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segunda-feira, 28 de novembro de 2022

As sutilezas acabam com a pureza!



Nossa Senhora das Graças, rogai por nós!

sábado, 5 de novembro de 2022

Tenha cuidado com as suas crianças!



Nossa Senhora Castíssima, rogai por nós!

sexta-feira, 4 de novembro de 2022

A felicidade de Laura Pausini com a Primeira Comunhão da filha

Instagram @laurapausini
Cantora Laura Pausini, o marido e a filha, que fez a Primeira Comunhão

A cantora compartilhou com os seus seguidores a comemoração familiar deste marco importante na vida da filha

A agenda da cantora Laura Pausini está cheia. Mas a cantora abriu um espaço para um compromisso familiar muito importante: participar da Primeira Comunhão da filha Paola, de 9 anos, e comemorar com a família este marco importante na vida religiosa da pequena.

A artista quis compartilhar sua alegria com seus quase 4 milhões de seguidores no Instagram. É por isso que ela publicou imagens em que pode ser vista rodeada pela família, amigos e o marido, o produtor musical Paolo Carta.

Laura Pausini tem 48 anos e, atualmente, vive entre Roma e sua fazenda em Castel Bolognese (Itália). Em suas redes sociais, a cantora internacionalmente famosa escreveu algumas palavras sobre o que significou ver a filha receber a Primeira Comunhão:

“Primeira comunhão de Paola ❤️

“O amor me explicou tudo, o amor resolveu tudo para mim.
Por isso admiro o amor onde quer que seja encontrado.”
(Papa João Paulo II)

Cada um de nós tem seu Deus, símbolo de amor e de paz.
Paola está aprendendo cada dia mais o significado da igualdade, a fraternidade e o amor.”

A mensagem foi publicada em cinco idiomas: inglês, francês, italiano, português e espanhol.

Paola feliz, junto aos pais

Na celebração, a pequena Paola estava vestida de maneira clássica e bonita, com uma túnica branca e um crucifixo de madeira no peito. O penteado destacou seu cabelo levemente ondulado adornado com uma tiara de pequenas flores brancas. Quanto à joalheria, notou-se a simplicidade: Paola usava uma pulseira com medalha, possivelmente o escapulário.

A menina, ao sair da igreja, trocou de roupa e aproveitou vários presentes: ganhou uma bicicleta, um relógio e mais algumas pulseiras.

Paola e sua bicicleta, após a Primeira Comunhão

A comemoração, não ultrapassou os 40 convidados, ou seja, Laura Pausini priorizou a família e fez da filha Paola a estrela do dia.

Fonte: Aletéia

Jesus, Maria e José, nossa Família Vossa É!

segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Beata Mártir Benigna, Heroína da Castidade, Primeira Beata do Ceará

A imagem oficial da primeira Beata do Ceará, a Mártir Benigna 


Biografia

Benigna Cardoso da Silva, nascida no Sítio Oiti – Santana do Cariri-CE, no dia 15 de outubro de 1928, filha de José Cardoso da Silva e Thereza Maria da Silva, ficou órfã de pai e mãe muito cedo, sendo adotada juntamente com seus irmãos mais velhos pela família “Sisnando Leite”, proprietária do Oiti dos Cirineus, no distrito de Inhumas.

Sua infância foi cercada pela alegria das inocentes brincadeiras com cantigas de roda, bonecas, casinha, piqueniques, passeios etc., ao lado de suas irmãs de criação Tetê e Irani, que ainda vivem. Benigna gostava muito de uma cantiga de roda que dizia mais ou menos assim: “Carneirinho, carneirão, neirão, neirão, olhai pro céu, olhai pro céu, pro céu, pro céu, para ver Nosso Senhor, Senhor, Senhor, e todos se ajoelharem…”

Era uma jovem muito simples e cheia de humildade. De estatura média, Benigna era magra, de cabelos e olhos castanhos meio ondulados, morena clara, rosto arredondado e queixo afinado. Tinha um leve estrabismo em um dos olhos.

Modesta por natureza, tímida, reservada e meditativa, não usava vestidos sem mangas, curtos nem com decotes. Sua generosidade, carisma e simpatia a fazia querida e cativada por familiares, amigos e conhecidos, tornando-se um modelo de juventude para época.

Em casa, desenvolvia bem todas as tarefas domésticas, com intuito de ajudar sua família adotiva. Era boa filha, sempre obediente e prestativa.

Extremamente religiosa e temente a Deus, nutria um grande desejo de fazer a Primeira Eucaristia, e depois desse sonho realizado, seguia à risca os mandamentos divinos. Não perdia as missas e fazia penitência nas primeiras sextas-feiras em devoção ao Sagrado Coração de Jesus, sempre na companhia de sua “madrinha Ozinha” e da “Tia Bezinha.” Era assídua na participação eucarística.

Aos 12 anos de idade, já lendo e escrevendo, Benigna começou a ser assediada por um rapaz chamado Raul Alves com propostas de namoro, rejeitadas de forma categórica por ela, que nada queria com ele a esse respeito. Depois de várias tentativas sem sucesso, numa tarde fatídica de sexta-feira, dia 24 de outubro de 1941, sabendo que Benigna ia pegar água numa cacimba próxima à sua casa, ficou Raul à espreita atrás do mato, observando-a com o pote na cabeça, com seus recém completados 13 anos. Ao aproximar-se, abordou-a sexualmente. Ela recusou, ele insistiu tentando violentá-la. Ela disse “não” com veemência e lutou heroicamente para se defender do ato pecaminoso, que no seu entender cristão ofenderia seu corpo.

Raul, ao perceber que Benigna nada aceitaria com o mesmo, foi tomado por um ódio feroz; sacou de um facão atroz e a golpeou cortando-lhe os dedos da mão. Ela relutou de forma sobre-humana contra seu algoz, preferindo morrer a pecar contra a castidade. Depois disso, foi atingida na testa, nas costas e por fim no pescoço, cujo golpe deixou-lhe a cabeça quase decepada.

