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quinta-feira, 19 de março de 2026

QUEMADMODUM DEUS - SÃO JOSÉ PATRONO DA IGREJA UNIVERSAL

  

Decreto de S.S. o Papa Pio IX
Proclamando São José como Patrono da Igreja
À Cidade e ao Mundo

Da mesma maneira que Deus havia constituído José, gerado do patriarca Jacó, superintendente de toda a terra do Egito para guardar o trigo para o povo, assim, chegando a plenitude dos tempos, estando para enviar à terra o seu Filho Unigênito Salvador do mundo, escolheu um outro José, do qual o primeiro era figura, o fez Senhor e Príncipe de sua casa e propriedade e o elegeu guarda dos seus tesouros mais preciosos. 

De fato, ele teve como sua esposa a Imaculada Virgem Maria, da qual nasceu pelo Espírito Santo, Nosso Senhor Jesus Cristo, que perante os homens dignou-se ter sido considerado filho de José, e lhe foi submisso. E Aquele que tantos reis e profetas desejaram ver, José não só viu, mas com Ele conviveu e com paterno afeto abraçou e beijou; e além disso, nutriu cuidadosamente Aquele que o povo fiel comeria como pão descido dos céus para conseguir a vida eterna. Por esta sublime dignidade, que Deus conferiu a este fidelíssimo servo seu, a Igreja teve sempre em alta honra e glória o Beatíssimo José, depois da Virgem Mãe de Deus, sua esposa, implorando a sua intercessão em momentos difíceis

E agora, nestes tempos tristíssimos em que a Igreja, atacada de todos os lados pelos inimigos, é de tal maneira oprimida pelos mais graves males, a tal ponto que homens ímpios pensam ter finalmente as portas do Inferno prevalecido sobre ela, é que os Veneráveis e Excelentíssimos Bispos de todo o mundo católico dirigiram ao Sumo Pontífice as suas súplicas e as dos fiéis por eles guiados, solicitando que se dignasse constituir São José como Patrono da Igreja Católica. Tendo depois no Sacro Concílio Ecumênico do Vaticano insistentemente renovado as suas solicitações e desejos, o Santíssimo Senhor Nosso Papa Pio IX, consternado pela recentíssima e funesta situação das coisas, para confiar a si mesmo e os fiéis ao potentíssimo patrocínio do Santo Patriarca José, quis satisfazer os desejos dos Excelentíssimos Bispos e solenemente declarou-o Patrono da Igreja Católica, ordenando que a sua festa, marcada em 19 de março, seja de agora em diante celebrada com rito duplo de primeira classe, porém sem oitava, por causa da Quaresma. 

Além disso, ele mesmo dispôs que tal declaração, por meio do presente Decreto da Sagrada Congregação dos Ritos, fosse tornada pública neste santo dia da Imaculada Virgem Maria, Mãe de Deus e Esposa do castíssimo José. Rejeite-se qualquer coisa em contrário. 

08 de dezembro de 1870. 
Cardeal Patrizi, 
Prefeito da Sagrada Congregação dos Ritos, 
Bispo de Ostia e Velletri.


SÃO JOSÉ, ROGAI POR NÓS!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

Quando caem as principais celebrações da Quaresma em 2023?

Thoom | Shutterstock

Fique por dentro do calendário litúrgico

Você já sabe: a Quaresma lembra o tempo Jesus passou no deserto, rezando e meditando. Depois de um período de jejum e penitência, celebra-se a Páscoa. Por isso, esse tempo é um tempo de preparação para a Ressurreição do Senhor.

Mas quando caem as principais celebrações da Quaresma e do Tríduo Pascal em 2023? 
Fique por dentro do calendário litúrgico:

Quarta-feira de Cinzas: 22 de fevereiro

A Quarta-feira de Cinzas marca o início da Quaresma. Na celebração, o padre traça uma cruz com cinza na testa de cada fiel. Trata-se de uma simbologia para lembrarmos de nossa conversão, de que somos pó e ao pó voltaremos.


Nesse dia o Católico DEVE fazer:

1. Jejum E
2. Abstinencia de Carne

Domingo de Ramos: 2 de abril

No Domingo anterior à Páscoa – 2 de abril, neste ano – a Igreja celebra o Domingo de Ramos. Os fiéis se reúnem antes da Missa e levam um ramo verde. Depois da bênção, entram na igreja em procissão para ouvir o Evangelho da Paixão, lembrando a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém.

Quinta-feira Santa: 6 de abril

A Quinta-feira Santa lembra a “Última Ceia” que Jesus compartilhou com seus apóstolos. Ele tomou o pão e o vinho e deu graças, instituindo, assim, o sacramento da Eucaristia. Também há o ritual do “Lava-pés”, que lembra a passagem em que Cristo lavou o pé dos discípulos. A Quaresma termina na Quinta-feira Santa, na Missa da Santa Ceia (que acontece pela manhã). Na tarde deste dia, já tem início o Tríduo Pascal.

Sexta-feira Santa: 7 de abril

Jesus morre na cruz, traído por Judas e abandonado por Pedro. É arrastado e sobe ao Calvário carregando a cruz. É o dia mais triste e sombrio para os fiéis.

Nesse dia o Católico DEVE fazer:

1. Jejum E
2. Abstinencia de Carne

Sábado de Aleluia: 8 de abril

Jesus repousa na tumba. É um dia de silêncio e reconhecimento em que se medita sobre a morte de Cristo na cruz e seu sepultamento. À noite, começa a Vigília Pascal, em que é celebrada a passagem da escuridão para a luz, ou seja, a vitória de Jesus sobre a morte.

Domingo de Páscoa: 9 de abril

Cristo ressuscitou! É a concretização das promessas feitas por Deus a seu povo. Assim, a festa da Páscoa é o ápice do calendário litúrgico cristão. É um dia de alegria, celebrado com Missa solene. O clero se veste de branco ou dourado, símbolos de alegria e luz.

Confira os horários de Missas, procissões e celebrações de sua paróquia. 
Participe e viva intensamente este período.

Fonte: Aleteia

Nossa Senhora de Lourdes, rogai por nós!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

A virtude de ser um reclamão

file404 / Shutterstock

Todos nós precisamos reclamar de vez em quando, mas há uma maneira correta fazê-lo

Sempre fui da opinião que ficar reclamando é algo extremamente negativo. As pessoas que habitualmente reclamam lutam para encontrar soluções positivas para contratempos, e suas palavras cínicas começam a moldar o modo como pensam. Os queixosos sempre pareceram menos felizes do que os otimistas, quase como se eles mesmos se convencessem de que são infelizes. Neste sentido, os reclamões são seus próprios piores inimigos.

Sempre que me vejo caindo em um padrão de reclamação – o que acontece mais do que eu gostaria de admitir – percebo que alguma coisa saiu errado. Algo está me incomodando e estou tendo problemas para colocar o dedo na ferida, então encurralei um pobre amigo e desabafei. Eu continuo, fixando-me em minha infelicidade, e não deixo que meu amigo receba uma palavra positiva. É super irritante, tenho certeza.

Talvez você tenha estado no final de uma sessão de reclamação como esta. Se assim for, você provavelmente sabe que o reclamão realmente não tem interesse em ouvir uma solução para a reclamação. No mínimo, quer sentir-se ouvido. Assim, compartilhar uma reclamação pode ser uma maneira fácil de criar laços, especialmente se ambos compartilham a mesma opinião. Reclamar, nesse sentido, pode aproximar duas pessoas quando ambas se sentem validadas e apoiadas.

O problema é que nós reclamamos demais.

Não é raro reclamar até 30 vezes por dia, mas simplesmente não vejo como isso seja saudável. Detestaria que todas as minhas interações ao longo de um dia fossem tão negativas. Eu gostaria de pensar que posso me conectar com meus amigos de outras formas mais interessantes e positivas.

Reclamar é tão bom quando começamos, no entanto, é difícil parar. Torna-se um festival de queixas. Mas se nos tornarmos negativos demais, aqueles amigos que no início eram compreensivos ficarão aborrecidos, pois o bate-papo sempre se transforma em uma sessão de desabafo.

Além disso, o que tenho notado é que, inicialmente, pode ser bom deixar minhas opiniões negativas voar livre e soltas, mas isso deixa todos se sentindo pior no final. Frequentemente, eu me reprovo mais tarde e prometo nunca mais me comportar dessa maneira.

Este é o lado negativo de reclamar.

Está na Bíblia.

Não posso deixar de notar, no entanto, enquanto rezo através dos Salmos durante minhas orações diárias, que o salmista faz muitas reclamações. Tanto que os estudiosos das Escrituras se referem a um certo tipo de salmo como um “Salmo de Lamento”. Em outras palavras, o Salmo é uma sessão de reclamação com Deus.

Como padre, as pessoas frequentemente vêm a mim e expressam culpa sobre como têm reclamado a Deus, ou mesmo culpando-O pelo mal em suas vidas. Eu lhes digo que Deus pode lidar com isso. De fato, como mostram os Salmos, feito da maneira correta, queixar-se faz parte de um relacionamento real, não envernizado. Uma vida espiritual forte – ou casamento, ou amizade – inclui a queixa ocasional. É assim que descomprimimos e seguimos em frente. Honestidade e transparência são vitais para qualquer relacionamento.

Todos nós precisamos reclamar de vez em quando, mas há uma maneira correta

Em primeiro lugar, a frequência é importante.

A apresentação de reclamações deve ser muito mais rara do que 30 vezes por dia. Para mim, essa alta taxa de negatividade indica um vício ou uma alegria perversa em se sentir como vítima. Note que os Salmos não são reclamações de ponta a ponta. De fato, há muitos Salmos de ação de graças, louvor e alegria. Para cada reclamação, lembre-se de duas (ou mais) coisas pelas quais você está grato.

Em segundo lugar, reclamar para a pessoa certa.

Não reclame a alguém que será afetado negativamente por seus problemas. E não fique reclamando sobre a mesma coisa repetidamente para várias pessoas. Diga-o uma vez a um confidente de confiança e acabe com isso.

