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Daniel R. Esparza - publicado em 16/06/26
Correr pode se tornar uma escola silenciosa de oração, transformando movimento em presença, intercessão, gratidão e paz.
Correr é frequentemente elogiado pelo que faz ao corpo, mas seu presente mais silencioso pode ser o que faz com a mente.
Uma corrida constante pode interromper o barulho que muitas pessoas carregam o dia todo: tarefas inacabadas, velhas preocupações, ensaios ansiosos sobre o que pode acontecer a seguir. O ritmo da respiração e do passo dá à mente algo simples para seguir. Para alguns, isso se torna uma porta para a oração.
O Cardeal Jean-Paul Vesco, OP, arcebispo de Argel, recentemente chamou atenção ao correr a Maratona de Roma. Ele descreveu a corrida como uma "escola de oração" e tornou-se o primeiro cardeal a participar da história do evento.
A frase é marcante porque trata a corrida não como fuga, mas como disciplina. Um corredor aprende limites: fadiga, sede, ritmo irregular, a tentação de parar. São lições corporais, mas também espirituais. Aprendemos paciência ficando com a estrada à nossa frente.
O padre Seth Arnold, padre de Wichita e capelão escolar, deu outro exemplo emocionante após correr a Maratona de Boston em 2:35:45. Ele começou a corrida com nomes escritos em fita adesiva ao redor do pulso — pessoas que ele carregava em oração, incluindo um colega de classe falecido.
Esse pequeno gesto transforma uma corrida em intercessão. As milhas não são mais apenas esforço pessoal. Eles se tornam uma forma de lembrar os outros. Para quem busca uma melhor saúde mental, essa abordagem contemplativa pode mudar o significado de exercício. Correr não precisa ser outra métrica de desempenho. Pode ser uma prática diária de presença: respirar, notar, continuar, agradecer.
Um começo simples já é suficiente. Corra devagar. Deixe os fones de ouvido de vez em quando. Ofereça uma milha para alguém que está passando por dificuldades. Termine não checando os números primeiro, mas notando um dom: ar, força, luz solar, resistência. A paz raramente chega de uma vez só. Na maioria das vezes, isso acontece passo a passo.
Fonte: Aletéia
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