Ao vê-la morta, com o corpo estendido sobre as pedras e o sangue inocente se esvaindo pelo chão, Raul foge, sendo o corpo da vítima encontrado logo em seguida já sem vida.

Seu corpo foi sepultado na manhã do sábado, no Cemitério Público São Miguel, em Santana do Cariri-CE, acompanhado de comoção geral. Os requintes de crueldade do bárbaro crime abalou todo o Município. Desde essa data, começaram as visitas ao túmulo e ao local do martírio até o tempo presente. As rogativas feitas à “Santa de Inhumas”, assim como as promessas são geradoras de graças alcançadas por intercessão dessa memorável jovem , que é tida por todos como “santa” e “Heroína da Castidade”.

"Benigna, em vida, foi vista como uma pessoa santa
Era muito dedicada aos estudos - era a primeira da classe, caridosa, amante da natureza e dos animais, extremamente religiosa, com assídua participação na Eucaristia aos domingos
Recebeu de presente uma bíblia do pároco na época que virou livro de cabeceira: ela lia as histórias e trazia para a sua vida como reflexão, transmitindo aos amigos e sendo até catequista por ensinar a Palavra de Deus
também nutria devoção especial a Nossa Senhora do Carmo a quem sempre invocava para a livrar do inferno
Aos 12 anos, começou a ser assediada por um rapaz chamado Raimundo Raul Alves Ribeiro que sempre rejeitou. 
Após várias tentativas de aproximação, ele armou uma emboscada por volta das 16h de 24 de outubro de 1941 após chegar da escola e quando ia buscar água próxima de casa: ele a abordou sexualmente. Ela rejeitou por ver no ato uma ofensa a Deus e, em consequência, ele a golpeou várias vezes com facão, tirando a sua vida. Desde então, ela é invocada como mártir, heroína da castidade, mártir da pureza." 
(Danilo Sobreira, coordenador de Pastoral da Paróquia Senhora Sant'Ana de Santana do Cariri)


A devoção à Menina Benigna

Espontaneamente - e por muitas décadas - as pessoas iam até o local onde ela foi assassinada para rezar e pedir a sua intercessão, acender velas e colocar flores. O local do martírio foi marcado na época com uma cruz fincada no chão, que depois se tornou um monumento. Em 2004, um grupo de leigos provenientes de Natal-RN decidiram, então, celebrar uma missa na data e no local do martírio em Santana do Cariri. Mas, como o local é de difícil acesso e de propriedade privada, o povo construiu próximo dali uma capela, construída de pedra cariri, em 2005.

A partir daí as romarias começaram a ser promovidas, cresceram e ganharam mais importância quando a Igreja assumiu a causa em 2013, tendo início o processo diocesano para a beatificação. Já em 2019, o público estimado na romaria chegou a 30 mil pessoas. Para 2022, então, a cidade espera receber - sobretudo pela cerimônia de beatificação - cerca de 60 mil pessoas.

Em 3 de outubro de 2019, o Papa Francisco autorizou a beatificação da menina morta, abrindo caminho para a canonização no Vaticano.

Lutou como uma garota

Aos 13 anos, o machismo martirizou Benigna. Enquanto a Igreja autorizou a beatificação da menina morta, em outubro de 2019, "santa" ela já é desde 1941 no povoado de Inhumas

Com todas as forças, aos 13 anos de idade, Benigna lutou como uma garota. Foi depois de ser covardemente emboscada por um homem que tentou violentá-la. Seu corpo era seu e ponto. Mas conta a história, entre os moradores no distrito de Inhumas, em Santana do Cariri, que mesmo tendo dito a Raul Alves (inúmeras vezes) que não queria namorá-lo, o rapaz embruteceu na recusa. O machismo se incomoda com o não.

Raul Alves se materializou em misoginia. Espreitou Benigna e a perseguiu pelo caminho usado pela menina para ir buscar água em um poço. Facão na mão e diante de mais um desaceito da órfã de pai e mãe, Raul acabou reforçando a pecha de que todo homem é um abusador em potencial.

Benigna não imaginava que não aceitar compartilhar afetos com um homem despertaria violência tamanha. Antes, havia sido assediada. Os moradores mais antigos de Inhumas contam que o rapaz era um sujeito como outro qualquer: "normal". E por isso, ninguém acreditava que ele fosse capaz de tentar estuprar e matar uma garota.

Quando começaram os assédios, a adolescente procurou o padre Christiano Coêlho para se socorrer das perseguições de Raul. O vigário teria orientado que ela fosse estudar em Santana do Cariri. Como a palavra de uma garota no sertão do Ceará, há 78 anos, valia quase nada e ser "macho" era a convenção, ninguém foi ao delegado nem ao juiz.

O assassino foi preso, pagou pelo seu crime e, arrependido, voltou ao local 50 anos depois para chorar, elevar preces e pedir perdão a Benigna. Neste retorno, relatou sua mudança de vida, sua conversão ao cristianismo. Fez penitências para salvar sua alma, e pedindo a intercessão de Benigna, alcançou graças sempre recorrendo à sua inocente vítima, a quem sempre rogava nas horas de aflição. Segundo ele, seu ato foi de loucura e “ela se mostrou virtuosa, quando resistiu para não pecar e não apenas para ver se escaparia.”

Em documento da igreja, há quase oito décadas, o padre Chistiano escreveu: 

"Morreu martirizada às 4 horas da tarde, do dia 24 de outubro de 1941, no Sítio Oiti, heroína da castidade. 
Que sua santa alma converta a freguesia e sirva de proteção às crianças e às famílias da província. 
São os votos que desejo a nossa santinha".