Por exemplo, tenho um grupo de padres com os quais compartilho reclamações. Eles são compreensivos e discretos. Eu nunca compartilharia essas mesmas reclamações com mais ninguém. A Igreja não é perfeita, mas um padre queixoso e negativo pode fazer parecer terrível quando, na verdade, a Igreja é maravilhosa. Em muitos aspectos, a Igreja Católica salvou minha vida. Seria uma pena se o hábito de reclamar obscurecesse esse fato e eu o esquecesse. Quando tenho reclamações, as expresso às pessoas certas e depois deixo a reclamação para trás.

Não busque confidentes que não o desafiarão se sua reclamação não tiver fundamento. É bom reconhecer uma falha, mas ela se torna insalubre quando tudo o que você faz é falar sobre ela em vez de encontrar uma maneira de corrigi-la ou de corrigir sua própria atitude em relação a ela.

Em terceiro lugar, reclamar por uma razão específica.

Processe uma emoção. Avalie a situação. Encontre uma solução. Os momentos em que me sinto pior são quando sei que tenho vomitado negatividade tóxica sem razão absolutamente nenhuma.

Reclamar, como tudo o mais, pode ser um vício ou uma virtude. Está tudo na forma como lidamos com isso. Talvez o verdadeiro dom de reclamar seja o reconhecimento realista de que a vida não é perfeita, mas mesmo assim tudo ficará bem. Como diz o salmista: “Eu derramo minha queixa diante de Deus; eu conto meu problema diante dele”. Você sempre pode falar com alguém e sentir-se compreendido. Nenhum de nós está sempre sozinho.

Fonte: Aletéia

Nossa Senhora do Silêncio, rogai por nós!

sábado, 14 de janeiro de 2023

5 Dicas práticas para iniciar uma VIDA DE ORAÇÃO


Como iniciar uma vida de oração? Como começar a rezar? Essa questão é muito importante, visto que, ter uma vida de oração é necessário não só para nossa santificação, mas também para nossa salvação!

Como diz Santo Afonso de Ligório: "Quem reza se salva, quem não reza certamente se condena".

- SUGESTÃO DE SÃO DOM BOSCO para as orações da manhã:

O bom cristão, logo ao despertar, deve fazer o Sinal da Cruz e oferecer o coração a deus dizendo: "Jesus, Maria e José, eu vos ofereço o meu coração e minha alma".

Depois de levantar-se da cama deve vestir-se com toa a modéstia (...). A seguir, deve fazer as orações habituais:

- Pelo Sinal da Santa Cruz + (cruz na testa); livrai-nos Deus, Nosso Senhor + (Cruz nos lábios); dos nosso inimigos + (cruz no peito).
- Em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
- Pai Nosso...
- Ave Maria...
- Glória ao Pai...
- Oferecimento do dia
- Ato de contrição
- Credo
- Salve Rainha
- Santo Anjo da Guarda


Jesus, Maria e José, nossa Família Vossa É!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

Você já ouviu falar nas têmporas de Advento?


Microgen - Shutterstock


Você já ouviu falar nas têmporas de Advento? Ou nas têmporas em geral? Vamos resumir: uma antiga tradição da Igreja dedicava as quartas, sextas e sábados ao jejum e à oração durante as semanas de mudança de estação. Eram as chamadas “quatro têmporas”, já que mudamos de estação quatro vezes por ano.

As 4 têmporas

Como a ordem das têmporas segue o ano litúrgico e não o ano civil, as primeiras são as da 3ª semana do Advento (sendo portanto, evidentemente, as têmporas de advento); depois vêm as da 2ª semana da Quaresma; em seguida as da Oitava de Pentecostes e, por fim, as assim chamadas “têmporas de setembro”, que começam na quarta-feira após o dia 14 de setembro.

Elas coincidem, portanto, com o início de cada estação do ano e sua proposta é pedir as bênçãos de Deus para o novo período que começa, bem como para dar graças a Ele pelos benefícios recebidos. Além do agradecimento, as têmporas nos convidam à oferta a Deus de um pequeno sacrifício, representado pelo jejum ou pela abstinência.

O Catecismo de São Pio X nos explica o propósito do jejum das quatro têmporas:

1 – Para santificar cada estação do ano com alguns dias de penitência;
2 – Para pedir a Deus que nos dê e conserve os frutos da terra;
3 – Para agradecer a Deus pelos frutos concedidos;
4 – Para pedir a Deus que dê à sua Igreja bons ministros, cuja ordenação se faz ordinariamente nos sábados das quatro têmporas.

O jejum não é uma obrigação nessas datas, mas uma devoção recomendada, a ser praticada voluntariamente. Por isso mesmo, pode-se optar pela abstinência em vez do jejum. Essa prática sempre tem o seu sentido alicerçado na purificação pessoal, no exercício do autodomínio, na capacidade de renúncia e abnegação e na atenção especial ao espírito.

Têmporas de advento

Os dias de jejum e oração durante a semana das têmporas são sempre a quarta-feira, a sexta-feira e o sábado. No caso das têmporas de Advento de 2022, portanto, as datas são 14, 16 e 17 de dezembro.

“Têmporas” à mesa!

Uma curiosidade: o tempurá é conhecido hoje mundo afora como um prato popular da culinária japonesa. Na verdade, ele tem origem portuguesa, foi “exportado” ao Japão pelos missionários católicos e é batizado justamente por causa das quatro têmporas.

É que, no século XVI, quando os marinheiros portugueses estabeleceram seus primeiros contatos com o povo japonês, viajavam junto com eles os missionários cristãos, que, durante as têmporas, praticavam a abstinência comendo apenas verduras e peixe.

Fonte: Aletéia

Nossa Senhora repleta do Espírito Santo, rogai por nós!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

Papa Francisco: celibato não causa abusos

Antoine Mekary | ALETEIA | I.Media

"Nas famílias não há celibato e também ocorre. 
É a monstruosidade de um homem ou mulher doente em termos psicológicos ou malévolo"

O celibato não é a causa dos abusos sexuais perpetrados por clérigos, reafirmou o Papa Francisco.

O pontífice voltou a deplorar a ocorrência dos abusos, mas discordou das narrativas que culpam o celibato como suposta causa. Além disso, Francisco lamentou que também ocorram muitos abusos dentro das famílias e que este fato “ainda seja escondido”.

O Papa concedeu entrevista à rede CNN Portugal.

“O abuso de homens e mulheres da Igreja, abuso de autoridade, abuso de poder e abuso sexual, é uma monstruosidade (…) 
Não é o celibato (…) 
Nas famílias não há celibato e também ocorre”.

Francisco foi enfático ao apontar o horror do abuso e a hedionda atitude de quem o comete, seja qual for o ambiente:

“Portanto, é simplesmente a monstruosidade de um homem ou de uma mulher da Igreja, que está doente em termos psicológicos ou é malévolo, e usa a sua posição para sua satisfação pessoal. 
É diabólico”.

E recordou:

“O sacerdote existe para encaminhar os homens para Deus e não para destruir os homens em nome de Deus. 
Um sacerdote não pode continuar a ser sacerdote se é abusador. 
Não pode. 
Porque é doente ou um criminoso, não sei. 
Eu sofro com casos de abuso que me apresentam. 
Sofro, mas é preciso enfrentar isso”.

O Papa afirmou que “é muito bom” que esses casos sejam denunciados e desmascarados. Ao mesmo tempo, fez questão de denunciar que a esmagadora maioria dos abusos não acontece na Igreja: ele mencionou estatísticas que indicam que 3% dos abusos são perpetrados por membros da Igreja, enquanto 46% são cometidos dentro das famílias, no mundo dos esportes ou nas escolas.

Mesmo assim, Francisco não aliviou em nada a responsabilidade gravíssima dos clérigos abusadores:

“‘Ah, 3% é pouco’. 
Não é. 
Mesmo que fosse um só, já é uma monstruosidade”.

Por isso mesmo, é um assunto que deve ser encarado com firmeza em todos os âmbitos da sociedade.

Fonte: Aletéia

Nossa Senhora de Guadalupe, rogai por nós!

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

Nossa Senhora do Rosário: a primeira igreja católica do Catar

@Facebook Parish Youth Ministry - Catholic Church of Our Lady of Rosary Qatarr


O templo ficará aberto para receber os torcedores que quiserem ter um momento de oração durante a realização da Copa do Mundo

A Igreja Católica de Nossa Senhora do Rosário (árabe: كنيسة سيدة الوردية) foi construída em Doha, em um terreno doado em 2005 pelo Emir do Catar.

A região, chamada de “Cidade da Igreja”, na periferia da capital do país, também abriga outras igrejas cristãs: anglicanas, ortodoxas gregas, ortodoxas sírias, coptas e cristãs indianas. Todas fazem parte do complexo religioso de Abu Hamour.

Segundo o Vigário Apostólico do Norte da Arábia, Monsenhor Paul Hinder, durante os dias em que a Copa do Mundo for disputada “a igreja de Nossa Senhora do Rosário permanecerá aberta para todos os torcedores que quiserem ter um momento de oração e meditação”.

Igreja sem cruz

Esta imensa e moderna igreja, de forma arredondada, é a primeira construída no país desde a conquista muçulmana no século VII, embora o cristianismo tenha chegado antes do islamismo à Península Arábica.

Mas foi a religião islâmica que prevaleceu nessas terras e agora é a religião oficial desses estados, incluindo o Catar. Por esta razão, e devido às leis islâmicas, a igreja não exibe símbolos cristãos no exterior: nem cruzes, nem campanário, nem sinos.

Abertura religiosa

Antes da construção dessa Igreja, os católicos do país rezavam de improviso em “capelas” dentro de casa ou em escolas, já que o país proibia a prática de qualquer religião que não fosse o Islã. O padre John Vanderleen, professor da escola americana, era o único pároco do país.

Mas em 1995, o novo emir do Catar, Hamad bin Khalifa Al Thani, concedeu liberdade de culto e outros padres receberam autorização para entrar no país. Além disso, o Catar estabeleceu relações diplomáticas com a Santa Sé em 2003 e o emir, inclusive, visitou o Papa Bento XVI no Vaticano.

