bispo em cada diocese, e os padres estão muito mais conscientes disso do que costumavam estar. Mas ainda há coisas a explorar. A prática dos padres que ouvem os fiéis precisa de ser aprofundada. Alguns clérigos continuam reticentes, mas o Espírito Santo também fala através dos leigos, como nos lembra o Concílio.

Quais foram os precursores do Concílio? 
Podemos dizer que Pio XII previu a necessidade de mudança?

A nível litúrgico, o Papa Pio XII já tinha aberto o caminho para importantes mudanças na sua encíclica de 1947 Mediador Dei, que pôs em prática outra encíclica, Mystici Corporis Christi (1943). O desafio era pensar na Igreja como um corpo e aplicar esta visão à liturgia. Cada membro dos fiéis tornou-se assim membro de um corpo: já não se podia dizer que o padre celebrava a Missa e que os fiéis simplesmente assistiam, como num teatro.

Pio XII tinha também permitido a publicação de lecionários com tradução para a língua local, a partir dos anos 50. Em alguns países, como a Alemanha e a China, era possível celebrar a Missa na língua local antes do Concílio Vaticano II. Não era este o caso na França, mas para a celebração dos sacramentos, era possível utilizar a língua local, desde que a formulação sacramental enquanto tal fosse mantida em latim.

As pessoas têm a impressão de que tudo começou com o Concílio Vaticano II, mas isto não é verdade; houve muitas transformações antes. Podemos também apontar para o restabelecimento da Vigília Pascal em 1954. Sem o pontificado de Pio XII, o Concílio não teria tido o mesmo ponto de partida. Teria começado muito mais atrás. Pio XII fez avançar as coisas, e João XXIII amplificou o movimento iniciado pelo seu predecessor.

Os tradicionalistas censuram frequentemente o Concílio Vaticano II por ter contribuído para a crise de identidade que o catolicismo viveu a partir dos anos 70. 
Mas será que podemos pensar, pelo contrário, que esta crise poderia ter sido ainda mais violenta se não tivesse existido o Concílio?

Talvez sim, na medida em que o confronto com a modernidade poderia ter sido ainda mais frontal. Mas, na realidade, as coisas estavam em movimento há muito tempo. O ano 1965, o ano da conclusão do Concílio, pode ser considerado como um acelerador, mas não como um ponto de partida.

De fato, houve duas fases na recepção do Concílio. Nos anos 1965-68, as pessoas não se fizeram demasiadas perguntas; pensavam que a assimilação aconteceria naturalmente. Por exemplo, os grupos da Ação Católica trabalharam muito na Gaudium et Spes. Mas a implementação foi talvez um pouco funcionalista e redutora demais.

Por exemplo, criámos o conselho presbiteral com uma espécie de lógica “democrática”, assegurando que cada categoria de padres estivesse representada neste organismo: os padres trabalhadores, os padres professores, os capelães da Ação Católica, etc… Fizemos ajustamentos cuidadosos nas dioceses, mas esta lógica estava talvez demasiado centrada na adaptação ao modo de funcionamento da sociedade, sem ir ao âmago das coisas. Começamos com a superfície, sem uma âncora espiritual.

Perante as dificuldades e divisões que marcaram a segunda fase do seu pontificado, será que Paulo VI teve um sentimento de fracasso na implementação do Concílio Vaticano II, ou estava, pelo contrário, consciente da lentidão deste processo histórico?

Paulo VI, que era um homem muito sensível, tomou de frente esta crise da Igreja e sofreu com ela. Mas ocorreu uma mudança de direção após o Ano Santo de 1975. A organização deste Jubileu tinha despertado o ceticismo de alguns no seio da Igreja. No entanto, o sucesso deste Ano Santo mudou a situação. Estas grandes reuniões recordaram-nos a importância da religiosidade popular, enquanto que depois do Concílio, alguns clérigos a tinham desqualificado, desejando acolher apenas cristãos “conscientes”, com uma fé mais intelectual e fundamentada. A reabilitação da piedade popular foi um fruto importante deste Ano Santo, e o Papa Francisco insiste hoje frequentemente na importância de promover estas formas de devoção.