A relação entre mulheres e homens, em Inhumas, não tomou outro rumo depois do assassinato de Benigna. Porém, o martírio da mocinha acabou santificando-a no povoado. Mesmo sem o aval da igreja católica, o túmulo, o local da última agonia, o vestido vermelho de bolinhas brancas, o pote, a rodilha e até a água do poço viraram relicários da menina santa do mato. "De 1942 para 1943, as pessoas começaram a vir pagar promessas por graças alcançadas pela intercessão de Benigna", religa Maria da Penha Pereira, da Comissão de Beatificação e coordenadora do Memorial da garota.

Até 2009, as missas e as manifestações de fé dos devotos de Benigna eram ignoradas pela Diocese do Crato. Porém, em 2010, dom Fernando Panico foi a Inhumas e determinou a instalação de uma comissão diocesana para dar início ao processo de beatificação.

Não era para menos. Maria da Penha afirma que na última romaria dedicada à Menina, em outubro do ano passado, pelo menos 30 mil fieis se encontraram para celebrar a memória de Benigna. No Vaticano, ela virou Serva de Deus e, neste mês de outubro, o Papa Francisco ordenou a beatificação. Em Inhumas, ela já havia sido santificada.

ROMARIAS. As romarias pela Menina Benigna ocorrem em 15 de outubro, data do nascimento da garota (1928), e em 24 de outubro, dia do martírio (1941).


Beata Benigna, rogai por nós!

quinta-feira, 12 de maio de 2022

APOSTOLADO DA MEDALHA MILAGROSA



Orientações sobre este apostolado

O Apostolado da Medalha Milagrosa nasceu de uma inspiração dada ao Padre Gabriel Vila Verde. Não é um movimento, não é uma pastoral, muito menos uma nova comunidade. Somos uma missão, uma "corrente", um "elo" de pessoas que reconhecem a importância da Medalha Milagrosa e desejam divulgar os seus benefícios a todos que precisam.

Nossa Senhora prometeu à Santa Catarina Labouré que a Medalha seria um canal de graças extraordinárias para todos aqueles que a usassem ao pescoço, e disso nós somos testemunhas. São quase 200 anos da revelação da Medalha e milhões de relatos de graças alcançadas no mundo inteiro: verdadeiros e espantosos milagres que desafiam a ciência; conversões prodigiosas e inesperadas; livramentos e proteção em diversas ocasiões. 
Tudo isso proclama e confirma a eficácia da Medalha Milagrosa na vida das pessoas.

Vários papas abençoaram a Medalha Milagrosa e recomendaram a sua divulgação
Inúmeros santos, beatos e veneráveis que a usavam e distribuíam aos outros, como São Maximiliano Kolbe, São João Maria Vianney e Madre Tereza de Calcutá. 
Por isso também nós queremos fazer parte desta família e seguir os seus exemplos. 
Muitas são as graças que Deus tem reservado para derramar sobre os membros deste apostolado.


Para fazer parte dos Apóstolos da Medalha Milagrosa é necessário alguns compromissos

1) Ser Católico Apostólico Romano e não ter qualquer tipo de envolvimento com outras igrejas ou religiões.

2) Conhecer o mínimo da história da Medalha Milagrosa para saber contá-la a quem desejar conhecer.

3) Ter vida ativa na Igreja, como ir à Missa aos domingos e receber os sacramentos sempre que houver necessidade.

4) Dar bom testemunho de cristão por onde passa. O Apóstolo da Medalha Milagrosa deve se abster de todo e qualquer tipo de escândalo, para não ser pedra de tropeço na vida dos outros nem dar ocasião para que alguém critique ou escarneça das coisas de Deus.

5) Ser devoto do Santo Rosário, rezando ao menos um Terço por dia, pois ele é a arma que Nossa Senhora nos deu para vencer os males visíveis e invisíveis. Deve também rezar a novena diariamente, por si e pelos outros.

6) Usar a Medalha com o cordão azul ao pescoço, sem escondê-lo dentro da roupa nem colocar outros objetos no mesmo cordão. Aqueles que fazem uso do escapulário ou de outro sacramental, deve usá-lo de modo que não substitua o cordão azul.

7) O cordão possui três nós, simbolizando as três virtudes que o apóstolo da Medalha deve procurar viver: Verdade, Humildade e Caridade. Anunciar a verdade do Evangelho, viver na humildade de Maria e praticar a caridade, segundo as obras de misericórdia que a Igreja nos recomenda.

8) Este cordão é preparado e abençoado pelo Padre Gabriel Vila Verde e só poderá ser usado por aqueles que forem admitidos ao apostolado mediante o preenchimento do formulário e recebimento do diploma. Ninguém está autorizado a fazer ou usar este símbolo de forma particular e individual.

9) O apóstolo da Medalha deve se comprometer a distribuí-la gratuitamente sempre que possível. Na família, nos hospitais, nos presídios, nas maternidades, nos eventos da Igreja, nas ruas, etc. São Maximiliano nos diz que a Medalha deve ser entregue a todos sem distinção, principalmente àqueles que precisam de conversão. Pessoas de outros credos, ateus, dependentes químicos, prostitutas, enfim. Todos devem ter a oportunidade de um encontro com Deus através da Medalha Milagrosa. Só é recomendado a prudência de não oferecê-la a alguém que recuse ou ameace jogá-la fora.

10) O Apóstolo da Medalha não deverá, sob hipótese alguma, vender as medalhas. Nossa missão não tem interesses lucrativos nem pode comercializar as bênçãos de Deus. Cada apóstolo se responsabilizará pela aquisição das medalhas (sem o cordão azul) para que sejam distribuídas gratuitamente a quem pedir.