Na época do anúncio desta decisão, soube-se que o governo do Catar iria ceder à Igreja Católica vários terrenos para a construção de templos, de acordo com as necessidades. E isso, de fato, tem acontecido.

A Igreja de Nossa Senhora do Rosário

No dia da inauguração da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, a Rádio Vaticano afirmou que este foi “um acontecimento de importância histórica após 14 séculos”.

Foi no dia 14 de março de 2009 que aconteceram a inauguração e a consagração da igreja de Nossa Senhora do Rosário.

Mais de 15.000 fiéis assistiram à missa de inauguração e consagração. O Cardeal Dias agradeceu “a Deus e ao Catar por este grande dom da Igreja” e, na ocasião, foi oferecido à nova paróquia um cálice enviado pelo Papa Bento XVI.

Interior da Igreja de Nossa Senhora do Rosário

A igreja tem capacidade para receber cerca de 5.000 pessoas. É composta por um templo principal e duas capelas (Capela do Sacramento e Capela de Alverna).

O recinto possui ainda um edifício paroquial (com muitas salas para catequese e outras atividades), uma casa paroquial, uma biblioteca e uma cafeteria.

Mas o que mais impressiona no seu interior são as suas enormes dimensões e a explosão de cores, sobretudo graças aos vitrais, da autoria de Emile Hirsch.

Vitrais de grande formato

Graças às doações dos fiéis, a Igreja conseguiu comprar os vitrais, restaurá-los, transportá-los e instalá-los neste templo, em Doha. E o Ministério da Cultura da França autorizou sua saída do território francês. Eles agora são propriedade da Igreja Católica do Catar.

Os vitrais foram instalados de forma a ficarem protegidos do calor e da areia do local. Oito deles estão no coro da Igreja e outros dois na capela ao lado.

Todos tratam exclusivamente de temas religiosos: o profeta Isaías, a Árvore de Jessé, a apresentação da Virgem no Templo, a Anunciação, a visita da Virgem à sua prima Santa Isabel, a misericórdia, Cristo dá a comunhão à Virgem e a Assunção .

Cada vitral mede 3,7m x 0,98m e é feito de cacos de vidro unidos por tiras de chumbo.

Católicos no Catar

O templo está sob a administração dos sacerdotes da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, ordem encarregada pela pastoral do Vicariato Apostólico da Arábia do Norte, ao qual pertencem Bahrein, Catar, Arábia Saudita e Kuwait.

A Igreja Católica na Península Arábica desenvolveu-se rapidamente desde a década de 1990, em grande parte devido aos expatriados, principalmente das Filipinas e da Índia. Estes constituem a quase totalidade dos fiéis do Vicariato e trabalham, sobretudo, em empresas dos setores do petróleo, gás e construção.

Rito Latino e Rito Oriental

Embora não existam dados oficiais, estima-se que haja mais de 1 milhão de católicos na Arábia Saudita. Só no Catar seriam de 200.000 a 300.000 católicos.

Além a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, existem duas outras igrejas católicas no Catar, ambas de rito oriental: a Igreja Católica Sírio-Malancar de Santa Maria e a Igreja Sírio-Malabar de São Tomás. Cerca de 80% dos fiéis pertencem ao rito latino, enquanto o restante pertence ao rito oriental, siro malabar e siro malankar.

Fiéis de quase todo o mundo

As missas no Catar acontecem nas diferentes línguas de seus fiéis: árabe, inglês, italiano, espanhol, urdu, tagalo, coreano, indonésio ou tâmil.

Monsenhor Hinder, Administrador Apostólico da região reconhece:

“Somos uma igreja peregrina. 
O desafio é sermos uma igreja multicultural, multilíngue e multirracial, composta por fiéis de mais ou menos quase todo o mundo”.

No entanto, a Península Arábica tornou-se agora uma comunidade cristã viva, uma “ponte” entre diferentes áreas do mundo e, portanto, entre diferentes culturas.

Podemos aproveitar especialmente estes dias Copa para rezar pelos nossos irmãos do Catar e por todos aqueles que têm dificuldade em viver a sua fé. Que Nossa Senhora do Rosário os proteja!

Fonte: Aletéia

Veja a Igreja de Nossa Senhora do Rosário no Catar clicando:


Nossa Senhora do Rosário, rogai por nós!

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

Sabe qual é o livro católico mais lido depois da Bíblia?

Dzmitryieu Dzmitry | Shutterstock


Este clássico da espiritualidade católica é um dos livros mais traduzidos do mundo e já passou por mais de 3 mil edições desde que foi lançado

O livro católico mais lido depois da Bíblia é de autoria do alemão Tomás de Kempis (1380-1471).

O autor foi um sacerdote agostiniano do século XV com uma profunda espiritualidade e um grande amor à Igreja e a Jesus Sacramentado.

Ele escreveu uma obra de devoção para aquecer a vida espiritual dos frades e monges da época. A obra foi elogiada por Santa Teresa e pelo próprio Dom Bosco.

As origens

É curioso que muitas pessoas eram conhecidas pelo lugar onde nasceram ou moravam, o que acabava sendo seu sobrenome. Foi o caso de Jesus – que costuma ser chamado de Jesus de Nazaré – Leonardo da Vinci, Teresa de Ávila, São Francisco de Assis

Nosso autor, a quem milhares de almas devem tanto, não foi exceção. É por isso que ele era chamado de Thomas Hemerken de Kempen (Kempis). Por fim, ele acabou sendo conhecido como Tomás de Kempis.

Sua grande obra? “A Imitação de Cristo“.

A Imitação de Cristo

Gosto muito de recomendar aos nossos leitores da Aleteia que leiam livros edificantes para os ajudar a crescer espiritualmente e a entender melhor nossa sagrada religião.

Dom Bosco dizia que nada faz tão bem à alma quanto ler um bom livro de espiritualidade. Hoje eu quero recomendar que você leia “A Imitação de Cristo”, escrito por Tomás de Kempis.

Esse, de fato, é o livro que meu pai estava segurando no momento de sua morte e que tanto o confortou em meio à sua dolorosa doença.

O livro “A Imitação de Cristo” já passou por mais de 3.000 edições desde que foi publicado pela primeira vez e é um dos mais traduzidos do mundo.

Dividida em capítulos independentes, a obra apresenta orientações práticas para a vida do fiel. O objetivo é colocar o leitor em contato com Cristo e ajudá-lo na sua jornada espiritual.

Fonte: Aletéia

Nossa Senhora das Graças da Medalha Milagrosa, rogai por nós!

sexta-feira, 21 de outubro de 2022

Lula: Carta Pública ao Povo Evangélico

Aprendendo a ser Católica
Imagem: Bandeira do Brasil ao fundo e a frente a Urna Eleitoral com o Brasão da Igreja Católica

Em carta a evangélicos, Lula critica uso eleitoral da fé e diz ser contra aborto; leia íntegra

Meus Amigos e Minhas Amigas, nesta reta final do segundo turno, decidi escrever esta Carta Pública ao Povo Evangélico.

A grande maioria dos brasileiros e brasileiras que viveram os oito anos em que fui Presidente da República, sabe que mantive o mais absoluto respeito pelas liberdades coletivas e individuais, particularmente pela Liberdade Religiosa.

Como todos devem se lembrar, no período de meu governo, tivemos a honra de assinar leis e decretos que reforçaram a plena liberdade religiosa. Destaco a Reforma do Código Civil assegurando a Liberdade Religiosa no Brasil, o Decreto que criou o dia dedicado à Marcha para Jesus e ainda o Dia Nacional dos Evangélicos.

Mantenho o mesmo respeito e o mesmo compromisso que me motivou a apoiar essas conquistas do povo evangélico.

E o nosso Povo sabe também que cuidei, com especial carinho, dos mais pobres e injustiçados e assim, sob as Bênçãos de Deus, meu governo contribuiu para melhorar a vida de milhões de famílias brasileiras. Sempre penso, neste sentido, no trecho bíblico que diz: “a verdadeira religião é cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades…” (Tiago, 1,27)

Vivemos, entretanto, um período em que mentiras passaram a ser usadas intensamente com o objetivo de provocar medo nas pessoas de boa fé, e afastá-las do apoio a uma Candidatura que justamente mais as defende. Por isso senti a necessidade de reafirmar meu compromisso com a liberdade de culto e de religião em nosso País.

Todos sabem que nunca houve qualquer risco ao funcionamento das Igrejas enquanto fui Presidente. Pelo contrário! Com a prosperidade que ajudamos a construir, foi no nosso Governo que as Igrejas mais cresceram, principalmente as Evangélicas, sem qualquer impedimento e até tiveram condições de enviar missionários para outros países.

Não há por que acreditar que agora seria diferente. Posso lhes assegurar, portanto, que meu Governo não adotará quaisquer atitudes que firam a liberdade de Culto e de Pregação ou criem obstáculos ao livre funcionamento dos Templos.

Envio-lhes esta mensagem, portanto, em respeito à Verdade e ao apreço que tenho a esse Povo crente no Verdadeiro Deus da Misericórdia e a seus dedicados pastores e pastoras.

Se Deus e o povo brasileiro permitirem que eu seja eleito, além de manter esses direitos, vou estimular sempre mais a parceria com as Igrejas no cuidado com a vida das pessoas e das famílias brasileiras.

Sei muito bem que em todas as regiões do Brasil há Igrejas com Irmãos e Irmãs que trabalham ativamente nas suas comunidades com a propagação do Evangelho e com o cuidado do povo, dedicando-se a tornar mais leve os fardos espiritual e social de milhões de pessoas.

Declaro meu respeito e minha admiração pela fé, dedicação e amor com que os evangélicos realizam sua missão, seja na área da difusão do evangelho, seja na área da assistência social, proteção da infância, da juventude, das mulheres, dos idosos e das pessoas com deficiência. Da mesma forma é bem-vinda a participação de Evangélicos nas diversas formas de participação social no Governo, como Conselhos Setoriais e Conferências Públicas.

Em meio a este triste escândalo do uso da Fé para fins eleitorais, assumo com vocês este compromisso: meu Governo jamais vai usar símbolos de sua Fé para fins político-partidários, respeitando as leis e as tradições que separam o Estado da Igreja, para que não haja interferência política na prática da Fé.