O outro legado importante do Jubileu de 1975 foi o reconhecimento da Renovação Carismática. Paulo VI, incitado pelo Cardeal Suenens, Primaz da Bélgica, deu aos carismáticos o seu lugar, reconhecendo-os como um fator de rejuvenescimento da Igreja, oferecendo um novo impulso. Os bispos franceses da época, formados pela Ação Católica, foram mais reticentes, mas acabaram por entrar em diálogo com este movimento nos anos 80. Isto permitiu-lhe estruturar-se, pondo simultaneamente fim à existência de certas comunidades mal reguladas.

O longo pontificado de João Paulo II é hoje objeto de muitas leituras críticas, algumas acusando-o de ter atrasado o Concílio, de ter bloqueado certos desenvolvimentos. 
Mas será isto uma falsa acusação? 
Pelo contrário, será que ele deu ao Concílio toda a sua importância no seu magistério?

Creio que o seu pontificado estava em plena consonância com o Concílio, do qual ele próprio tinha sido um ator importante. Por exemplo, o capítulo sobre ateísmo na Gaudium et Spes deve-lhe muito. Como Papa, manteve a linha do Concílio sobre liberdade religiosa, sobre ecumenismo, e sobre diálogo com outras religiões, perante aqueles que contestaram a posição que este tomou.

Ao nível da eclesiologia, ele não recuou; muito pelo contrário. Partilhou plenamente a posição do Concílio. Hoje, as críticas estão principalmente ligadas aos excessos da Cúria no final do seu pontificado, porque a sua saúde já não lhe permitia exercer plena autoridade. O mesmo fenômeno ocorreu no final do pontificado de Pio XII. Mas seria muito simplista apontar apenas estas dificuldades, porque se tratava essencialmente de um grande pontificado.

Qual foi a posição de João Paulo II sobre a sinodalidade?

Relativamente ao Sínodo, lançou uma iniciativa baseada numa intuição talvez insuficientemente explorada: sínodos continentais, para a África, Europa, Oceânia, etc. Talvez esta intuição não tenha tido o desenvolvimento que poderia ter tido, mas creio que poderia prefigurar a forma dos futuros Concílios.

Convocar hoje um Terceiro Concílio Vaticano parece impossível. Na altura do Concílio Vaticano II, todos os bispos foram formados no mesmo molde teológico europeu. Já não é este o caso. Hoje, com a globalização, a Europa já não é o centro do mundo. Assim, talvez estes sínodos continentais tenham mostrado o caminho para um Concílio descentralizado, com textos curtos distribuídos a partir de Roma, mas depois teria de se encontrar uma adaptação de acordo com continentes e países.

Pode o atual processo sinodal ser visto como uma forma de infundir o Concílio na vida da Igreja?

Sim, creio que sim, mas ainda precisamos descobrir a forma sinodal de trabalhar. Não é apenas uma questão de fazer um evento e depois voltar para casa. Acredito que o futuro da nossa Igreja reside no apostolado dos leigos e, portanto, na sua formação espiritual. Se queremos que todos participem na vida da Igreja, devemos dar importância a uma formação que permita a cada cristão experimentar um encontro pessoal com Cristo Jesus. É por ter tido esta experiência, com a ajuda do Espírito Santo, que cada um poderá encontrar a sensibilidade de fazer parte da Igreja e tomar o seu lugar na sua construção. O Papa tem razão em falar de “discípulos missionários”, mas isto pressupõe que sejamos antes de mais discípulos, ou seja, que ouçamos Jesus Cristo, que nos deixemos ensinar. As palavras devem ter um significado prático.

A comunidade cristã deve também ter uma verdadeira consciência comunitária e fraterna, de modo a que nos levemos uns aos outros. Cada paróquia deve também assumir a dimensão da diakonia, do serviço aos pobres, que é tão importante como a liturgia e a celebração. Uma relação pessoal com Jesus Cristo e uma relação fraterna dentro da comunidade cristã são, creio eu, pré-requisitos para que a vida sinodal mude pouco a pouco a vida da Igreja, e seja ajustada ao que o Senhor pede.

Fonte: Aletéia

Nossa Senhora do Rosário de Fátima, rogai por nós!

terça-feira, 20 de setembro de 2022

Papa refuta a eutanásia com apenas 3 sentenças

ALESSANDRO DI MEO/AFP/East News

No voo de volta do Cazaquistão, o Papa Francisco foi questionado sobre a eutanásia e deu uma resposta breve, porém enfática

No voo do Cazaquistão para Roma, o Papa Francisco foi questionado sobre a situação moral do Ocidente. O jornalista mencionou especificamente a eutanásia como um exemplo ao questionar o status moral da cultura ocidental.