11) O cordão deve ser usado diariamente, podendo retirá-lo ao dormir ou antes do banho. Os homens se abstenham de usar o cordão azul sem camisa ou com roupas curtas, e as mulheres evitem usá-lo com decotes, roupas curtas e sensuais. A modéstia equilibrada e sem exageros é um pré-requisito para quem deseja ser sinal da presença de Maria no mundo. De que adianta usar o cordão da Virgem Maria e dar um contra-testemunho no vestir-se?

12) Não exibir o cordão azul por vaidade ou como um troféu. Pelo contrário, ele só aumenta a nossa responsabilidade de cristãos com o objetivo de sermos sal da terra e luz do mundo. O Apóstolo da Medalha Milagrosa não deve aparecer, mas deixar que Cristo apareça através do seu testemunho de vida.



Nossa Senhora das Graças da Medalha Milagrosa, rogai por nós!

quinta-feira, 31 de março de 2022

Orientações do EXORCISTA: Pe. Roberto


VIRTUDES

- OBEDIENCIA

1. Dócil ao Espírito
2. Obediência as Escrituras 
(Ler a Bíblia, Meditar, Orar, Contemplar)

- PUREZA
- HUMILDADE




Nossa Senhora. rogai por nós!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

Nudez, puritanismo e sensibilidade católica

Diego Velázquez | Public Domain


A má reação a uma foto do recém-beatificado Carlo Acutis usando calção de banho destaca uma tendência que desconsidera a compreensão histórica da Igreja sobre Cristo encarnado

Alguns grupos católicos nos EUA reagiram mal a uma foto em que Carlo Acutis (o jovem italiano recentemente beatificado) aparece de calção de banho durante as férias em família. Algumas pessoas questionaram se essa seria “a roupa de um santo”. A questão seria risível se não fosse o sintoma de algo mais grave. Ficar escandalizado com um menino aproveitando suas férias é simplesmente absurdo, mas o comentário revela uma concepção distorcida sobre a santidade.

Santa Teresa e a humildade

No sexto livro de O Castelo Interior, Teresa d’Ávila definiu a humildade como andar en verdad, “caminhar na verdade”. Nesse sentido, andar (caminhar) refere-se a uma disposição geral do ser. Uma tradução alternativa (e talvez mais abrangente) da definição de Teresa d’Ávila pode ser “humildade é estar na verdade”, ou talvez até mesmo “ser verdadeiro”, reconhecendo suas próprias falhas e virtudes, esquivando-se dos excessos de orgulho e vergonha, vaidade e auto-aversão, descuido e escrúpulos.

Mas esse ser na verdade tem implicações mais amplas. Assim como a definição de Teresa é (em primeiro lugar) um convite para enfrentar, aceitar e trabalhar os aspectos muitas vezes contraditórios da existência pessoal, ela também pode ser lido como uma exortação a aceitar a realidade.

Não importa o quanto queiramos, um cachorro não é um pássaro — tanto quanto um ser humano não é apenas uma engrenagem em uma máquina. Claramente, essa humilde aceitação da realidade não é puro conformismo com o status quo. É, pelo contrário, um desafio que exige um treinamento interminável na arte de ser capaz de distinguir o certo do errado, o verdadeiro do falso. A diferença entre um e outro, a história (infelizmente) provou uma e outra vez, nem sempre é clara. Afinal, essa foi a pergunta de Pilatos: “o que é a verdade?” (Cf. Jo 18, 38).

Francisco de Assis e a arte medieval

A vida contemporânea é assombrada pelo fantasma de uma sensibilidade hiperbólica, muito facilmente chocada ou ofendida, que tende a ver razões para se escandalizar onde muitas vezes não há. O puritanismo contraria a humildade quando faz do próprio eu ofendido o critério por meio do qual tudo deve ser medido, muitas vezes fazendo muito barulho por nada. Não é preciso dizer que nossa sensibilidade pessoal nem sempre está necessariamente alinhada com a verdade.

“Maria lactans”, pintura de Andrea Solario (1460-1522), Paris, Museu do Louvre. Sailko | CC BY-SA 3.0

Esse tipo de puritanismo não é incomum. Inúmeros santos sofreram com isso. Todos se referem a essa tendência como uma doença da alma. Como qualquer doença, escrúpulos puritanos podem ser bastante contagiosos. Os excessos da cultura do cancelamento são apenas uma manifestação coletiva disso. Obras clássicas que antes eram consideradas canônicas (incluindo a Odisseia, de Homero) foram removidas dos currículos em várias universidades dos EUA por todos os tipos de razões (irracionais).

Em seu (já clássico) The Sexuality of Christ in Renaissance Art and in Modern Oblivion, o notável historiador da arte Leo Steinberg argumenta que, como resultado da ascensão da Ordem Franciscana na segunda metade do século XIII, uma ênfase na nudez de Cristo e, portanto, em sua humanidade, desenvolveu-se na teologia, filosofia e arte, que passaram a ser mais centradas no ser humano.

Na verdade, um lema bem conhecido da Ordem Franciscana era nudus nudum Christum sequi (“seguir nu ao Cristo nu”). Como Lee Siegel explica, esse foi “um apelo radical para deixar de lado riquezas e pertences mundanos e reconhecer a natureza frágil e decaída de todos os homens e mulheres”. Enquanto os artistas bizantinos não destacaram a imagem do corpo desnudo de Cristo (ocupados em provar a divindade de Cristo, diante de cismas e iconoclastias), os artistas católicos do final da Idade Média e do Renascimento tinham espaço para se concentrar em sua humanidade.

Giovanni Bellini, A circuncisão de Cristo (por volta de 1500), óleo sobre painel. National Gallery, Londres. PD
Atelier de la Sainte Face

Artistas medievais e renascentistas representavam livremente a nudez de Cristo, nem mesmo coberto com um lenço, para destacar a Encarnação. Representações de Maria amamentando também seriam usadas com a mesma intenção teológica. A revelação da nudez, explica Steinberg, mostraria a radicalidade da Encarnação de Cristo e, consequentemente, seu amor pela humanidade.