Esse é um ensinamento que a própria Bíblia nos dá: andar pelo caminho da Paz com todos. Jesus nos mostra que a casa dividida não prospera. A religião é para ser respeitada e vivida de acordo com a livre escolha de cada pessoa.

Portanto, a tentativa de uso político da fé para dividir os brasileiros não ajuda ninguém, nem ao Estado, nem às igrejas, porque afasta as Pessoas da mensagem do Evangelho. Jesus Cristo nos ensinou Liberdade e paz, respeito e união, disso precisamos. E os cristãos evangélicos têm dado mostras, ao longo da História, de seu compromisso com a paz, seguindo o que Jesus ensinou: “Dai a César o que é de César, dai a Deus o que é de Deus” (Mateus, 22,21).

Outro compromisso que assumo: fortalecer as famílias para que os nossos jovens sejam mantidos longe das drogas. Nós queremos nossa Juventude na escola, na iniciação profissional, realizando atividades esportivas e culturais para que tenham mais oportunidades e exerçam cidadania de forma produtiva, saudável e plena.

O respeito à família sempre foi um valor central na minha vida, que se reflete no profundo amor que dedico à minha esposa, aos meus filhos e netos. Por isso compreendo o lugar central que a família ocupa na fé cristã.

Também entendo que o lar e a orientação dos pais são fundamentais na educação de seus filhos, cabendo à escola apoiá-los dialogando e respeitando os valores das famílias, sem a interferência do Estado.

A preocupação com as Famílias Brasileiras deve ser integral. O povo brasileiro está numa condição de desespero, e precisaremos muito da ajuda das Igrejas para, o quanto antes, reverter esta situação. De nada adianta se dizer defensor da Família e ao mesmo tempo destruí-las pela miséria, pelo desemprego, pelo corte das políticas sociais e de moradia popular.

Queremos dar às famílias, prosperidade e segurança. O Lar é a garantia de proteção. É inaceitável que milhões de brasileiros e brasileiras não tenham um teto. Por isso, vamos retomar o vitorioso programa Minha Casa Minha Vida, com toda intensidade, para que todas as Famílias brasileiras tenham uma casa onde possam viver com segurança e dignidade.

Nosso governo implementará políticas públicas consistentes para que nenhuma família brasileira enfrente o flagelo da fome. Sobretudo, não pouparei esforços para que possam adquirir os necessários e suficientes meios, para viver dignamente por seu trabalho, sem ter que depender da ajuda do Estado.

Nosso Projeto de Governo tem compromisso com a Vida plena em todas as suas fases. Para mim a vida é sagrada, obra das mãos do Criador e meu compromisso sempre foi e será com sua proteção. Sou pessoalmente contra o aborto e lembro a todos e todas que este não é um tema a ser decidido pelo Presidente da República e sim pelo Congresso Nacional.

Meus Queridos e Minhas Queridas, peço que recebam essas palavras como uma demonstração de meu desejo sincero de servir, de ajudar e trabalhar pelo bem de nosso país. E estejam certos de minha estima e meu compromisso com todo o povo cristão de nosso país. Reitero meu compromisso, que é o mesmo de vocês: paz, união e fraternidade entre todos os brasileiros e brasileiras.

Com as bênçãos de Deus, haveremos de honrar nossa dupla condição, de cidadãos e cristãos, pois não há contradição entre elas quando o propósito é servir, buscando a paz e o entendimento. E digo tudo isso com muito amor pelo nosso querido Brasil e pelo Povo Brasileiro: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes Amor uns pelos outros!” (João,13,35).

JUNTOS PELO BRASIL!

Luiz Inácio Lula da Silva
São Paulo, 19 de outubro de 2022

Fonte: O Povo 

Nossa Senhora, Rainha da Paz, rogai por nós!

domingo, 2 de outubro de 2022

O significado profundo da oração do Anjo da Guarda das crianças

Fotoknips|Shutterstock

O que significa ter um Anjo da Guarda?


Numa catequese recente em Roma, o padre italiano Fabio Rosini falou sobre a oração do Anjo de Deus para explicar o que são os Anjos da Guarda e qual é o seu papel.

SANTO ANJO DO SENHOR

A oração ao Anjo da Guarda é a oração das crianças, que se ensina às crianças, que é muito doce, muito simples, mas que diz coisas importantes. “Santo Anjo do Senhor”: “anjo” significa enviado, significa aquele que anuncia alguma coisa. Um anjo é alguém que anuncia algo em nome de Deus, alguém que precisa de me dizer algo; e eu preciso que me digam algo, preciso que alguém fale comigo. Uma das coisas mais importantes é este diálogo que temos dentro de nós: Quem é? Com quem estou a falar? Precisamos de falar com Deus, precisamos de um anjo para falar conosco, porque há outros anjos e a serpente também é um anjo, e ele fala.

MEU ZELOSO GUARDADOR

O nosso Anjo da Guarda é o nosso protetor porque – apesar do que muitas vezes pensamos – somos tesouros preciosos.

Portanto, é preciso que Deus vos fale através dos seus enviados, e por isso existe “um Anjo de Deus que é o meu guardião”: o vosso anjo da guarda. O que significa que eu tenho um guardião? Duas coisas com certeza: primeiro, que sou precioso, que devo ser protegido, que devo cuidar de mim mesmo e que devo ter este guardião para me ajudar. Isto é uma coisa muito importante! Temos uma tendência para nos banalizarmos, para esquecer o quanto somos preciosos e importantes. Eu sou um tesouro a ser protegido; vós sois um tesouro a ser guardado. A outra coisa é que eu enfrento perigos; há inimigos. Devo saber que posso perder a beleza da minha vida. Posso desvanecer-me, posso ficar confuso. Tenho de ser guardado.

SE A TI ME CONFIOU A PIEDADE DIVINA

Não consigo sobreviver sozinho. Preciso de alguém para me ajudar, alguém para me guardar.

Peço ao anjo de Deus que me proteja, e isto já significa que não consigo sobreviver sozinho, que preciso de ajuda. O que é uma característica chave de uma criança? Ela é dependente de outra pessoa. Todos que passaram por grandes sofrimentos sabem não podemos enfrentar sozinhos… É por isso que rezamos.

SEMPRE ME REGE, ME GUARDA, ME GOVERNA…

Rege: quem nos rege é o nosso Aliado. A oração da Liturgia das Horas começa com: “Ó Deus, vem em meu auxílio; Ó Senhor, apressa-te em ajudar-me”. O que significa isto? Significa que estou a afogar-me. Num certo sentido, podemos dizer que a força da nossa oração vem da angústia; a angústia é a sensação da nossa insuficiência. Não posso fazer tudo sozinho. A nossa força não se mede apenas pelo nosso próprio vigor, mas pela força do nosso aliado.

O nosso Anjo da Guarda ensina-nos a viver na realidade, a aceitar as regras que mantêm a vida “regular” (“regular” deriva indirectamente de regula, “regra” em latim).

Guarda: O nosso Anjo da Guarda é o inimigo dos nossos inimigos, não como nós que muitas vezes andamos de mãos dadas com o que mais nos destrói.

Muito frequentemente somos amigos dos nossos inimigos. Fazemos amigos nos nossos corações com coisas que não são boas para nós. Muito frequentemente quando Deus vos parece hostil é porque Ele é inimigo dos vossos inimigos; sois vós o amigo dos vossos inimigos.

Governa: deixe-se governar pelo Senhor. Se há uma coisa que temos medo de perder, é a autonomia. Quando te deixas governar por Deus, a tua oração chega a Deus e tens intimidade com Deus e o teu anjo fala-te de Deus, do rosto de Deus. As crianças sabem certas coisas sobre Deus que esquecem quando crescem, e que são mais bonitas do que possas pensar…

… ME ILUMINA

As nossas mentes emaranhadas, os nossos corações confusos, precisam de clareza e luz. Não podemos fazer nada sem a luz do Senhor.

Ilumina: eu preciso de luz. O meu coração produz escuridão. Fico confuso, e tenho tantos pequenos e grandes medos que se entrelaçam com as pequenas e grandes mentiras do meu coração e se tornam a minha escuridão. Preciso de ser iluminado. Não posso fazer nada, nem sequer viver neste momento, sem que Deus me ilumine.

AMÉM

Fonte: Aletéia

São Miguel,
São Gabriel,
São Rafael,
Santos Anjos da Guarda,
Combatei e rogai por nós!

sexta-feira, 30 de setembro de 2022

Eleições e a prática da oração de intercessão

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Neste momento, uma importante questão que a Igreja sempre ensinou se coloca: a necessidade de rezarmos pelas autoridades, pelos governantes que serão eleitos

Aproximam-se as eleições de 2022, em que iremos participar do processo de escolha de grande parte dos nossos representantes, abrangendo parlamentares e governantes no âmbito estadual e federal.

Neste momento, uma importante questão que a Igreja sempre ensinou se coloca: a necessidade de rezarmos pelas autoridades, pelos governantes que serão eleitos, e que terão a responsabilidade de exercer funções legislativas e executivas pelos próximos quatro anos. Lembramos aqui de diversos momentos de intercessão pelas autoridades nas Sagradas Escrituras, como quando Moisés intercedeu por Josué e este foi capaz de vencer os amalecitas (cf. Êxodo 17,8-16) ou quando a rainha Ester, após um período de oração e jejum de três dias e três noites feito por todos os israelitas, foi capaz de mover o coração do Rei da Pérsia, salvando o seu povo da morte certa (cf. Ester 4,16 – 9,19).

Mas, afinal, o que é intercessão e por que rezamos uns pelos outros? De acordo com o Catecismo da Igreja Católica (CIC), “interceder, pedir em favor de outro, desde Abraão, é próprio de um coração que está em consonância com a misericórdia de Deus”, e que “não procura seus próprios interesses, mas pensa sobretudo nos dos outros” (CIC, 2635). Não se trata, portanto, de algo simbólico, de um mero costume ou apenas de uma obrigação, mas nos remete ao Mistério de que Deus governa a História para além da liberdade e ação humanas. A prática da intercessão nos ajuda a lembrar que “n’Ele vivemos, nos movemos e somos”, e que, por ela podemos centrar nossa vida em Deus mais do que em nossas forças, e assim vivermos uma vida voltada para os outros, mais do que para nós mesmos, isto é, centrada na Caridade.