Primeiramente, em tom de brincadeira, o Pontífice respondeu:

“É verdade que o Ocidente, de modo geral, no momento não está no nível mais alto de exemplaridade. Não é uma criança de primeira comunhão, não mesmo”.

Francisco, então, passou a falar de várias questões políticas e sociais, enfatizando longamente a questão dos refugiados, tanto na Europa quanto em outros lugares.

O jornalista voltou à questão específica da eutanásia, e o Papa deu uma resposta breve, mas enfática:

“Matar não é humano, ponto final. 
Se se mata com motivação, sim… 
no fim mata-se cada vez mais e mais. 
Matar, deixemos isso para os animais.”

O Papa Francisco conversa com jornalistas a bordo do avião que partiu de Nur-Sultan para Roma, após sua visita de três dias ao Cazaquistão.

O que o Papa já falou sobre a eutanásia

De fato, o Papa Francisco se manifesta contra a eutanásia com regularidade. Veja algumas sentenças do Pontífice que refutam com veemência a questão:

“A vida é um direito, não a morte – que deve ser bem-vinda, não administrada”;

“Se a pessoa [em cuidados paliativos] se sente amada, respeitada e aceita, a sombra escura da eutanásia desaparece ou se torna quase inexistente”;

“A prática da eutanásia, que já se tornou legal em vários estados, visa apenas aparentemente estimular a liberdade pessoal; na realidade, baseia-se numa visão utilitarista da pessoa, que se torna inútil ou pode ser equiparada a um custo”.

Em 2020, o Vaticano também divulgou uma nova declaração sobre a eutanásia. Citando a Gaudim et spes, o documento reitera que:

“O aborto, a eutanásia e a autodestruição voluntária (…) envenenam a sociedade humana, mas fazem mais mal aos que os praticam do que aos que sofrem com a lesão. 
Além disso, são uma suprema desonra para o Criador.”

Fonte: Aletéia

Nossa Senhora de La Salette e Pe. Pio de Pietrelcina, rogai por nós!

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Quantos Papas a rainha Elizabeth II conheceu?

DYLAN MARTINEZ | POOL | AFP


A importância dos encontros está no papel do monarca inglês, que é o líder institucional, embora não espiritual, da Igreja Anglicana

Tendo vivido 96 anos e reinado durante 70 deles, quantos Papas a rainha Elizabeth II conheceu ao longo das suas quase dez décadas de vida?

O último aperto de mão entre um Papa e a rainha britânica foi dado em 3 de abril de 2014, quando Francisco a recebeu no Vaticano, em seu escritório na Sala Paulo VI, para uma conversa privada que durou cerca de vinte minutos.

Antes, a rainha Elizabeth II havia se encontrado também com o Papa Bento XVI, em 16 de setembro de 2010, durante a viagem do pontífice alemão ao Reino Unido.

DAN KITWOOD | AFP

Elizabeth II já tinha estado no Vaticano durante o pontificado de São João Paulo II. Em 17 de outubro de 2000, junto com o príncipe consorte Filipe de Edimburgo, a rainha conversou com o Papa polonês durante pouco menos de meia hora. Já era o seu terceiro encontro com Wojtyla, após uma visita anterior que ela fizera ao Vaticano e uma viagem apostólica do Papa a Londres.

ARTHUR EDWARDS | AFP

A soberana britânica também foi recebida pelo Papa São João XXIII em 1961.

O primeiro encontro de Elizabeth II com um pontífice havia ocorrido dez anos antes, quando o Papa Pio XII a recebeu em 1951 – um ano antes da ascensão da própria Elizabeth ao trono do Reino Unido.

Ao longo da vida, ela visitou o Vaticano quatro vezes.

A importância de tais encontros está no papel do monarca inglês, que é o líder institucional, embora não espiritual, da Igreja Anglicana. Isto significa que cada encontro também representa um novo passo para melhorar as relações entre a Igreja Católica e a fé anglicana, separada de Roma há cerca de cinco séculos.

STEFANO RELLANDINI | POOL | AFP

Alguns anos atrás, a rainha enviou como presente ao Papa Francisco uma grande cesta com alimentos e bebidas produzidos em diferentes regiões do Reino Unido. Com o seu característico humor britânico, ela disse ao Papa que os produtos eram só para ele e que ele não precisava dá-los a mais ninguém.

Fonte: Aletéia

Nossa Senhora das Dores, rogai por nós!
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