Na verdade, o Cristo nu não tão conhecido de Michaelangelo pretende retratá-lo como um descendente de Davi conforme a carne; a pose de Cristo, claramente semelhante à de Davi, aponta para sua pertença mútua à Árvore de Jessé. Até mesmo as representações medievais populares da circuncisão do menino Jesus foram lidas como predizendo a crucificação — como se o primeiro sangue derramado pelo Menino nu fosse mais tarde cumprido no sangue derramado das chagas do Cristo nu na Cruz. As relíquias supostamente pertencentes à circuncisão de Jesus eram de fato tão populares quanto as de sua Paixão (e muitas vezes desfilaram em 1o de janeiro, na Festa da Circuncisão).

Steinberg explica como as chagas da Paixão também eram comumente pensadas do ponto de vista relacionado à maternidade. Através delas, os crentes nascem em uma vida nova e eterna. Até mesmo o sangue e a água derramados da ferida lateral de Cristo foram comparados ao leite de Maria, sustentando e alimentando os fiéis à medida que eles cresciam na fé. Todas essas reflexões teológicas e sacramentais teriam sido impossíveis se não fosse por um profundo respeito pelo corpo nu, despojado e torturado de Cristo.

Considerando tudo isso, pode-se argumentar com segurança que os corpos (e os corpos nus e despojados em particular) não eram necessariamente motivo de escândalo para nossos antepassados na fé, mas sim um locus fundamental da vida espiritual. É possível que nossa época, obcecada com realidades virtuais e metaversos, tenha esquecido disso. Mas também, uma compreensão excessivamente espiritualizada da vida religiosa apoia há muito tempo um pseudo esquecimento pouco ortodoxo da Encarnação de Cristo, apesar do lembrete cerimonial semanal: “isto é o meu Corpo“.

Fonte: Aletéia

Nossa Senhora, Mãe de Deus, rogai por nós!

sábado, 24 de julho de 2021

Meditação: Sobre a Beleza Feminina


"A beleza não é apenas uma fulgor, mas também uma harmonia: é a harmonia das proporções que constitui a perfeição. 

O homem que possuísse essa harmonia seria o homem perfeito. 

Mas existe na beleza da mulher uma expansão mais luminosa e uma graça mais delicada, que constituem o encanto (charme). Quer seja uma camponesa, uma rainha, uma grande dama ou uma simples operária, uma mulher pode sempre refinar-se mais que um homem e chegar a esta beleza harmoniosa dos gestos, ou mesmo das formas, que determinará seu charme particular. 

Não duvide de que aí se encontra uma virtude, em vez de uma vaidade, quando a beleza é empregada a serviço do bem e do aperfeiçoamento da alma. 

Tudo isso exige esforço, e um esforço é sempre um ato de virtude

Cultive, portanto, como afirma São Francisco de Sales, tanto seu rosto como seu coração, a fim de que o fogo que brota nesse coração ilumine seu rosto com o brilho celeste, semelhante àquele de Nossa Santíssima Mãe Maria, a mais bela dentre as muheres".


Fonte: A Imitação da Bem-Aventurada Virgem Maria

Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós!

domingo, 24 de novembro de 2019

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Perguntas e Respostas sobre a Consagração Total a Jesus por Meio de Maria



Antes de você pensar ou se decidir ou marcar o dia da sua consagração, você precisa ler e reler o Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem!

1. Em que consiste a Consagração a Jesus por Meio de Maria e quem pode se consagrar?

Como nos ensina São Luís, eis que a perfeita consagração a Jesus Cristo nada mais é que: 

120. "(...)uma perfeita renovação dos votos e promessas do santo batismo." 
(TVD)

Sendo assim, pode se consagrar todo aquele que já recebeu o Sacramento do Batismo e do Crisma.

E aquele batizado que, Consagrado, ainda não Confirmou o seu Batismo, sugiro que inicie a Catequese para que seja Crismado, afinal, Consagrado que não é Crismado não está vivendo plenamente o seu Batismo, uma vez que não o Confirmou (ver n. 127 e 128 do TVD).

2. Posso me Consagrar sem ler o Tratado da Verdadeira Devoção?

Não.
Aliás, deve ler o Tratado e reler, marcando, riscando as partes que acha importante e que te chamaram atenção. Isso é importante para quando for lê-lo novamente.

3. Posso começar a preparação ser ter terminado de ler o Tratado?

Não.
Como você vai se preparar para algo que não sabe o que é? E nem como deve ser feito?
Porque se não terminou de ler o Tratado, não sabe ainda como deve ser feito, o que deve ser feito, por isso ouvimos e lemos tantas perguntas absurdas de pessoas que dizem que estão se preparando e, pasmem, de pessoas que já se consagraram. 
E o mais impressionante é que, por vezes, são dúvidas que o próprio Tratado responde!
Se já leu e ainda tem dúvidas, leia novamente!
Não se consagre com dúvidas.

4. A resposta para minha dúvida não está no Tratado. E agora?

Se você leu e releu e não está mesmo no TVD, então, muito provavelmente, não é obrigatório fazer ou usar. 
Simples assim.
O que é obrigado fazer, São Luís diz no Tratado.
O que é bom fazer, mas não é obrigado fazer, São Luís também deixa claro no Tratado.
Por isso, leiam e releiam o Tratado.

No entanto, atentem que, há questões que são próprias e inerentes ao Católico, ao ser Batizado, então, você deveria já está vivendo desta forma pelo simples fato de ser católico, portanto, veja se a resposta para sua dúvida não está no Catecismo da Igreja Católica (aquele amarelinho).