Quando deixamos de rezar de forma séria e sincera por aqueles que nos governam, corremos o risco de deixar de acreditar que Deus tem o poder de mover o coração do ser humano na direção do Bem e da Verdade, particularmente no campo da política, e por causa disso, muitas vezes, somos tomados pela desesperança e pelo medo, dificultando a nossa capacidade de avaliar a realidade de forma objetiva e comprometendo o próprio exercício do voto, que, apesar de ser uma manifestação da liberdade e da consciência de cada um, também supõe a ação da Graça Divina e a confiança em um Amor maior que é capaz de fazer novas todas as coisas (cf. Ap 21,5).

Dessa forma, nestes tempos de polarização política, em que as paixões têm sobressaído ao exercício da reta razão, é imperativo assumirmos o compromisso de verdadeiramente rezarmos pelo processo eleitoral, pelos candidatos, e, sobretudo, por aqueles que serão eleitos, com ou sem o nosso voto.

Enfim, podemos dizer que rezar pelos governantes é um verdadeiro “dever cívico-espiritual” que temos, em prol de que a Vontade de Deus se realize na esfera temporal, a favor do Bem Comum, especialmente dos mais necessitados.

Rezemos, portanto, como nos ensina São Paulo, por “todos os que detêm a autoridade, a fim de que levemos uma vida calma e serena, com toda piedade e dignidade” (1Tm 2,2).

Fonte: Aletéia

Nossa Senhora do Rosário de Fátima, rogai por nós!

terça-feira, 27 de setembro de 2022

A Doutrina Social e o Cristão Leigo

 

DOUTRINA SOCIAL E COMPROMISSO DOS CRISTÃOS LEIGOS


a) O cristão leigo

A conotação essencial dos cristãos leigos, fiéis operários da vinha do Senhor (cf. Mt 20,1-16), é a índole secular de sua seqüela de Cristo, que se realiza propriamente no mundo: «aos leigos compete, por vocação própria, buscar o Reino de Deus ocupando-se das coisas temporais e ordenando-as segundo Deus ». Com o Batismo os leigos são inseridos em Cristo, tornam-se partícipes de Sua vida e da Sua missão segundo a sua peculiar identidade: «Por leigos entende-se aqui todos os fiéis, com exceção daqueles que receberam uma ordem sacra ou abraçaram o estado religioso aprovado pela Igreja, isto é, os fiéis que — por haverem sido incorporados em Cristo pelo Batismo e constituídos em Povo de Deus, e por participarem a seu modo do múnus sacerdotal, profético e real de Cristo — realizam na Igreja e no mundo, na parte que lhes compete, a missão de todo o povo cristão».

A identidade do cristão leigo nasce e se alimenta dos sacramentos: do Batismo, da Crisma e da Eucaristia. O Batismo conforma a Cristo, Filho do Pai, primogênito de toda a criatura, enviado como Mestre e Redentor a todos os homens. A Crisma ou Confirmação configura a Cristo, enviado para vivificar a criação e cada ser com a efusão do Seu Espírito. A Eucaristia torna o fiel partícipe do único e perfeito sacrifício que Cristo ofereceu ao Pai, na própria carne, para a salvação do mundo.

O fiel leigo é discípulo de Cristo a partir dos sacramentos e em força destes, em virtude de tudo quando Deus operou nele imprimindo-lhe a própria imagem do Seu Filho, Jesus Cristo. Deste dom divino de graça, e não de concessões humanas, nasce o tríplice «munus» (dom e dever), que qualifica o leigo como profeta, sacerdote e rei, segundo a sua índole secular.

É tarefa própria do fiel leigo anunciar o Evangelho com um exemplar testemunho de vida, radicada em Cristo e vivida nas realidades temporais: família; compromisso profissional no âmbito do trabalho, da cultura, da ciência e da pesquisa; exercício das responsabilidades sociais, econômicas, políticas. Todas as realidades humanas seculares, pessoais e sociais, ambientes e situações históricas, estruturas e instituições, são o lugar próprio do viver e do agir dos cristãos leigos. Estas realidades são destinatárias do amor de Deus; o empenhamento dos fiéis leigos deve corresponder a esta visão e qualificar-se como expressão da caridade evangélica: « o estar e o agir no mundo são para os fiéis leigos uma realidade, não só antropológica e sociológica, mas também e especificamente teológica e eclesial ».

b) A espiritualidade do cristão leigo

Os fiéis leigos são chamados a cultivar uma autêntica espiritualidade laical, que lhes regenerem como homens e mulheres novos, imersos no mistério de Deus e inseridos na sociedade, santos e santificadores. Uma semelhante espiritualidade edifica o mundo segundo o Espírito de Jesus: torna capaz de olhar para além da história, sem dela se afastar; de cultivar um amor apaixonado por Deus, sem tirar o olhar dos irmãos, que se conseguem ver como os vê o Senhor e amar como Ele os ama. É uma espiritualidade que foge tanto do espiritualismo intimista como do ativismo social e sabe exprimir-se em uma síntese vital que confere unidade, significado e esperança à existência, por tantas e várias razões, contraditória e fragmentada. Animados por semelhante espiritualidade, os fiéis leigos podem contribuir, «do interior, à maneira de fermento, para a santificação do mundo, através do cumprimento do próprio dever, guiados pelo espírito evangélico, e a manifestarem Cristo aos outros antes de mais com o testemunho da vida».

Na experiência do crente, de fato, «não pode haver ... duas vidas paralelas: por um lado, a vida chamada “espiritual”, com os seus valores e exigências; e, por outro, a chamada vida “secular”, ou seja, a vida da família, do trabalho, das relações sociais, do empenhamento político e da cultura».

c) Agir com prudência

O fiel leigo deve agir segundo as exigências ditadas pela prudência: é esta a virtude que dispõem a discernir em cada circunstância o verdadeiro bem e a escolher os meios adequados para cumpri-lo. Graças a esta se aplicam corretamente os princípios morais aos casos particulares. A prudência se articula em três momentos: clarifica a situação e a avaliação, inspira a decisão e dá impulso à ação. O primeiro momento é qualificado pela reflexão e pela consulta para estudar o argumento requerendo o necessário parecer; o segundo é o momento de avaliação da análise e do juízo sobre a realidade à luz do projeto de Deus; o terceiro momento, aquele da decisão, se baseia sobre os falsos precedentes e que tornam possíveis o discernimento das ações a serem realizadas.

A prudência torna capaz de tomar decisões coerentes, com realismo e senso de responsabilidade em relação às conseqüências das próprias ações. A visão assaz difusa que identifica a prudência com a astúcia, o cálculo utilitarista, a desconfiança, ou ainda com a covardia e indecisão, está muito longe da reta concepção desta virtude, própria da razão prática, que ajuda a decidir com sensatez e coragem as atitudes a serem tomadas, tornando-se medida das outras virtudes. A prudência afirma o bem como dever e mostra o modo como a pessoa se determina a cumpri-la. A prudência é, ao fim e ao cabo, uma virtude que exige o exercício maduro do pensamento e da responsabilidade, no conhecimento objetivo da situação e na reta vontade que guia as decisões.

d) Doutrina social e experiência associativa

A doutrina social da Igreja deve entrar, como parte integrante, no caminho formativo do fiel leigo. A experiência demonstra que o trabalho de formação é possível, normalmente, no interior das agregações laicais eclesiais, que respondem a precisos critérios de eclesialidade: «Também os grupos, as associações e os movimentos têm o seu lugar na formação dos fiéis leigos: têm, com efeito, a possibilidade, cada qual pelos próprios métodos, de oferecer uma formação profundamente inserida na própria experiência de vida apostólica, bem como a oportunidade de integrar, concretizar e especificar a formação que os seus adeptos recebem de outras pessoas e comunidades». A doutrina social da Igreja apóia e ilumina o papel das associações, dos movimentos e dos grupos laicos empenhados em vivificar de modo cristão os vários setores da ordem temporal: «A comunhão eclesial, já presente e operante na ação do indivíduo, encontra uma expressão específica no operar associado dos fiéis leigos, isto é, na ação solidária que eles desenvolvem ao participar responsavelmente na vida e na missão da Igreja».

A doutrina social da Igreja é importantíssima para as agregações eclesiais que têm como objetivo de seu esforço a ação pastoral no âmbito social. Estas constituem um ponto de referência privilegiado enquanto atuam na vida social em conformidade à sua fisionomia eclesial e demonstram deste modo, quanto seja relevante o valor da oração, da reflexão e do diálogo para enfrentar as realidades sociais e para melhorá-las. Vale, em cada caso, a distinção «entre aquilo que os cristãos, individualmente ou em grupo, fazem em seu nome, como cidadãos levados pela consciência cristã, e aquilo que, em união com os seus pastores, fazem em nome da Igreja».

e) O serviço nos diversos âmbitos da vida social

A presença do fiel leigo no campo social é caracterizada pelo serviço, sinal e expressão da caridade que se manifesta na vida familiar, cultural, profissional, econômica, política, segundo perfis específicos: obtemperando às diversas exigências de seu particular âmbito de atuação, os fiéis leigos exprimem a verdade de sua fé e, ao mesmo tempo, a verdade da doutrina social da Igreja, que encontra a sua plena realização quando é vivida em termos concretos para a solução dos problemas sociais. A mesma credibilidade da doutrina social reside de fato no testemunho das obras, antes mesmo que na sua coerência e lógica interna.

1. O serviço à pessoa humana

Entre os âmbitos do empenho social dos fiéis leigos, vem à tona antes de tudo o serviço à pessoa humana: a promoção da dignidade de toda pessoa, o bem mais precioso que o homem possui, é a tarefa essencial, antes, em certo sentido é «a tarefa central e unificadorado serviço que a Igreja, e nela os fiéis leigos, são chamados a prestar à família dos homens».

A promoção da dignidade humana implica, antes de tudo, a afirmação do direito inviolável à vida, desde a concepção até à morte natural, primeiro entre todos e condição para todos os outros direitos da pessoa. O respeito da dignidade pessoal exige, ademais, o reconhecimento da dimensão religiosa do homem, que não é «uma exigência meramente “confessional”, mas sim, de uma exigência que mergulha a sua raiz inextirpável na própria realidade do homem ». O reconhecimento efetivo do direito à liberdade de consciência e à liberdade religiosa é um dos bens mais altos e dos deveres mais graves de cada povo que queira verdadeiramente assegurar o bem da pessoa e da sociedade. No atual contexto cultural, assume singular urgência o empenho a defender o matrimônio e a família, que pode ser absolvido adequadamente só na convicção do valor único e insubstituível destas realidades em vista do autêntico progresso da convivência humana.

2. O serviço à cultura

A cultura deve constituir um campo privilegiado de presença e empenho pela Igreja e pelos cristãos individuais. O destaque entre a fé cristã e a vida cotidiana é julgado pelo Concílio Vaticano II como um dos erros mais graves do nosso tempo. O extravio do horizonte metafísico; a perda da nostalgia de Deus no narcisismo auto-referencial e na fartura de meios de um estilo de vida consumista; o primado conferido à tecnologia e à pesquisa científica fim em si mesma; a ênfase ao aparente, da busca da imagem, das técnicas de comunicação: todos estes fenômenos devem ser compreendidos em seu aspecto cultural e colocados em relação com o tema central da pessoa humana, do seu crescimento integral, da sua capacidade de comunicação e de relação com os outros homens, do seu contínuo interrogar-se sobre grandes questões que circundam a existência. Tenha-se presente que «a cultura é aquilo pelo que o homem se torna mais homem, “é” mais, aproxima-se mais do “ser”».

Apresentar em termos culturais atualizados o patrimônio da Tradição Católica, os seus valores, os seus conteúdos, toda o patrimônio espiritual, intelectual e moral do catolicismo é também hoje a urgência prioritária. A fé em Jesus Cristo, que se definiu a Si próprio «o caminho, a verdade e a vida» (Jo 14, 6), leva os cristãos a comprometer-se com empenho sempre renovado na construção de cultura social e política inspirada no Evangelho.

A perfeição integral da pessoa e o bem de toda a sociedade são os fins essenciais e o bem de toda a sociedade são os fins essenciais da cultura: a dimensão ética da cultura é portanto uma prioridade na ação social e política dos fiéis leigos. A desatenção a tal dimensão transforma facilmente a cultura em um instrumento de empobrecimento da humanidade. Uma cultura pode tornar-se estéril e encaminhar-se para a decadência, quando «se fecha em si própria e procura perpetuar formas antiquadas de vida, recusando qualquer mudança e confronto com a verdade do homem». A formação de uma cultura capaz de enriquecer o homem exige, ao contrário, o envolvimento de toda a pessoa, que nela desenvolve a sua criatividade, a sua inteligência, o seu conhecimento do mundo e dos homens, e investe, ademais, a sua capacidade autodomínio, de sacrifício pessoal, de solidariedade e de disponibilidade a promover o bem comum.

3. O serviço à economia

Diante da complexidade do contexto econômico contemporâneo, o fiel leigo se deixará guiar em sua ação pelos princípios do Magistério social. É necessário que ditos princípios sejam conhecidos e acolhidos na atividade econômica mesma: quando estes princípios são ignorados, em primeiro lugar o da centralidade da pessoa humana, a própria qualidade da atividade econômica fica comprometida.

O empenho do cristão traduzir-se-á também no esforço de reflexão cultural voltada sobretudo para um discernimento concernente aos atuais modelos de desenvolvimento econômico-social. A redução da questão do desenvolvimento a um problema exclusivamente técnico produziria um esvaziamento de seu verdadeiro conteúdo que, na verdade, diz respeito à « dignidade do homem e dos povos».

4. O serviço à política

Para os fiéis leigos, o compromisso político é uma expressão qualificada e exigente do compromisso cristão ao serviço dos outros. A persecução do bem comum em um espírito de serviço; o desenvolvimento da justiça com uma atenção particular para com as situações de pobreza e sofrimento; o respeito pela autonomia das realidades terrenas; o princípio de subsidiariedade; a promoção do diálogo e da paz no horizonte da solidariedade; são estas as orientações que os cristãos leigos devem inspirar a sua ação política. Todos os crentes, enquanto titulares de direitos e deveres de cidadãos, estão obrigados a respeitar tais orientações; aqueles que têm encargos diretos e institucionais na gestão das complexas problemáticas da coisa pública, seja nas administrações locais, seja nas instituições nacionais e internacionais, deverão tê-los especialmente em conta.

Os encargos de responsabilidade nas instituições sociais e políticas exigem um empenho severo e articulado, que saiba pôr de manifesto, com os contributos de reflexão ao debate político, com o planejamento e com as opções operativas, a absoluta necessidade de uma qualificação moral da vida social e política. Uma atenção inadequada à dimensão moral da vida social e política. Uma atenção inadequada em relação a dimensão moral conduz à desumanização da vida associada e das instituições sociais e políticas, consolidando as «estruturas de pecado»: «Viver e agir politicamente em conformidade com a própria consciência não significa acomodar-se passivamente em posições estranhas ao empenho político ou numa espécie de confessionalismo; é, invés, a expressão com que os cristãos dão o seu coerente contributo para que, através da política, se instaure um ordenamento social mais justo e coerente com a dignidade da pessoa humana».

No contexto do compromisso político do fiel leigo, exige um preciso cuidado a preparação ao exercício do poder, que os crentes devem assumir; especialmente quando são chamados a tais encargos pela confiança dos cidadãos, segundo as regras democráticas. Estes devem apreciar o sistema da democracia, «enquanto assegura a participação dos cidadãos nas opções políticas e garante aos governados a possibilidade quer de escolher e controlar os próprios governantes, quer de os substituir pacificamente, quando tal se torne oportuno» e rejeitar grupos ocultos de poder que pretendem condicionar ou subverter o funcionamento das legítimas instituições. O exercício da autoridade deve assumir o caráter de serviço, que se deve desempenhar sempre no âmbito das leis morais para a consecução do bem comum: quem exerce a autoridade política deve fazer confluir as energias de todos os cidadãos rumo a tal objetivo, não de modo autoritário, mas valendo-se da força moral alimentada pela liberdade.

O empenho político dos católicos é freqüentemente posto em relação com a «laicidade», ou seja, a distinção entre a esfera política e a religiosa. Tal distinção «é um valor adquirido e reconhecido pela Igreja, e faz parte do património de civilização já conseguido». A doutrina moral católica, todavia, exclui claramente a perspectiva de uma laicida concebida como autonomia da lei moral: «A “laicidade”, de fato, significa, em primeiro lugar, a atitude de quem respeita as verdades resultantes do conhecimento natural que se tem do homem que vive em sociedade, mesmo que essas verdades sejam contemporaneamente ensinadas por uma religião específica, pois a verdade é uma só». Buscar sinceramente a verdade, promover e defender com meios lícitos as verdades morais concernentes à vida social ― a justiça, a liberdade, o respeito à vida e aos demais direitos da pessoa ― é direito e dever de todos os membros de uma comunidade social e política.

Quando o Magistério da Igreja se pronuncia sobre questões inerentes à vida social e política, não desatende ás exigências de uma correta interpretação da laicidade, porque «não pretende exercer um poder político nem eliminar a liberdade de opinião dos católicos em questões contingentes. Entende, invés ― como é sua função própria ― instruir e iluminar a consciência dos fiéis, sobretudo dos que se dedicam a uma participação na vida política, para que o seu operar esteja sempre ao serviço da promoção integral da pessoa e do bem comum. O ensinamento social da Igreja não é uma intromissão no governo de cada País. Não há dúvida, porém, que põe um dever moral de coerência aos fiéis leigos, no interior da sua consciência, que é única e unitária».

O princípio da laicidade comporta o respeito de toda confissão religiosa por parte do Estado, «que assegura o livre exercício das atividades cultuais, espirituais, culturais e caritativas das comunidades dos crentes. Numa sociedade pluralista, a laicidade é um lugar de comunicação entre as diferentes tradições espirituais e a nação». 

Um âmbito particular de discernimento dos fiéis leigos diz respeito as escolhas dos instrumentos políticos, ou seja, a adesão a um partido e às outras expressões da participação política. É preciso operar uma escolha coerente com os valores, tendo em conta as circunstâncias efetivas. Em todo o caso, qualquer escolha deve ser radicada na caridade e voltada para a busca do bem comum. As instâncias da fé cristã dificilmente são assimiláveis a uma única posição política: pretender que um partido ou uma corrente política correspondam completamente às exigências da fé e da vida cristã gera equívocos perigosos. O cristão não pode encontrar um partido plenamente às exigências éticas que nascem da fé e da pertença à Igreja: a sua adesão a uma corrente política não será jamais ideológica, mas sempre crítica, a fim de que o partido e o seu projeto político sejam estimulados a realizar formas sempre mais atentas a obter o verdadeiro bem comum, inclusive os fins espirituais do homem.

A distinção, de um lado, entre instâncias da fé e opções sócio-políticas e, de outro lado, as opções de cada cristão e as realizadas pela comunidade cristã enquanto tal, implica que a adesão a um partido ou corrente política seja considerada uma decisão a título pessoal, legítima ao menos nos limites dos partidos e posições não incompatíveis com a fé e os valores cristãos. A escolha do partido, da corrente política, das pessoas a quem confiar a vida pública, mesmo empenhando a consciência de cada um, não pode ser entendida como uma escolha exclusivamente individual: «cabe analisar, com objetividade, a situação própria do seu país e procurar iluminá-la, com a luz das palavras inalteráveis do Evangelho; a elas cumpre, haurir princípios de reflexão, normas para julgar e diretrizes para a ação, na doutrina social da Igreja». Em todo o caso, «a ninguém é permitido reivindicar exclusivamente, em favor do seu parecer, a autoridade da Igreja»: os crentes devem antes procurar «esclarecer-se mutuamente num diálogo sincero, guardando a caridade mútua e tendo, antes de mais, o cuidado do bem comum ».