5. O que é o Valor Satisfatório e o Valor Meritório?

122. (...) O valor satisfatório ou impetratório de uma boa obra é uma boa ação na medida em que satisfaz a pena devida pelo pecado, ou em que obtém uma nova graça; o valor meritório ou o mérito é uma boa ação, em quanto merece a graça e a glória eterna.
(TVD)

6. Que valores damos na Consagração a Jesus por meio de Maria?

As satisfações e os méritos de nossas boas obras. (n. 122, TVD).

7. Os valores podem ser comunicados a outra pessoa?

Os valores satisfatórios podem ser comunicados a outras pessoas mas, nossos méritos (virtudes e graças) são incomunicáveis. (n. 122, 146-149, TVD)

8. Essa Consagração impede que rezemos e peçamos pelos outros, vivos ou mortos?

Não. (n. 132, TVD)
Podemos e devemos continuar intercedendo pelos vivos e pelos mortos.

9. Essa prática é nova ou sem importância?

131. (...) os concílios, os padres e muitos autores antigos e modernos falam desta consagração a Nosso Senhor ou renovação das promessas do batismo, como de uma prática antiga, aconselhando-a a todos os cristãos. Esta prática também não é sem importância, pois a principal fonte de todas as desordens e consequente condenação dos cristãos está no esquecimento e indiferença por esta renovação
(TVD)

10. Como devo me preparar para a Consagração  a Jesus por Meio de Maria?

Após ler e reler o Tratado da Verdadeira Devoção e, conscientes do que é a Consagração e decididos a fazê-la e vivê-la, você irá se preparar da seguinte forma:

  • 12 Dias Preliminares de Exercícios Preparatórios: Desapego e Desprezo do Mundo (n. 213-225 e 227 TVD);
  • 1⁰ Semana (6 Dias): Conhecimento de Si Mesmo (n. 228, TVD);
  • 2⁰ Semana (6 Dias): Conhecimento da Santíssima Virgem (n. 229, TVD);
  • 3⁰ Semana (6 Dias): Conhecimento de Jesus Cristo (n 230, TVD)


11. Preciso me preparar em grupo ou posso me preparar só?

Para se consagrar você só precisa ler o Tratado e fazer a Preparação conforme ensina São Luiz, não precisa ser em grupo, pode ser só.

12. O que devo fazer após a preparação e no dia da Consagração?

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Pe. Gabriel Vila Verde dá sadio puxão de orelhas: “Tenha personalidade! Seja você!”

Rachel Lees/Unsplash | CC0



Preocupado com o que os outros vão falar se você vive a sua fé? "Veja onde São Francisco está hoje e procure saber onde estão aqueles que o criticaram"

pe. Gabriel Vila Verde compartilhou via Facebook um chamado importante a cada um de nós:

Tenha personalidade! Seja você, em qualquer lugar do mundo, estando só ou acompanhado (a). Falo isso para os católicos que, por medo do que os outros vão dizer, deixam de viver como Deus pede.

Uma jovem me dizia que tinha medo de usar saia e véu, com medo da língua do povo. Eu respondi o seguinte: “É melhor ser chamada de santa por usar véu e saia, que ser chamada de outra coisa por usar shortinho e tomara que caia”.

Seja você! Não se modele pela opinião da maioria, até porque ninguém paga seus boletos! A opinião do mundo vale pouco ou nada.

Lembre-se de Francisco de Assis, que se despiu de suas vestes luxuosas em praça pública e vestiu a túnica mais pobre da época. Veja onde Francisco está hoje e procure saber onde estão aqueles que o criticaram.

Fonte: Aletéia

Nossa Senhora, rogai por nós!

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Por que viver a Modéstia?

Em meu último artigo sobre modéstia, defini essa virtude e expliquei por que ela é essencial, e não opcional, à vida cristã. Ela está longe, é fato, de ser a virtude mais importante; mas, ainda assim, vivê-la é uma proteção contra um sem número de perigos, enquanto desprezá-la é um convite a uma multidão de pecados.

A modéstia é uma profunda necessidade humana. Por isso, não é possível rejeitá-la senão à custa da própria integridade e autoestima. Quantas mulheres não haverá por aí, feridas em sua dignidade, assombradas pela lembrança de terem sido usadas uma e outra vez apenas por causa de seus corpos? São vítimas de má instrução, de má educação, de maus conselhos. São mulheres carentes de modéstia, virtude intimamente vinculada ao fato e à percepção da dignidade humana. E por terem sofrido a falta que faz tal virtude, dela necessitam ainda mais para poder recuperar sua dignidade e a consciência do quanto valem, simplesmente por serem pessoas, que merecem ser amadas por si mesmas. Todo o mundo quer ser amado como pessoa, não como coisa; como um quem, não como um quê.

O cristão é chamado a proclamar a primazia do divino sobre o humano e deste sobre o animal. Reconhecemos, assim, a bondade natural e a capacidade de tornar-se santo de todo corpo animado por uma alma imortal, criada à imagem e semelhança de Deus: “O Senhor Deus formou, pois, o homem do barro da terra, e inspirou-lhe nas narinas o sopro da vida e o homem se tornou um ser vivente” (Gn 2, 7); “Vós me tecestes no seio de minha mãe […], nada de minha substância vos é oculto, quando fui formado ocultamente, quando fui tecido nas entranhas subterrâneas” (Sl 138, 13.14).

O corpo é criação de Deus, templo do Espírito Santo, purificado e ungido no batismo, herdeiro da promessa de ressuscitar um dia para a eterna bem-aventurança. A nossa aparência e o nosso comportamento deveriam ser testemunhas da verdade caracteristicamente católica — atestada com toda a clareza no Novo Testamento — de que tanto o matrimônio como o celibato honram o corpo humano como algo digno de amor, como canal da graça e sinal sagrado, quando consagrado pelos sacramentos de Jesus Cristo: “O corpo não é para a impureza, mas para o Senhor e o Senhor para o corpo” (1Cor 6, 13).

Quer se trate do corpo físico, do corpo político ou do Corpo místico, cada um deles é, à sua maneira, uma unidade composta de várias partes distintas, distribuídas e relacionadas hierarquicamente. A pessoa humana, neste sentido, consiste numa hierarquia de elementos que lhe compõem a personalidade: há muitos níveis e camadas do “eu”, e nem todas elas devem estar à mostra. Um igualitarismo antropológico radical, que atribui igual valor ao corpo e à alma, ou às diferentes potências da alma — pondo, por exemplo, a imaginação ou a vontade no mesmo nível que a inteligência —, não está menos equivocado do que o igualitarismo político ou eclesiológico. 



A dimensão corporal da pessoa é inseparável do seu significado sacramental, sobretudo quando falamos do corpo nu. Este é o dom mais expressivo que os esposos podem oferecer um ao outro. Ao darem seus corpos, eles se doam a si mesmos, já que o corpo não é apenas algo que “possuo”, como se fora outra propriedade mais, mas parte daquilo que eu sou. A pessoa humana não “está” em um corpo, senão que ela é corporal: somos seres encarnados. Eis o que Santo Tomás nos tem a dizer a esse respeito:

Por que há no corpo natural tantos membros: mãos, pés, boca e assim por diante? Porque tais membros servem às diferentes funções da alma. Ora, a alma, enquanto tal, é causa e princípio desses membros, que são o que a alma é virtualmente. Com efeito, o corpo está feito para alma, e não ao contrário. Por isso, o corpo físico é como que certa plenitude da alma.

Por conseguinte, o corpo, mais do que qualquer outro dom que se possa dar, há de ser descoberto e possuído somente por aquele ou aquela a quem ele houver sido consagrado solenemente, à semelhança da Eucaristia, que, sendo o corpo verdadeiro de Cristo, há de ser recebido apenas pelo batizado que estiver unido a Cristo pela caridade. O corpo do marido, ensina São Paulo, já não pertence a ele, mas à sua esposa, e o corpo desta ao marido (cf. 1Cor 7, 4).

Vale a pena refletir sobre o estreito vínculo sacramental que une os esposos e a completa modéstia, a sensibilidade de alma, por ele exigida. A modéstia é uma virtude essencial, não porque os corpos ou as paixões sejam, em si mesmos, coisa vergonhosa, mas porque a bondade que lhes corresponde e o poder que têm de servir como ministros da graça impõem o dever de protegê-los de todo abuso, manipulação e desordem. Recordemos as belas palavras de São Paulo, tão exaltadas, tão cheias de amor por tudo o que Deus criou e redimiu: “Não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habi­ta em vós, o qual recebes­tes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis? Porque fostes comprados por um grande preço. Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo” (1Cor 6, 19-20).

Os seres humanos somos chamados a guardar o segredo da nossa personalidade, dom precioso que recebemos de Deus, mistério que não devemos expor para “consumo público”. Aos namorados e noivos, aos recém-casados e esposos de longa data foi confiada uma verdade divina, que eles têm o dever de defender contra as forças hostis que ameaçam profaná-la. Homem e mulher, no fundo, são dois segredos a serem compartilhados no amor; são como uma câmara íntima, que não deve ser escancarada, como uma praça pública: deve, pelo contrário, ser tratada com reverência, como se estivéssemos diante de um santuário ou do sacrário de uma igreja.



Nossa Senhora Modestíssima, rogai por nós!

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

O que vestimos importa sim, Senhor!

"Todos os anos, ao entrarmos nos meses mais quentes do ano, volta à tona o problema da modéstia no vestir — agora ainda mais, dado que no Ocidente as pessoas parecem ter perdido até mesmo as mais elementares posturas morais e costumes sociais que antes garantiam um mínimo de autorrespeito e consideração pelos outros. Nós precisamos de nada menos que uma revolução moral, uma reconstrução de nossos mais básicos conceitos de virtude. Nem é necessário dizer que será um trabalho custoso, e que nós não seremos capazes de “virar a maré” da cultura geral (a qual seria mais acertadamente descrita, a esse ponto, como uma “anticultura”). Todavia, de modo algum é impossível reconstruir esses conceitos dentro das comunidades cristãs, contanto que haja uma vontade corajosa de tratar, com clareza e serenidade, dos assuntos que estão em jogo. É o que procurarei fazer em linhas gerais. 

De acordo com S. Tomás de Aquino, a noção de modéstia no vestir, no falar e no modo de se comportar deriva da noção de moderação, de fazer algo de uma maneira adequada, bem sopesada, e que observe um meio entre os extremos (cf. STh II-II 168; 169). No caso em exame, os extremos são, por um lado, a indecência (de longe muito mais comum nos dias de hoje) e, por outro, uma afetação de virtude e uma inibição malsã.

Como todas as virtudes morais, o hábito da modéstia não só capacita a pessoa para querer e escolher o que é certo a esse respeito, mas também a impele a fazê-lo; a modéstia torna-se uma segunda natureza, uma disposição a agir. Tomás nos recordaria, também, que essa virtude nos ajuda a apreciar os bens corporais em seu devido lugar. Quando o exigem as pessoas, o lugar e a ocasião, as paixões do apetite concupiscível são boas, instrumentos de ação virtuosa queridos por Deus.

A pessoa modesta é aquela cujas ações e aspecto externo consistentemente refletem autodomínio, bom juízo do que seja apropriado, um controle firme dos próprios sentimentos, bem como uma habilidade serena de expressar a si mesmo e de “ser” quem se é sem necessidade de alarde. Por isso, a verdadeira modéstia começa na alma para só depois chamar a atenção dos olhos ou dos ouvidos alheios. Essa modéstia interior consiste em regular toda a própria vida de uma maneira que seja calma, gentil, reverente e pura. Vestir roupas modestas ou evitar danças imodestas é algo que simplesmente “transborda” dessa condição interior.