Jesus, Maria e José,
Nossa Família Vossa É!

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

O que a Igreja Católica ensina sobre a Política?

Aprendendo a Ser Católica

Compêndio da Doutrina Social da Igreja, documento oficial da Igreja Católica elaborado sob encargo do Santo Papa João Paulo II e lançado nos idos de 2004, ao tratar sobre a Comunidade Política ensina e orienta os Católicos o que segue:

I. ASPECTOS BÍBLICOS

"O povo de Israel, na fase inicial da sua história, não tem reis, como os demais povos, porque reconhece tão-somente o senhorio de Iahweh. É Deus que intervém na história através de homens carismáticos, conforme testemunha o Livro dos Juízes. Ao último destes homens, Samuel, o povo pedirá um rei semelhante (cf. 1 Sam 8, 5; 10, 18-19)O protótipo de rei escolhido por Iahweh é Davi, cuja condição humilde o relato bíblico ressalta com complacência (cf. 1 Sam 16, 1-13).

Jesus rejeita o poder opressivo e despótico dos grandes sobre nações (cf. Mc 10, 42) e suas pretensões de fazerem-se chamar benfeitores (cf. Lc 21, 25), mas nunca contesta diretamente as autoridades de seu tempo. Na diatribe sobre o tributo a ser pago a César (cf. Mc 12, 13-17; Mt 22, 15-22; Lc 20, 20-26), Ele afirma que se deve dar a Deus o que é de Deus, condenando implicitamente toda tentativa de divinizar e de absolutizar o poder temporal: somente Deus pode exigir tudo do homem. Ao mesmo tempo o poder temporal tem o direito àquilo que lhe é devido: Jesus não considera injusto o tributo a César.

Jesus, o Messias prometido, combateu e desbaratou a tentação de um messianismo político, caracterizado pelo domínio sobre as nações (cf. Mt 4, 8-11; Lc 4, 5-8). Ele é o Filho do Homem que veio «para servir e entregar a própria vida» (Mc 10, 45; cf. Mt 20, 24-28; Lc 22, 24-27). Aos discípulos que discutem sobre qual é o maior, Jesus ensina a fazer-se último e a servir a todos (cf. Mc 9, 33-35), indicando aos filhos de Zebedeu, Tiago e João, que ambicionam sentar-se à Sua direita, o caminho da cruz (cf. Mc 10, 35-40; Mt 20, 20-23).

A oração pelos governantes, recomendada por São Paulo durante as perseguições, indica explicitamente o que a autoridade política deve garantir: uma vida calma e tranqüila a transcorrer com toda a piedade e dignidade (cf. 1 Tm 2, 1-2)Os cristãos devem estar «prontos para qualquer boa obra» (Tt 3, 1), sabendo «dar provas de toda mansidão para com todos os homens» (Tt 3, 2), conscientes de ter sido salvos não pelas suas obras, mas pela misericórdia de Deus. Sem «o batismo da regeneração e renovação, pelo Espírito Santo, que nos foi concedido em profusão, por meio de Cristo, nosso Salvador» (Tt 3, 5-6), todos os homens são «insensatos, rebeldes, transviados, escravos de paixões de toda a espécie, vivendo na malícia e na inveja, detestáveis, odiando-nos uns aos outros» (Tt 3, 3). Não se deve esquecer a miséria da condição humana, marcada pelo pecado e resgatada pelo amor de Deus.

II. O FUNDAMENTO
E O FIM DA COMUNIDADE POLÍTICA

Magistério afirma que as minorias constituem grupos com direitos e deveres específicos. Em primeiro lugar, um grupo minoritário tem direito à sua própria existência: «Este direito pode ser desatendido de diversas maneiras, até aos casos extremos em que é negado, mediante formas manifestas ou indiretas de genocídio». Ademais, as minorias têm o direito de manter a sua cultura, incluindo a língua, bem como as suas convicções religiosas, incluindo a celebração do culto. Ao reivindicar legitimamente os próprios direitos, as minorias podem ser levadas a procurar uma maior autonomia ou até mesmo a independência: em tais delicadas circunstâncias, diálogo e negociação constituem o caminho para alcançar a pazEm todo caso, o recurso ao terrorismo é injustificável e prejudicaria a causa que se pretende defender. As minorias em também deveres a cumprir, entre eles, antes de mais, a cooperação para o bem comum do Estado em que estão inseridas. Em particular, « um grupo minoritário tem o dever de promover a liberdade e a dignidade de cada um dos seus membros, e de respeitar as opções de cada indivíduo seu, mesmo quando alguém decidisse passar à cultura majoritária».

Considerar a pessoa humana como fundamento e fim da comunidade política significa esforçar-se, antes de mais, pelo reconhecimento e pelo respeito da sua dignidade mediante a tutela e a promoção dos direitos fundamentais e inalienáveis do homem: « No tempo moderno, a atuação do bem comum encontra a sua indicação de fundo nos direitos e nos deveres da pessoa»Nos direitos humanos estão condensadas as principais exigências morais e jurídicas que devem presidir à construção da comunidade política. Tais direitos constituem uma norma objetiva que está na base do direito positivo e que não pode ser ignorada pela comunidade política, porque a pessoa lhe é ontológica e teleologicamente anterior: o direito positivo deve garantir a satisfação das exigências humanas fundamentais.

A comunidade política persegue o bem comum atuando com vista à criação de um ambiente humano em que aos cidadãos seja oferecida a possibilidade de um real exercício dos direitos humanos e de um pleno cumprimento dos respectivos deveres«Atesta a experiência que, faltando por parte dos poderes públicos uma atuação apropriada com “respeito à economia, à administração pública, a instrução”, sobretudo nos tempos atuais, as desigualdades entre os cidadãos tendem a exasperar-se cada vez mais, os direitos da pessoa tendem a perder todo seu conteúdo e compromete-se, ainda por cima, o cumprimento do dever».

A plena realização do bem comum requer que a comunidade política desenvolva, no âmbito dos direitos humanos, uma ação dúplice e complementar, de defesa e de promoção: «Evite-se que, através de preferências outorgadas a indivíduos ou grupos, se criem situações de privilégio. Nem se venha a instaurar o absurdo de, ao intentar a autoridade tutelar os direitos da pessoa, chegue a coarctá-los».

O preceito evangélico da caridade ilumina os cristãos sobre o significado mais profundo da convivência política. Para torná-la verdadeiramente humana, «nada existe de mais importante que desenvolver o sentimento íntimo da justiça, da bondade, a dedicação ao bem comum e tornar mais sólidas as convicções fundamentais acerca da verdadeira natureza da comunidade política e também acerca do reto exercício e dos limites da autoridade pública»O objetivo que os fiéis se devem propor é o da realização de relações comunitárias entre as pessoas. A visão cristã da sociedade política confere o maior relevo ao valor da comunidade, seja como modelo organizativo da convivência, seja como estilo de vida quotidiana.

III. A AUTORIDADE POLÍTICA

O cidadão não está obrigado em consciência a seguir as prescrições das autoridades civis se forem contrárias às exigências da ordem moral, aos direitos fundamentais das pessoas ou aos ensinamentos do Evangelho. As leis injustas põem os homens moralmente retos frente a dramáticos problemas de consciência: quanto são chamados a colaborar em ações moralmente más, têm a obrigação de recusar-se. Além de ser um dever moral, esta recusa é também um direito humano basilar que, precisamente porque tal, a própria lei civil deve reconhecer e proteger: «Quem recorre à objeção de consciência deve ser salvaguardado não apenas de sanções penais, mas ainda de qualquer dano no plano legal, disciplinar, econômico e profissional».

É um grave dever de consciência não prestar colaboração, nem mesmo formal, àquelas práticas que, embora admitidas pela legislação civil, contrastam com a lei de Deus. Tal colaboração, com efeito, nunca pode ser justificada, nem invocando o respeito da liberdade alheia, nem se apoiando no fato de que a lei civil a prevê e exige. À responsabilidade moral pelos atos efetuados ninguém poderá jamais subtrair-se e sobre esta responsabilidade cada qual será julgado pelo próprio Deus (Rm 2, 6; 14, 12).

Reconhecer que o direito natural funda e limita o direito positivo significa admitir que é legítimo resistir à autoridade caso esta viole grave e repetidamente os princípios do direito natural. Santo Tomás de Aquino escreve que «se deve obedecer (...) na medida em que a ordem da justiça assim o exija». Portanto, o fundamento do direito de resistência é direito de natureza.

Diversas podem ser as manifestações concretas que a realização de tal direito pode assumir. Vários podem ser também os fins perseguidos. A resistência à autoridade visa reafirmar a validade de uma diferente visão das coisas, quer quando se procura obter uma mudança parcial, modificando por exemplo algumas leis, quer quando se pugna por uma mudança radical da situação.

A doutrina social indica os critérios para o exercício da resistência«A resistência à opressão do poder político não recorrerá legitimamente às armassalvo quando se ocorrerem conjuntamente as seguintes condições: 
1. em caso de violações certas, graves e prolongadas dos direitos fundamentais
2. depois de ter esgotado todos os outros recursos; 
3. sem provocar desordens piores; 
4. que haja uma esperança fundada de êxito; 
5. se for impossível prever razoavelmente soluções melhores»
A luta armada é contemplada como extremo remédio para pôr fim a uma «tirania evidente e prolongada que ofendesse gravemente os direitos fundamentais da pessoa humana e prejudicasse o bem comum do país». A gravidade dos perigos que o recurso à violência hoje comporta leva a considerar preferível o caminho da resistência passiva, «mais conforme aos princípios morais e não menos prometedor do êxito».

No curso das investigações deve ser escrupulosamente observada a regra que interdita a prática da tortura: «O discípulo de Cristo rejeita todo recurso a tais meios, de modo algum justificável e no qual a dignidade do homem é aviltada tanto naquele que é espancado quanto no seu algoz». Os instrumentos jurídicos internacionais referentes asos direitos do homem indicam justamente a proibição da tortura como um princípio que em circunstância alguma se pode derrogar.