As sociedades modernas, no Ocidente, descartaram a modéstia mais importante para a saúde básica do convívio social: a de vestir-se e comportar-se de modo a não despertar o tipo errado de atenção do sexo oposto — uma atenção animalesca, possessiva e reducionista. Na verdade, o que se ostenta, obviamente, é o vício oposto.

Infelizmente, muitos cristãos sinceros que querem levar uma vida casta parecem estar inconscientes da ligação que existe entre a pureza de coração e a modéstia exterior, entre o compromisso com a virtude e a forma de apresentar o próprio corpo às outras pessoas — uma ignorância ainda mais surpreendente quando se considera a obviedade dessa associação, que foi compreendida com muita clareza por todas as épocas, com exceção da nossa.

Por exemplo, existem jovens católicos que procuram viver a pureza, mas que continuam a se vestir como seus pares do mundo, com estilos de roupa provocativos ou inapropriados. É possível ver isso vividamente nas Jornadas Mundiais da Juventude, onde, além da imodéstia, também é bastante comum uma impressionante falta de consciência a respeito do que seja apropriado para um evento sagrado e solene. 

Nesse quesito, as pessoas de hoje parecem ter adotado um critério único: o conforto físico. Qualquer coisa que possa causar o mais remoto dos desconfortos ou dos incômodos é imediatamente rejeitada. Como resultado, ao se vestirem em dias de alta temperatura, os cristãos de maneira geral com muita frequência caem nos mesmos maus hábitos de seus pares mundanos, que não pensam nem no que é agradável a Deus, nem no que ajudará a si próprio e aos outros a viver a castidade, mas tão-somente no que é “mais fresco” ou “mais prático” de se usar. Como parte pequena de um ascetismo sadio, os cristãos devem rejeitar esse tipo de complacência e bajulação do corpo. São Paulo descreve aqueles que cremos como pessoas que “trazemos sempre em nosso corpo os traços da morte de Jesus para que também a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo” (2Cor 4, 10).

Quem nunca se impressionou com fotografias antigas e em preto e branco de nossos antepassados, os quais, debaixo de um calor sufocante de verão, usavam roupas longas e amplamente cobertas? Embora eu não sugira que voltemos ao mesmo guarda-roupas que eles tinham, digo que sim, nós faríamos bem em imitar-lhes o vigor e a propriedade. É óbvio que se deve levar em consideração circunstâncias de temperatura e de atividades, como longos passeios ao ar livre, mas há soluções modestas e imodestas para qualquer que seja a situação. Com os materiais modernos de que dispomos, vestir-se modestamente não significa vestir-se “de modo opressivo”; há à disposição, por exemplo, roupas que cobrem os ombros e chegam até os tornozelos, sendo ao mesmo tempo de um material leve, opaco e agradável.

Nós não podemos fazer de conta que o modo como tratamos nosso corpo, o modo como comemos e nos vestimos, o modo como nos apresentamos, o modo como nos comportamos, não importando se o fazemos com disciplina ou desleixo, educação ou irreflexão, responsabilidade ou ingenuidade, sejam “particularidades” espiritualmente irrelevantes. Trata-se, ao contrário, de coisas essenciais: elas também irão manifestar a vida de Jesus ao mundo, ou promover um espírito contrário ao dEle. O modo como alguém trata, exibe e faz uso de seu corpo revela muito dos trabalhos de sua própria alma: quem ela (ou ele) pensa ser, o que pensa a respeito de si mesma ou dos outros, o que espera de si e dos outros. De mais maneiras do que normalmente as pessoas imaginam, as aparências não enganam: o meio é a mensagem.

Como acontece com qualquer tópico de importância, também para este a Revelação divina tem as suas orientações: 

Quero que as mulheres usem traje honesto, ataviando-se com modéstia e sobriedade. Seus enfeites consistam não em primorosos penteados, ouro, pérolas, vestidos de luxo, e sim em boas obras, como convém a mulheres que professam a piedade (1Tm 2, 9-10). 



Há uma maneira de se comportar e de se apresentar que é inseparável do modo de vida cristão; é um dos sinais que, neste mundo, distingue aqueles que crêem. A modéstia, assim como a paz, ainda que seja um bem da alma em primeiro lugar, não pára na alma, mas tem um efeito sobre todos os aspectos da vida em sociedade. O mundo moderno carece de modelos de autocontrole e de autoapresentação digna; os cristãos podem e devem ser este exemplo. A própria falta de excesso faz com que valha a pena fazer conhecida a sua presença.

A virtude da religião, por meio da qual damos de volta ao Deus infinito aquilo que somos capazes de dar, inclui a oferta a Ele daquilo que somos, nossos corpos e almas, como expressão de um amor fiel. É por isso que a modéstia é, ao mesmo tempo, consequência e salvaguarda da religião

S. Tomás diz que a santidade denota duas coisas: permanecer puro e permanecer firme. “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5, 8): felizes aqueles que, por amor a Deus e com todo o seu ser, preservam firmemente a pureza de alma e de corpo. A visão face a face de Deus, a grande meta e alegria da vida cristã, é a razão última pela qual devemos manter não só nossos corações, mas também nosso falar, nosso agir e nosso apresentar-se, puros, sem mácula, simples e sóbrios. Ao fazer isso, nosso modo de vida é conformado ao de Nosso Senhor Jesus Cristo, tornando presente, em um mundo decaído e sujo, alguma coisa da límpida inocência, da paz serena e do frescor incorruptível do Espírito Santo."



Nossa Senhora Castíssima, rogai por nós!

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Saia Plissada Midi: 7 LOOKS DIFERENTES



Há um look não tão modesto, mas facilmente adaptado.
Não deixem de ver o vídeo e se inspirem!


Nossa Senhora Modestíssima, rogai por nós!
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