A Igreja vê como sinal de esperança «a aversão cada vez mais difusa na opinião pública à pena de morte — mesmo vista só como instrumento de “legítima defesa” social—, tendo em consideração as possibilidades que uma sociedade moderna dispõe para reprimir eficazmente o crime, de forma que, enquanto torna inofensivo aquele que o cometeu, não lhe tira definitivamente a possibilidade de se redimir». Embora o ensinamento tradicional da Igreja não exclua ― uma vez comprovadas cabalmente a identidade e da responsabilidade do culpado ― a pena de morte «se esta for a única via praticável para defender eficazmente a vida humana contra o agressor injusto», os métodos não cruentos de repressão e de punição são de preferir «porque correspondem melhor às condições concretas do bem comum e estão mais conformes à dignidade da pessoa humana»O crescente número de países que adotam medidas para abolir a pena de morte ou para suspender sua aplicação é também uma prova do fato de que os casos em que os casos em que é absolutamente necessário suprimir o réu «são já muito raros, se não mesmo praticamente inexistentes». A crescente aversão da opinião pública à pena de morte e às várias medidas em vista da sua abolição ou da suspensão da sua aplicação, constituem manifestações visíveis de uma maior sensibilidade moral.

IV. O SISTEMA DA BUROCRACIA

a) Os valores e a democracia

Uma autêntica democracia não é o somente o resultado de um respeito formal de regras, mas é o fruto da convicta aceitação dos valores que inspiram os procedimentos democráticosa dignidade da pessoa humanao respeito dos direitos do homemdo fato de assumir o « bem comum » como fim e critério regulador da vida política. Se não há um consenso geral sobre tais valores, se perde o significado da democracia e se compromete a sua estabilidade.

A doutrina social individua um dos riscos maiores para as atuais democracias no relativismo ético, que induz a considerar inexistente um critério objetivo e universal para estabelecer o fundamento e a correta hierarquia dos valores: «Hoje tende-se a afirmar que o agnosticismo e o relativismo céptico constituem a filosofia e o comportamento fundamental mais idôneos às formas políticas democráticas, e que todos quantos estão convencidos de conhecer a verdade e firmemente aderem a ela não são dignos de confiança do ponto de vista democrático, porque não aceitam que a verdade seja determinada pela maioria ou seja variável segundo os diversos equilíbrios políticos. A este propósito, é necessário notar que, se não existe nenhuma verdade última que guie e oriente a ação política, então as idéias e as convicções podem ser facilmente instrumentalizadas para fins de poder. Uma democracia sem valores converte-se facilmente num totalitarismo aberto ou dissimulado, como a história demonstra». A democracia é fundamentalmente «um “ordenamento” e, como tal, um instrumento, não um fim. O seu caráter « moral » não é automático, mas depende da conformidade com a lei moral, à qual se deve submeter como qualquer outro comportamento humano: por outras palavras, depende da moralidade dos fins que persegue e dos meios que usa».

b) Instituições e democracia

O Magistério reconhece a validade do princípio concernente à divisão dos poderes em um Estado: «é preferível que cada poder seja equilibrado por outros poderes e outras esferas de competência que o mantenham no seu justo limite. Este é o princípio do “Estado de direito”, no qual é soberana a lei, e não a vontade arbitrária dos homens».

No sistema democrático, a autoridade política é responsável diante do povo. Os organismos representativos devem estar submetidos a um efetivo controle por parte do corpo social. Este controle é possível antes de tudo através de eleições livres, que permitem a escolha assim como a substituição dos representantes. A obrigação, por parte dos eleitos, de prestar contas acerca da sua atuação, garantida pelo respeito dos prazos do mandato eleitoral, é elemento constitutivo da representação democrática.

No seu campo específico (elaboração de leis, atividade de governo e controle sobre a mesma), os eleitos devem empenhar-se na busca e na realização de tudo aquilo que possa favorecer ao bom andamento da convivência civil no seu conjunto. A obrigação que os governantes têm de responder aos governados não implica de modo algum que os representantes sejam simples agentes passivos dos eleitores. O controle exercido pelos cidadãos, de fato, não exclui a necessária liberdade de que devem gozar no cumprimento de seu mandato em relação aos objetivos a perseguir: estes não dependem exclusivamente de interesses de parte, mas em medida muito maior da função de síntese e de mediação em vista do bem comum, que constitui uma das finalidades essenciais e irrenunciáveis da autoridade política.

c) Os componentes morais da representação política

Aqueles que têm responsabilidades políticas não devem esquecer ou subestimar a dimensão moral da representação, que consiste no empenho de compartilhar a sorte do povo e em buscar a solução dos problemas sociais. Nesta perspectiva, autoridade responsável significa também autoridade exercida mediante o recurso às virtudes que favorecem o exercício do poder com espírito de serviço (paciência, caridade, modestia, moderação, esforço de partilha); uma autoridade exercida por pessoas capazes de assumir autenticamente como finalidade do próprio agir o bem comum e não o prestígio ou a aquisição de vantagens pessoais.

Entre as deformações do sistema democrático, a corrupção política é uma das mais graves porque trai, ao mesmo tempo, os princípios da moral e as normas da justiça social; compromete o correto funcionamento do Estado, influindo negativamente na relação entre governantes e governados; introduzindo uma crescente desconfiança em relação à política e aos seus representantes, com o conseqüente enfraquecimento das instituições. A corrupção política distorce na raiz a função das instituições representativas, porque as usa como terreno de barganha política entre solicitações clientelares e favores dos governantes. Deste modo, as opções políticas favorecem os objetivos restritos de quantos possuem os meios para influenciá-las e impedem a realização do bem comum de todos os cidadãos.

administração pública, em qualquer nível — nacional, regional, municipal —, como instrumento do Estado, tem por finalidade servir os cidadãos«Posto ao serviço dos cidadãos, o Estado é o gestor dos bens do povo, que deve administrar tendo em vista o bem comum». Contrasta com esta perspectiva o excesso de burocratização, que se verifica quando «as instituições, ao tornarem-se complexas na organização e pretendendo gerir todos os espaços disponíveis, acabam por se esvaziar devido ao funcionalismo impessoal, à burocracia exagerada, aos interesses privados injustos e ao desinteresse fácil e generalizado». O papel de quem trabalha na administração pública não se deve conceber como algo de impessoal e de burocrático, mas como uma ajuda pressurosa para os cidadãos, desempenhado com espírito de serviço.

d) Instrumentos de participação política

Os partidos políticos têm a função de favorecer uma participação difusa e o acesso de todos às responsabilidades públicas. Os partidos são chamados a interpretar as aspirações da sociedade civil orientando-as para o bem comum, oferecendo aos cidadãos a possibilidade efetiva de concorrer para a formação das opções políticas. Os partidos devem ser democráticos no seu interior, capazes de síntese política e de formulação de projetos.

Um outro instrumento de participação política é o referendum, em que se realiza uma forma direta de acesso às escolhas políticas. O instituto da representação, de fato, não exclui que os cidadãos possam ser interpelados diretamente em vista das escolhas de maior relevo da vida social.

e) Informação e democracia

A Informação está entre os principais instrumentos de participação democrática. Não é pensável participação alguma sem o conhecimento dos problemas da comunidade política, dos dados de fato e das várias propostas de solução dos problemas. É necessário assegurar um real pluralismo neste delicado âmbito da vida social, garantindo uma multiplicidade de formas e de instrumentos no campo da informação e da comunicação, facilitando também condições de igualdade na posse e no uso de tais instrumentos mediante leis apropriadas. Entre os obstáculos que se opõem à realização plena do direito à objetividade da informação, merece especial atenção o fenômeno das concentrações editoriais e televisivas, com perigosos efeitos para o inteiro sistema democrático quando a tal fenômeno correspondem liames cada vez mais estreitos entre a atividade governativa, os poderes financeiros e a informação.

Os meios de comunicação social devem ser utilizados para edificar e apoiar a comunidade humana, nos vários setores, economico, politico, cultural, educativo, religioso: «A informação dos meios de comunicação social está a serviço do bem comum. A sociedade tem direito a uma informação fundada sobre a verdade, a liberdade, a justiça e a solidariedade».

V. A COMUNIDADE POLÍTICA
A SERVIÇO DA COMUNIDADE CIVIL

A comunidade política está obrigada regular as próprias relações com comunidade civil de acordo com o princípio de subsidiariedadeé essencial que o crescimento da vida democrática tenha início no tecido social. As atividades da sociedade civil ― sobretudo voluntariado e cooperação no âmbito do privado-social, sinteticamente definido como «setor terciário » para distingui-lo dos âmbitos do Estado e do mercado ― constituem as modalidades mais adequadas para desenvolver a dimensão social da pessoa, que em tais atividades pode encontrar espaço para exprimir-se plenamente. A progressiva expansão das iniciativas sociais fora da esfera estatal cria novos espaços para a presença ativa e para a ação direta dos cidadãos, integrando as funções atuadas pelo Estado. Tal importante fenômeno tem sido freqüentemente atuado por caminhos e com instrumentos largamente informais, dando vida a modalidades novas e positivas de exercício dos direitos da pessoa, que enriquecem qualitativamente a vida democrática.

A cooperação, mesmo nas suas formas menos estruturadas, delineia-se como uma das respostas mais fortes à lógica do conflito e da concorrência sem limites, que hoje se revela prevalente. As relações que se instauram num clima cooperativo e solidário superam as divisões ideológicas, estimulando a busca daquilo que une para além daquilo que divide.

Muitas experiências de voluntariado constituem um ulterior exemplo de grande valor, que leva a considerar a sociedade civil como lugar onde é sempre possível a recomposição de uma ética pública centrada na solidariedadena colaboração concreta, no diálogo fraterno. Em face das potencialidades que assim se manifestam, os católicos são chamados a olhar com confiança e a oferecer própria obra pessoal para o bem da comunidade em geral e, em particular, para o bem dos mais fracos e dos mais necessitados. É também dessa forma que se afirma o princípio da «subjetividade da sociedade».


Nossa Senhora, Mãe da Misericórdia, rogai por nós!
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